O MPL e a população deram um show, já a PM...

por - 11:08

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Aconteceu em São Paulo nesta quinta-feira (6) o 1º Ato contra o aumento da passagem de ônibus e metrô. Se você não tá ligado, o custo da condução aqui subiu de R$ 3 para R$ 3,20 no domingo (2) e claro que a população não ia ficar quieta né? O Movimento Passe Livre (MPL) começou a divulgação pelas redes sociais e panfletagem por faculdades, ruas e etc e conseguiu juntar no centrão 5000 pessoas (segundo eles, mas não confiamos no número da Polícia).


A parada foi linda. Mesmo. O começo pacífico, saímos do Theatro Municipal e irritamos uma pá de motorista de carro no cruzamento da Xavier de Toledo com o Viaduto do Chá. Tinha até motorista de busão fazendo joia e tal. A luta não é só nossa. Daí fomos subindo sentido a prefeitura e ali começou uma boa concentração. Deu pra notar o quanto de manifestante tinha no rolê e que fique claro, foda-se se tem bandeira de partido, bloco anarquista, gente que tem mentalidade CQC e etc, tá todo mundo ali por um bem comum. Enfim, ali achei que ia dar merda porque tinha um cordão de PM em frente à Praça do Patriarca, mas a passeata passou no meio dos caras de boa.


Quando eles foram subir sentido Praça da Sé pra descer por baixo do Viaduto do Chá eu nem acompanhei. Um camarada que estava comigo precisava encontrar uma amiga e ficamos ali na Praça mesmo. Depois passou um tempo e começamos a ouvir que os caras estavam voltando e aos poucos eles foram tomando um bom pedaço da parte debaixo do Viaduto. Basicamente eles pararam a 9 de Julho e a 23 de maio com catracas de papel pegando fogo, um cordão humano (que deixou uma ambulância passar, parabéns, mesmo) e gente jogada e deitada no meio da rua.


A PM, claro, não ia deixar barato um monte de “baderneiro” travando as principais vias da cidade. Depois de trocar ideia com um mendigão que comentava toda hora sobre jogar seu cobertor pegando fogo na GCM – “porque eles chegam aqui e zoam todo mundo, acordam no soco, com spray na cara” –, desci com quem estava comigo para perto do metrô Anhangabaú. A cena que eu via lá de cima tava muito mais linda de perto. Queima, catraca. Queima aumento.


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E aí, do nada, aquela correria e uma gritaria: “o choque, o choque caralho”... subi correndo. Vi PM jogando bomba pra cima do Viaduto do Chá com repórter e um monte de gente que só estava vendo a manifestação. Cheiro de pimenta do caralho. Ardência de leve no rosto. Precisei ir embora por motivos da vida mesmo. Desci para o metrô Anhangabaú e lá, quando cheguei, uma gritaria da porra, uns caras do choque andando coladinho (que nem pão de queijo com defeito) e os guardinhas do metrô pedindo pra todo mundo entrar. Uma mina querendo o nome do segurança, uma galera me perguntando o que estava rolando e eu explicando. “ENTRA, ENTRA, ENTRA PORRA”. A voz do metrô dizia: “por favor, sigam suas viagens e não fiquem no mezanino”. Ninguém tava nem aí. Dei uma cota, troquei ideia com os caras que acharam legal a iniciativa popular e acabaram condenando o modo que a PM tratou o povo. Achei isso muito foda.


Quando já estava indo embora, na plataforma de embarque, vejo um pessoal xingando o outro. Tinha pensado que era gente brigando porque sei lá, pisou no pé, mas não. Um estudante – eu acho que ele era universitário -, e um operário com regata Fatal Surf brigavam com um leitor da Folha de S. Paulo porque ele estava criticando a manifestação. “Vai tomar no cu, eles estão certos, seu trouxa do caralho! Tem que protestar”, dizia o mano de calça jeans cheia de lavagem. “Vai chupar o pau do Haddad, seu filho da puta!”, berrava o estudante. Até que o guardinha do metrô chegou e deu cabo no lance.


Notei uma coisa nessa manifestação do MPL. Além de estar cheia e ter sido um evento lindo – e olha que eu nem consegui pra Paulista -, a população civil que sempre critica a postura de quem está na rua com os discursos de ter que ir lá contra a corrupção, estava concordando. Acho que isso mostra uma coisa: ninguém está satisfeito com o sistema de transporte público da cidade de São Paulo. E outra, por favor, desencana dessa de vandalismo. Foi como disse um dos cabeças do MPL no site da Carta Capital: “Pôr fogo em lixo e fechar rua não machuca ninguém. Violência foi o que a polícia fez”. E foi mesmo.


Por sinal, hoje tem um novo ato. Dessa vez a concentração é na Estação Faria Lima/Largo da Batata, em Pinheiros, a partir das 17h. E aí, vai colar ou ficará em casa falando de vandalismo enquanto compartilha foto montagem de corrupção no seu Facebook?


*A VICE acompanhou a manifestação até a Avenida Paulista e fez um relato completo de ontem. Leia aqui.



OBS: eu não sei de quem são as fotos e as peguei no perfil do Facebook do MPL. Por favor, se alguém souber, me avise para que eu dê os devidos créditos.


OBS²: o Ordinária Hit lançou um EP virtual sobre o aumento da passagem que recomendamos ouvir por sua genialidade.

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1 comentários

  1. Tudo muito bonito, tudo muito legal. "“Pôr fogo em lixo e fechar rua não machuca ninguém." - Um tanto quanto subjetivo. A tiazinha da limpeza não deve ter gostado nada de ter de limpar a sujeirada, e as pessoas presas no trânsito não tem rosto: podia ter mulher parindo, médico atrasado pra chegar no hospital, gente passando mal, enfim, vai saber quem tá sofrendo com isso. Acho justíssimo o protesto, mas os atos de violência só servem pra duas coisas: afastar a identificação da população em geral com o movimento e dar a desculpa que a polícia precisa pra descer o cacete. Por que não liberaram as catracas dos ônibus e metrô? Só quem sofreria com isso seriam o Estado e as empresas. Um dos organizadores do protesto é o Sindicato dos Metroviários, ligado à Conlutas e PSTU - poderia ter tentado organizar algo nesse sentido. Antes que me tachem de direitista ou o que valha, sou anti-esquerda (essa que se vê hoje em dia) e anti-direita (desde sempre). Voto nulo e pego busão todo santo dia.

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