Você sabe qual é o maior direito do consumidor?

por - 11:07

Consul FAIL


É o seguinte, resolvi evoluir na vida, tipo aqueles passos que você aprende na escola com as etapas que todas as pessoas deveriam passar na vida. Resolvi sair de casa, montar minha maloca, junto com minha risoflora, toda essa onda romântica, mas pensada em todos os ângulos. Antes de falar sobre o assunto principal do texto, é bom dar um aviso pra quem esta pensando em se juntar, casar, ou ir morar sozinho, preciso dizer pra vocês que plástico tá caro pra caralho. Todos aqueles potes pra guardar grãos, ou carne na geladeira, etc, você sem pensar gasta uns 200 contos apenas com esses entulhos. Lógico que você vai gastar mais comprando os tais eletrodomésticos, e isso me traz mais uma vez ao foco dessa postagem.


Resolvi pesquisar nas lojas da cidade, pra conseguir os melhores custos benefícios possíveis, ou seja, sou liso, queria uma boa qualidade, por um preço mais em conta possível, para assim adquirir uma geladeira e uma máquina de lavar. Essa última, uma promessa para a mudança, já que ninguém queria ficar lavando roupas na mão, né? Pois então, eis que me chegam os dois eletrodomésticos juntos, numa das entregas mais ‘bizonhas’ que já vi na vida, sem ordem de serviço, ligando a cobrar pra saber onde é e perguntando se poderia descer pra ajudar a carregar. Isso porque eu ainda teria que pagar pelo serviço. Vocês entendem o prenuncio da parada?


Como estou morando no centro, o camarada que trouxe os eletrodomésticos pegou um mendigo pra ajudar a subir e trouxe tudo pra cima. Detalhe, sem as notas fiscais dos produtos, que ele me disse que eu deveria voltar na loja para pegar (mas na loja disseram que vinham com os produtos). Tudo certo com a geladeira, vamos então a máquina de lavar e para nossa surpresa ao abrir a caixa, percebemos que a mesma vinha com água dentro, não só percebemos como vimos água descendo pela mangueira e molhando toda a sala. Isso mesmo, a máquina veio lacrada e com água! A primeira coisa que pensei foi: alguém da loja usou a máquina e tentou passar pra mim. A segunda coisa que percebi foi: o tambor da máquina é bem mais torto que o normal, e por isso fiz o primeiro contato por e-mail com a empresa responsável pela construção da máquina, porém esse email foi respondido apenas 25 dias depois.


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Eis que para minha surpresa ao tentar contato por telefone, tal procedimento seria devido a testes feitos na máquina, para conforto do cliente, e é normal a mesma chegar com água em minha casa. Engraçado que nunca tinha ouvido falar de ninguém que tinha passado pelo mesmo problema, e resolvi procurar saber no meu círculo de amigos se alguém tinha passado por tal fato. Descobri com uma amiga que trabalha numa destilaria, que no final de 2012 eles compraram 31 máquinas e uma delas tinha vindo com água (1 no universo de 31, normal pra mim é mais de 50%). E a destilaria tinha entrado em contato com a marca e ela não só fez a troca do produto como ainda pediu desculpas. Percebem a diferença no tratamento entre os clientes? Eu, um mero mortal, liso, pra que a marca iria querer me agradar, não é?


Ainda me informaram por telefone que poderiam mandar um técnico para ver se a máquina estava com algum problema, mas caso não fosse constatado, eu teria que pagar pela visita. Engraçado que não existe uma linha sobre os testes e a possível presença de água no manual. Também não informam há quanto tempo a máquina estaria lacrada e posta a venda, com água dentro, oxidando todo o metal da máquina, sem ela nem ser utilizada. Porque entendam, com certeza essa máquina já está sofrendo oxidação pela água parada dentro dela, por algum tempo e isso seria sim um problema. Informaram-me também que eu deveria realizar o teste para ver se realmente tem um problema e que eles concertariam. Ou seja, tiram até o meu direito de quebrar um equipamento que comprei novo e que deveria chegar inteiro e pronto pra uso. Nem o direito de quebrar a porra da máquina eu tenho!


