"Perda de tempo, não vai dar certo"

por - 15:23

mpl


Com a molecada tomando consciência da própria força, ainda existe gente citando o jargão mais filho da puta do universo. Mas faz sentido se pensarmos em física e naquele papo de que toda força gera uma resistência, mesmo que o movimento não seja tão físico, mas coxa mesmo. Mesmo com tanta gente incomodada com algo, tem um pessoal que acredita que se deve ficar de boa e aceitar tudo que nos mandam fazer. Reflexão é o primeiro passo para a ação e parece que a galera cansou de refletir e resolveu abraçar a desobediência civil. Eu provavelmente não teria pensado em nada melhor para a ocasião e não posso fazer nada senão aplaudir a coragem e a vontade de mudar que essa juventude transada está demonstrando.



É chato falar sobre os fatos e sair hostilizando pontos de vista diferentes do nosso, tal como os tais coxinhas fazem, mas é difícil neste caso quando se sabe o quanto uma manifestação ganhou um sentido que vai além do seu propósito. Isso me faz lembrar as vezes que tive ideias menos ambiciosas e que foram cravejadas de comentários que me desmotivaram totalmente no processo, como quando queria pular de bungee jump ou quando disse que adoraria escrever roteiros para o cinema nacional. Ideias por ideias, eu as tenho o tempo todo, mas pela execução, sempre estive em desvantagem no quesito motivação, coisa que a molecadinha me mostrou não fazer nenhuma diferença. Quem sabe até não considere pular de um prédio com uma corda amarrada nas pernas atualmente.



Uma vez quando era moleque, lembro que era apaixonado por uma menininha asiática da sala. Quem nunca foi apaixonado quando era moleque, né? No fim da infância, acho que uma ereção tinha valor diferente. Contei para uns amiguinhos sobre aquilo que achava ser meu sentimento e a resposta foi unânime: não vai dar certo. Não deu mesmo. E me pergunto se teria dado se não tivesse ouvido a opinião de ninguém antes. Provavelmente não também, mas quando se está por baixo, levantar e seguir em frente é a última coisa que passa pela cabeça. Fico pensando como ela deve estar hoje. Talvez ela seja contra a tal passeata. Ela era patricinha e tinha um pai dentista. Naquela época pra conseguir um selinho, que era o auge da expressão afetiva, eu teria que inventar os dentes.



Voltando um pouco ao foco, é até engraçado como o discurso da mídia foi mudando conforme o movimento todo ganhou força. De baderneiro-leite-com-pera a manifestante-violento-portador-de-vinagre. Pode não parecer um avanço, mas considerando a situação criada, estou do lado que prepara o vinagrete. Já comeu pão com vinagrete? Porra, é muito bom! Quando rola um churrasco, é disso que eu sobrevivo. E falando em sobrevivência, este protesto chegou a um ponto tão crucial que independerá de opiniões, sejam positivas ou negativas. Eu poderia ficar e falar o quanto adoraria que a passagem de ônibus em São Paulo não fosse tão cara como de fato é, mas sou mais me juntar à multidão impaciente, que pode até se machucar, mas vai fazer aquilo que julga o certo. Se você não está comigo, tudo bem. Não esconderei minha decepção, mas entenderei. Nem todo mundo anda de ônibus. Entretanto, não me venha falar que minha tentativa fracassará porque você acha que vai.


datena


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