Discos incompreendidos pelo povão

por - 11:08

shrugging-guy

Eu não quero de pagar de MTV, mas acho que esta era uma lista mais que necessária e que nunca vi ninguém fazendo. Por isto, vale colocar aqui alguns dos discos que ninguém parece ter sacado muito qual era a noia por trás. São discos bons? Não. Mas são discos ruins? Não também. E ainda assim nego insiste em falar deles sem nunca nem ter pensado o que realmente queria que fosse atingido naquele disco em específico. Alguns até não tinham tal significado, mas não por isso mereciam as pedras ou as joias que ganharam respectivamente. Vamos conferir a singela listinha:


mj invinc


Michael Jackson – Invincible: Depois do 11 de setembro, qualquer coisa poderia ser o bode expiatório para a merda toda que o mundo todo tinha visto com as duas torres sendo apedrejadas com aviões. Não entrarei no mérito de discutir todo o fato, mas a primeira coisa que surgisse que não fosse exaltar o patriotismo americano e o repúdio a tudo que fosse relacionado, direta ou indiretamente, a Bin Laden ou a Al Qaeda seria ignorada ou odiada com força. E aí o Michael Jackson lançou Invincible. Só o título do álbum era tudo que a época não emanava. Não digo que somente isso foi o estopim para este ser um disco incompreendido, mas é bem verdade que todo mundo cagou duas bolas para o que ele tinha a oferecer simplesmente por ser “invincible” com um atentado terrorista e centenas de mortos. Sejamos sinceros, o disco é fraco e isso comparado a absolutamente tudo que Michael Jackson (branco ou não, foda-se isso) fez, mas muitos artistas fazem discos fracos e nem por isso sofreram o que Invincible sofreu e, consequentemente, Michael Jackson.


virguloides


Virgulóides – Virgulóides: É fácil dizer porque este é um disco incompreendido. Junte pagode com umas guitarras e umas letras cheias de humor de tio de churrasco. E porra, eles eram geniais. Se você gosta de umas bandas de post-shoegaze da Escócia e acha que manja de avant-garde, tá falando merda na rodinha de amigos. A banda veio numa época em que o pagode dominava e o rock era aquele garotinho que acabou de ganhar uma guitarra e só manjava uns bicordes e usava umas distorções que pareciam uma campainha. Juntar a maturidade do romântico pagodeiro corneado pela mina de esquema do bairro com a bebedeira de guaraná e a descoberta da masturbação do rock da época foi algo que não foi tão bem recebido pelo grande público e por isso acabou não perdurando. Tudo bem que o soberano pagode também renasceu depois, mas não sei se posso esperar algo tão honesto quanto os Virgulóides em um revival ao maior estilão RoboCop. E talvez até seja melhor assim.


naldo


Naldo – Na Veia Tour: Vemos hoje o revival do funk carioca, com direito a Chico Buarquização de nomes antigos do funk e a consagração talvez temporária de nomes atuais. E ninguém que não curte esta onda parece entender o que significa dela. O que está em alta está em alta e se está todo mundo ouvindo, aumente seu fonezinho de ouvido da Philips de 13 conto. Nada dito poderá anular o fenômeno que é a new wave of funk carioca. O disco é incompreendido apenas pelo recalque de quem não sabe curtir sua onda sem "descurtir" a alheia. E infelizmente, há uma maioria que não sabe brincar. Minhas impressões sobre o disco são simples: acho que há funks melhores por aí, mas Naldo meio que puxou todo mundo para o mainstream das novelas globais, o que fez todo o movimento ganhar uma visibilidade. E quanto mais gente ouve, mais gente acaba não sacando e por isso, vale botar ele na lista. Até porque pra ele uísque ou água de coco tanto faz.


Cacophony - Go Off!


Cacophony – Go Off!: Um dia Marty Friedman estava cansado de fritar sua guitarra sozinho, então chamou seu amigo Jason Becker pra fazer um disco no qual ambos poderiam abusar de escalas bizarras que somente um punheteiro do metal saberia utilizar entre suas sessões de Magic the Gathering. Aí eles fizeram um álbum excelente chamado Speed Metal Symphony. Na intenção de fazer um registro igualmente bacana, eles lançaram Go Off! e ninguém entendeu nada. Quem ouve sempre diz que é como se o seu Super Nintendo tivesse dado um tilt na fase da água do Super Mario World. Comercialmente, o disco foi um fracasso. Nunca fui fã de speed metal, mas o primeiro álbum me encanta. O segundo soa realmente uma punheta metalística retardada. Mas não acredito que tenha sido inferior a qualquer outro lançamento do gênero, o que me faz questionar porque quem transa esta onda acabou não curtindo. Vai ver que o megazord do metal é, sempre foi e sempre será o Manowar, afinal de contas Marty Friedman e Jason Becker acabam ficando com o posto de dollynhos sabor maçã, o que é uma pena já que Dolly Maçã é o único que ainda dá pra tomar.


luiz caldas


Luiz Caldas – Castelo de Gelo: Se você já ouviu axé e hoje se queixa por ouvir música ruim, sugiro que vá escutar o senhor que começou com toda esta noia e repare como ela é sofisticada. Ok, talvez não tanto. Mas a questão é que Luiz Caldas é o precursor do axé, porém fez um disco de rock que Dinho Ouro Preto quebra a cabeça até hoje pra fazer. Isso mesmo. Curiosamente, este disco meio que passou batido para aqueles que debocham do bom rock que este distinto senhor se propôs a fazer, o que mostra o quanto você pode ser injusto achando que só porque o cara era brega ele faz música ruim. Tudo bem, ele é quase o Alice Cooper no quesito performance, mas verdade seja dita, para um semi-ancião que fazia a sua mãe dançar, ele até que mandou bem neste álbum. Veja bem, está longe de ser um Led Zeppelin, mas se ele aderisse ao novo estilo, poderia ao menos mostrar que fim de carreira é coisa de cheirador de cocaína.

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1 comentários

  1. hum...nunca ouvi nenhum desses discos. Mais tarde ouvirei e tirarei a minha própria conclusão.

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