Uma noite de melancolia bem trabalhada com Filipe C.

por - 11:08

IMG_2874-2

Cheguei no CCCP nesse sábado um pouco mais acanhado que o de costume. Me voluntariei pra cobrir o show do rapaz de São Paulo, mas a bem verdade é que eu não conhecia ele nem a sua música. Pra quem chegou muito antes do show, teve Deathproof, do Tarantino, horrorizando e proporcionando como sempre, umas risadas nervosas! A casa não estava tão cheia de início, mas o pessoal foi encontrando seu lugar e quando deu a hora do show, a quantidade de presentes já era bacana. Voltarei ao quesito “plateia”, mas vamos seguindo. DJ Buddy Holly mandou seu set antes do show e o ambiente estava preparado.


Se não conhecia muito bem o trabalho do Filipe quando o encontrei ontem antes do show (e cometi a gafe de perguntar se ele era “da banda”), posso dizer que saí de lá com alguns trechos gravados na cabeça, além do nome das musicas. O EP Silence, de 2012, é a base do show que começa com uma introdução instrumental perfeitamente (e manualmente, pelo que eu entendi. Raça!) sincronizada às exibições visuais projetadas na tela deliciosamente grande que é um dos pontos fortes do CCCP. Pra quem não estava familiarizado, chama atenção a sincronia e familiaridade entre Filipe, que se divide entre o teclado e a guitarra, Eduardo Barretto no baixo, Lucas Ronsani na guitarra e Ricardo Cifas na bateria; parecem companheiros de longa viagem, e isso fica claro na execução. O som é bem pessoal e tem uma cara própria que transforma de maneira interessante versões de “Two Weeks” do Grizzly Bear, “Nightcall” do Kavinsky (trilha de Drive!). Como brinca o próprio Filipe, é um predomínio melancólico salpicado de momentos (raros) dançantes e alegres. Nos moldes do Radiohead e inúmeros outros tristonhos, a beleza e a qualidade independem da felicidade. Mais importante ainda num show, as músicas são tocadas com pegada e uma dose de aparente satisfação de todos os membros da banda, apesar de todos os pesares!


Pois sim senhores, sempre existem pesares. Não por parte do Filipe C. e banda, no caso. Como musicozinho que sou, sei que é um trabalho longo e penoso quando bem realizado, e o respeito e apreciação devida ao músico nem sempre fazem parte do comportamento do público. Pouca gente sabe o trampo que dá carregar muamba( a.k.a instrumentos) de um lugar pro outro, quanto mais de uma cidade pra outra. Fica aqui então a minha critica à galerinha que não se dá ao trabalho de levantar as duas mãozocas pra bater um pouquinho de palma. Custa muito pouco.  Mesmo!


De qualquer forma, o show prosseguiu redondinho e impecável, e provavelmente foi de agrado de conhecedores e desconhecedores do som deles. Pudemos ouvir uma música, se não me engano, nova, e um set compacto e direto. Além da qualidade do som, que é de interesse de conhecedores um pouco mais “profundos” da área, é importante ressaltar a tranquilidade de Filipe e seus companheiros e novamente, a aparente alegria de tocar em lugares novos, independente das condições. Parabéns ao CCCP novamente pelo som foda e pela noite e a todos que participaram de fato!


Abaixo fica o registro de uma "live session" do EP Silence e o resultado da minha cobertura. Veja mais fotos aqui.




[gallery ids="20199,20200,20201,20202,20203,20204,20205"]

Você também pode gostar

0 comentários