Vespas Mandarinas em resenha + entrevista após o primeiro show da turnê Animal Nacional

por - 14:05

[caption id="attachment_20512" align="aligncenter" width="640"]Vespas Mandarinas por Tai Bastos Vespas Mandarinas por Tai Bastos[/caption]

Não é fácil conter a ansiedade de um quarteto de rock prestes a começar uma turnê brasileira do seu álbum de estreia – o bom Animal Nacional - produzido pelo Rafael Ramos e lançado há poucos dias pela Deckdisk. Também não é fácil lotar o intimista e imponente Teatro Paiol em Curitiba: apesar dos pesares, mesmo não ocupando todas as cadeiras do local, o bom público se fez presente, cantou e aplaudiu durante aproximadamente 70 minutos (17 músicas). O que importa dizer, diante de tudo isso: a banda Vespas Mandarinas (SP), com Chuck Hipolitho (guitarra e voz), Thadeu Meneghini (guitarra e voz), André Dea (bateria) e Flavio Guarnieri (baixo) cumpriu a expectativa de todos, certamente.


Para quem não conhece o Teatro Paiol: é um Teatro imponente, com um valor histórico e cultural imensurável, com 41 anos    de atividade através de espetáculos e shows importantes na história das artes do Brasil. Fica situado numa região não muito residencial, e para o dissabor do público jovem em geral, não permite o consumo de bebidas no local. Tem capacidade de “apenas” 225 lugares: parece pouco, mas é um espaço proporcional à demanda mais “antenada” de Curitiba, disposta a sair de casa à noite para um show de artistas “desconhecidos” no cenário musical brasileiro.


Falando em set list, o show basicamente foi separado em duas partes – a primeira com o álbum “Animal Nacional” (tocado na integra e na ordem) e a segunda com o bis trazendo um cover e 4 canções que representaram os dois EPs lançados anteriormente “Sasha Grey” e "Da Doo Ron Ron" .


Às 20h56 a banda adentra ao palco do Teatro Paiol, e ao saudar a plateia já admite que de tão ansiosos os integrantes não dormiram na noite anterior, garantindo estar ali para fazer um show intenso. Imediatamente soaram os primeiros acordes de “Cobra de Vidro” e começava naquele momento a turnê das Vespas Mandarinas pelo Brasil. Nas primeiras músicas executadas notavam-se as referências dentro e fora da música, as mesmas que as Vespas Mandarinas ao longo da divulgação do seu primeiro álbum vem citando; nas canções próprias, trechos de “Não Existe Amor em SP” (Criolo), “Último Desejo” (Noel Rosa), “À Francesa” (Marina Lima) e também explanações a respeito de Bernardo Vilhena, Arnaldo Antunes, Adalberto Rabelo Filho, Paulo Leminski só para citar alguns. No cover, “Uma Noite e ½”, sucesso absoluto na voz de Marina Lima.


Os pontos mais altos do show ficaram por parte da sequência “O Inimigo”, “Um Homem Sem Qualidades” e “Rir no Final”, fortemente aplaudidas. Do inicio do show também merecem destaque as canções mais ouvidas/conhecidas do público das Vespas Mandarinas: “Cobra de Vidro”, “Não Sei o que Fazer Comigo” e “O Vício e o Verso” cantadas em coro pelo público paranaense como se fossem as canções entre as mais tocadas do seu Ipad – de repente são de fato - em “Herói Devolvido” – a última música de “Animal Nacional” ficou a sensação de que a banda havia cumprido a sua missão – a troca de olhares entre os integrantes apontava este sentimento.


Houve uma parada cheia de humor para o bis, e aí o senão da apresentação: o cover de “Uma Noite e ½” – apesar de ser um clássico de FM e TV soou estranha ao público, e a voz de Thadeu Meneghini mal se podia ouvir, talvez pelo tom alto demais para ele, ou quem sabe pela emoção da resposta calorosa da plateia. Enfim, algo que poderia ser evitado. Em compensação, “Antes que Você Conte Até Dez”, “Sasha Grey”, “Retroceder Nunca (Render-se Jamais)” e “Sem Nome” foram escolhas que fecharam muito bem um show para quem acompanha a banda desde o seu início e outras formações.


O show será naturalmente amadurecido, e a estrada que as Vespas Mandarinas irão percorrer deverá proporcionar um retorno breve à Curitiba, como as demais capitais brasileiras. A banda tem potencial para figurar entre as mais populares do país, e trazer ao rock/pop brasileiro um representante a altura da expectativa de um público mais exigente e mais amadurecido musicalmente.


Abaixo o vídeo do projeto Cena Low-Fi que entrevistou Chuck e Thadeu das Vespas Mandarinas.


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