Discretas Impressões sobre o Pequenas Sessões - Parte 3

por - 14:07

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Constantina + Projeto Sonho + Neems

Sábadão foi dia do último show do Pequenas Sessões rolando no centoequatro e antes de começar de fato a resenha, acho que é o momento certo pra dizer algumas coisinhas. É importante reafirmar o que um festival como esse significa pra música independente no Brasil, mas principalmente pra Belo Horizonte e Minas Gerais como um todo. O Pequenas Sessões é um evento de mais ou menos uns seis anos de idade, planejado, trabalhado e executado em BH, por mineiros. O apoio de gente como a Vivo, do governo do estado e o interesse de meios de comunicação – inclusive os mais conservadores – pelo festival é uma mostra claríssima do sucesso dele, além é claro, da alegria compartilhada entre todo mundo que esteve trabalhando nesses três dias, todos os músicos e artistas que participaram do evento de alguma forma e o público.


A pegada do som, independente das suas características, o carinho mútuo que cria o ambiente agradável em que estivemos nos últimos três dias é, sem duvida, a maior prova de que o festival deu certo, mais uma vez. Mas fica também de aviso para as bandas,  artistas e pessoas em geral que insistem na ida para as cidades maiores em busca de fama, sucesso, apoio: é sim o caminho mais fácil, e eu não pretendo de forma alguma julgar as ações de ninguém; cada um faz da sua vida o que acha correto. Mas o fato é que, são iniciativas como essa que fazem com que a cena artística floresça em cantos inesperados do país da mesma forma que em cidades satélites como Rio e São Paulo. É a ideia de ficar em casa e transformar a sua cidade natal no lugar que você quer viver, ao invés de apenas procurar esse lugar numa forma já pronta, feita. Nunca fui muito simpático com a ideia de que “música independente não precisa procurar apoio não” e sempre achei o termo “independente” um bocado ambíguo. Porém acho que os tempos de hoje são propícios demais à colaboração e à amizade pra que artistas percam tempo se dividindo, criando subgrupos ou colocando o orgulho antes da diversão que é se ajudar e compartilhar as coisas no que se trata de música, arte, organização de eventos, o caramba. Um parabéns de pé a todo o pessoal envolvido no Pequenas Sessões, por serem um exemplo de que a cena independente pode sim dar certo e pode sim reunir as pessoas em vários cantos do país/planeta/universo.


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Agora sim, os shows. O centoequatro teve um público bacana no sábado, apesar de, mais uma vez, não ter alcançado a multidão que se reuniu pro primeiro dia de Constantina e Hurtmold. O que foi, novamente, uma pena: quem esteve lá e assistiu a apresentação completa teve a sorte de ver o show mais pesado do festival e mais um sucesso no quesito diálogo musical. A banda convidada da noite foi o Projeto Sonho, de Alagoas. Os caras fazem um post rock bem durão e pesado, sempre encontrando aquele equilíbrio agradável entre a leveza e a pauleira. As duas bandas subiram ao palco juntas e rolou um esquema divertido de revezamento entre elas, numa espécie de duelo. Era bonito perceber que havia entrosamento inclusive entre os membros dos grupos, como ficou óbvio nas jams guiadas pelos bateras, lado a lado. Outro ponto interessante: como se estivessem incentivados pelo pessoal do Projeto Sonho, o Constantina quebrou o pau! O resultado foi uma apresentação linda e novamente, única, com as bandas encontrando uma espécie de meio termo que conseguisse reunir as características mais fortes de cada uma delas. As projeções da noite foram feitas pelo Neems, e pra variar, foi um visual foda. O público não pareceu cansado por ouvir um segundo show do Constantina em três dias e o set foi variado da primeira apresentação, também com esse intuito, creio. Outro momento marcante foi a apresentação inédita de uma música composta pelo GA Barulhista e os caras do Projeto Sonho, que você pode conferir num dos vídeos abaixo. No final das contas, era fácil confundir quem era quem, toda aquela galera instrumentada indo de um lado pro outro no palco, os dois bateras sentando o pau como se não houvesse amanhã, a cena mais apropriada possível para o “encerramento” de uma festa tão linda e bem organizada como aquela.


Veja mais fotos do terceiro dia aqui



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