Tentar ser ciclista é foda

por - 11:05

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Todo mundo que acompanha esse site sabe o quanto nós achamos uma bosta o transporte público, seja em São Paulo ou em Recife, a coisa tá bem ruim. E há um grande modo de fugir do tempo de espera longo de um ônibus que não passa nunca, cheio e etc: a bicicleta. Quem nunca pensou em ser ciclista que atire a primeira pedra!


Tomado pela gana de pedalar até a estação de metrô perto de casa (aproximadamente cinco quilômetros) tirei a poeira da minha magrela, comprei um cadeado, peguei os documentos, bilhete único pra passar no metrô e já eras. A rua era minha.


Confesso que fiquei com puta receio de ir pedalando por ali, mas lembrei de um conselho de um amigo ciclista: “você tem que partir do pressuposto de que todo motorista é filho da puta”. Se eu faço isso andando a pé, imagina de bike? E daí eu fui, dando espaço pra quem queria atravessar, fazendo um percurso que eu demoro de 15 a 20 minutos dentro de um ônibus cheio no mesmo tempo, tomando sol na cara, malhando as coxas e pensando que se pá eu vou ficar que nem a mina do Belo.


Até aí o rolê estava completamente bonito. Cheguei no metrô, prendi a bicicleta com o meu cadeado de um metro e meio, com um negócio de plástico pra não entrar sujeira na fechadura, como bem me alertou o vendedor. Fui ao meu destino, fiz o que precisava fazer e voltei. Eram quase 22h. Consegui pegar a magrela e para minha surpresa, um problema que eu pensei ter sanado voltou: a roda estava prendendo no quadro.


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Não sei porque porra isso tá acontecendo, mas depois de passar no posto (tentei ir no Ipiranga mas a parte com as ferramentas estavam fechadas) e pedir uma chave “15 ou 16, amigo”, para o frentista e apertar o parafuso do eixo, achei que o problema tinha sido solucionado. O caralho que tinha. Não deu 50 metros e lá estava eu, descendo da bicicleta e dando um chute na roda. Novamente tento pedalar e trava. A solução provisória foi remar, como se eu tivesse num skate, em alguns momentos do rolê, mas desencanei.


Não há metrô do lado de casa, eu estava há cinco quilômetros de minha humilde residência e com a porra duma bicicleta velha. Sabe qual foi a solução no final das contas? Ir a pé carregando essa merda vermelha que a cada guia que sobe solta a corrente, que a cada pedalada trava o pneu no quadro e cheguei em casa ofegante feito um porco e puto feito o cara do Dia de Fúria, porque misteriosamente, eu vi passar três ônibus que vinham para minha casa e todos estavam vazios. Livres. Eu poderia escolher o assento e tudo.


Moral da história: quando for tirar sua bicicleta de um quarto de bagunça da sua casa, não encha apenas o pneu, faça uma revisão. Pode ser no Posto Ipiranga, com algum camarada que manje sobre o assunto ou você mesmo, se souber a diferença entre uma chave allen e uma 15. Nunca desista da bicicleta, mesmo que você precise andar cinco quilômetros com ela fazendo barulho de carroça.

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