Retorno à loja onde comprei, atrás da nota fiscal e informando o ocorrido. Lá, um supervisor me diz que máquinas com águas oriundas de fábrica estão cada vez mais comum, mesmo que nenhum vendedor da loja ou atendente tenha esboçado normalidade ao saber sobre o assunto, bem ao contrário, ouvi expressões como “nossa” e “como assim, veio com água?”. O cara tenta me colocar em contato com o fabricante, mas não tem sucesso. O vendedor que tinha me vendido a máquina prometeu trocar o equipamento num prazo de dois dias e eu saí da loja com essa esperança de que tudo seria resolvido, mas não foi. Tive então que fazer contato com o PROCON, esse belo órgão público, que dizem na TV ser o maior aliado do consumidor, um conciliador, com grande êxito em suas funções.


PROCON


Eis que mais de dois meses após o ocorrido, chega a minha audiência no PROCON, perco minha manhã de trabalho, compareço ao local na hora marcada. A representante do fabricante chega aos 45 minutos do segundo tempo, o representante da loja, nem dá as caras. Eis que no início da audiência, a advogada representante da marca diz não ter nenhum acordo, pois a marca não teve tempo de enviar nenhum nesses 2 meses, perguntando se poderíamos remarcar tal audiência. A conciliadora me informa que caso eu não aceite tal suspensão, a marca seria punida com uma multa, mas que a multa seria paga pelos cofres públicos, sem ônus algum a empresa fabricante. Pior ainda, eu não seria ressarcido de nada, sairia de lá com uma mão na frente e outra atrás. Eis o grande órgão que é o PROCON, um mero administrativo e não jurídico, percebe-se então porque a loja vendedora nem deu as caras, já que não acarretaria em ônus algum.


Ainda escuto da conciliadora que eu tive azar, pois a marca tem uma forte política de acordo com o cliente e que semanalmente via acordos sendo feitos por ela no PROCON. A advogada, que parecia ter alguma intimidade com a conciliadora, confirmou que toda semana eles estavam por lá, parecia uma espécie de propaganda positiva da empresa. Achei tudo isso incrível, pois não vejo como pode ser positivo uma empresa estar sempre no PROCON, mesmo que seja para acordar com um cliente, deixando claro mais uma vez que a lei beneficia o infrator, que sai de lá sem punição alguma. Digo para ambas que se a marca foi incompetente em mandar um acordo nesses dois meses, o que me garante que terei esse acordo em cerca de um mês? E a conciliadora me diz então que, caso não tenha um acordo em um mês, a multa será aplicada, porém paga pelos cofres públicos, mas que eu não teria nada.


Me disse ainda que deveria ir ao juizado, caso queira resolver algum problema jurídico (coisa que eu já tinha feito no mesmo dia em que fui no PROCON), e que eles funcionam administrativamente e quando não conseguem o acordo, é como se o PROCON assumisse a culpa, por isso os cofres públicos pagam a multa da empresa. Mas e o cliente minha senhora, a pergunta que eu faço é: e o cliente que se fodeu, como fica? Segundo ela, no PROCON o cliente só consegue o que a empresa quer no ato da audiência. A conclusão que cheguei foi a seguinte: SABE QUAL É O MAIOR DIREITO DO CONSUMIDOR NUM PAÍS COMO O BRASIL? O DE TOMAR NO CU!

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1 comentários

  1. Realmente você foi bem azarado. Comprei um dvd certa vez e o mesmo quebrou em apenas seis meses. levei para a assistência técnica que era em camaragibe e ummês depois meu aparelho tinha ido para São Paulo e de lá jamais voltou. Fui no Procon e lá mesmo me aconselharam a entrar logo nas pequenas causas. Um mês e um tiquinho depois, teve a audiência onde queria me dar um aparelho novo da mesma marca. eu não quis aceitar e me ressarciram com o mesmo valor da nota fiscal pago na hora. Saindo de lá, comprei um aparelho novo, de outra marca que custou 80 Reais menos e está comigo funcionando perfeitamente à seis anos. Aconselho você a fazer isso. Boa sorte.

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