O Guitar Hero não te torna herói de nada

por - 14:08

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Em 2013 é difícil encontrar gente que não é fissurada numas tecnologias bem doidonas que te fazem parecer um babaca, mas que são divertidas mesmo assim. Vivemos numa época em que os aparelhos eletrônicos facilitam tanto nossa vida e deixam-na tão cômoda que depois temos que nos preocupar com as consequências que seus benefícios trazem, o que não é errado, só soa confuso que não se tenha pensado nisso antes de tais adventos serem desenvolvidos. E se tratando de entretenimento propriamente dito, os videogames até hoje são os mais culpabilizados pelos estados psicológicos e físicos de seus usuários. Já eu culpo apenas um jogo por todas estas insalubridades: o Guitar Hero.


Quando ele era novidade até tentei jogar. Ele nunca me prendeu a atenção pela simples razão de eu já me interessar por música antes. Já arranhava a minha guitarra, não fazia sentido fingir ser um guitarrista. Talvez fizesse fingir ser um bom guitarrista, mas qualidade sempre será um fator discutível, ainda mais no mundo de hoje. Todo mundo que jogava sempre mencionava como era boa a sensação de se tocar num controle em forma de guitarra uma música extremamente difícil numa guitarra real. E aquilo era inconcebível para mim. Era como masturbar um pênis eletrônico fingindo ser o seu próprio e se felicitando por isso.




[caption id="attachment_21025" align="aligncenter" width="336"]guitarhero5_ Pixie Lott também curte Guitar Hero... não manja a Pixie Lott? Nem eu.[/caption]

Obviamente, minha opinião não expressa uma realidade massificada. A turma parece amar esse jogo. Digo isso porque novos controles-guitarra sempre saem, novas possibilidades de customização, campeonatos. Isso sem contar nas versões do jogo com bandas altamente questionáveis. Porra, fizeram um Guitar Hero do Aerosmith! Porque todo mundo sabe que pegando bandas consideradas imortalizadas pelo grande público, a grana vem mais fácil. Quem não gosta de um velho tocando uns sons antigos? Apesar de não conhecer ninguém que comprou esta versão do jogo, claro que ela vendeu muito. E o mesmo se aplica às versões de Metallica, Beatles e Van Halen. Porque uma banda pequena ou mesmo a sua própria banda não fariam de você um herói da guitarra, ainda que estejam procurando a “salvação do rock” até hoje nos undergrounds por aí.


Ouvi um argumento interessante há uns tempos. “O jogo é bom pra quem não manja nada de música. Cria um interesse e tal”. Certo. Mesmo sendo um jogo cujo foco é na música, não dá pra dizer que o interesse por música vai ser criado instantaneamente. Por exemplo, quando era molequinho, jogava muito um jogo chamado Sonic 2. Neste jogo, tinha uma fase chamada "Chemical Plant Zone", dividida em primeiro e segundo ato. O primeiro era fácil e simples, mas o segundo ato tinha uma parte filha da puta onde o Sonic era encoberto por água roxa e a jogabilidade do personagem submerso era uma bosta. O resultado era que eu nunca passei desta fase até re-jogar o jogo depois de crescido. Na época, eu nem ligava pra música, aquilo era frustrante demais pra se atentar a detalhes. Demorou muito até eu me dar conta de que o jogo era muito mais fácil do que eu achava na época e que a música era excelente, afinal de contas. Pensando num jogo que exige mais destreza nas mãos e mais senso de ritmo que um jogo para o obsoleto, porém altamente divertido, Mega Drive, me questiono o quanto introdutivo pode ser um som bacana para a molecada que, ironicamente, quer dominar as notas propagadas digitalmente pelo controle com formato de guitarra.




[caption id="attachment_21027" align="aligncenter" width="341"]Gates Guitarrista, milionário e criador do Windows 95. Este é Bill Gates.[/caption]

Recentemente soube de um jogo que segue praticamente o mesmo preceito de Guitar Hero, porém este demanda que você use uma guitarra de verdade, já que exige que o jogador realmente toque para jogar. Mas não sei até aonde este se diferencia do original. Não por não ser jogado com uma guitarrinha escrota com botões coloridos, mas por ter similaridades demais com o primeiro jogo, limitando totalmente a experiência real que é tocar uma guitarrona sem se preocupar com ganhar pontos, habilitar modos extra ou ganhar daquele coreano sem vida que vive te dando um pau na Live. No quesito imersão estes jogos devem até fazer um bom trabalho, o que acaba sendo bom no aspecto que abrange o propósito dos videogames hoje em dia, que não se preocupam mais somente com boa jogabilidade (ainda que este seja o fator crucial num videogame) ou com gráficos realistas, mas também estes deviam se preocupar menos com uma simulação e mais com a incorporação de elementos que deixem o jogo mais atrativo. Se pararmos pra pensar, o Guitar Hero nada mais é do que um jogo de Genius em tempo real.


Por fim, quero deixar bem claro que só meto o pau no Guitar Hero por ser um jogo chato e overrated. Porém, como não sou a verdade absoluta (ainda), esta é apenas a minha opinião sobre este gênero de jogos. E é até surpreendente como ele abrange multiplataformas facilmente. Esses dias vi um cara jogando uma versão no celular. Claro, é de se questionar o quanto um celular te faz sentir como Jimi Hendrix, mas no fim das contas, não é muito sobre a noia, mas sobre a pedra. Cada um vai curtir sua onda por sua própria razão. Só espero que seja uma razão mais pessoal que simplesmente ser um deus da guitarra de plástico com botões multicoloridos, caso contrário, o mundo do rock vai ter que te deixar na mão da forma mais literal possível.


homoGuitar Hero

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2 comentários

  1. sempre pensei dessa forma. nunca consegui jogar isso.

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