"Pessoas são estranhas quando você é estranho"

por - 15:45

estranhos


Numa época em que todo mundo me chamava de estranho e me isolava por possuir tal adjetivo, isso não era muito bacana. Longe de querer créditos ou de tentar pagar de oldschool neste mérito, mas você percebe que o mundo roda numa fúria violenta quando antes o que te causava chateação e até mesmo tristeza hoje é motivo de vitória para a moçada. Tem gente que parece adorar fingir que é louco ou que é diferente dos demais. Claro que não há nada de errado em ser de fato diferente, mas a questão é outra quando você faz disso um estilo de vida.



Personalidade é foda, até parece que tê-la é o passaporte para o sexo fácil e para a festa da piña colada. Para quem realmente valoriza a síndrome do underground, permita lhe contar algo: ser diferente é a mesma coisa que beijar o rosto da sua irmã. Você pode até fazer, mas não saia por aí cantando vitória porque o faz, afinal de contas, não vai ser surpresa nenhuma se você ver outras pessoas fazendo. Veja bem, novamente, ser alternativo não é pertencer a algo, ou seja, não fique feliz por ser o que você diz ser você mesmo. Até porque, ser feliz por ser você implica na ideia de que você precisa ser algo diferente daquilo que você antes pensava ser, entende? Confuso ou não, ser estranho não é mérito.



Imagine como se sente a filha do MJ. Um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos deve ser bom na paternidade. Ele era tão bom nos lances livres, ele deve tirar de letra esse lance de ser pai. Mas e quanto ao MJ morto? Ah, aí o negócio fica diferente, principalmente pelo fato de estar morto. Quem gosta de fofoquinha sabe que a filha de Michael Jackson tentou se matar porque não deixaram ela ir ao show do Marilyn Manson, outra pessoinha diferentona. E aí falar que é bom ser estranho se torna muito mais delicado, hein. De modo geral, ser conhecido por ter um pai de personalidade peculiar deve ser complicado, considerando a mídia que se conhece. Ou mesmo ser o Marilyn Manson deve ser difícil pra caralho. Uma pedra para cada excentricidade que se ouve por aí.



E no fim das contas, é fácil provar como ser diferente é uma merda sem tamanho. Não que ser igual a todo mundo também seja um mar de rosas, até porque vivemos num grande meio termo da depressão. E tendo em mente que toda diferença é dificilmente bem vista por todos, resta apenas não ligar para absolutamente nada que se comenta por aí. Não se vanglorie por ser diferente, afinal, o MJ, o Marilyn Manson gordaço parecendo o Ronaldo Esper e a pequena Miss Suicida não parecem ser as pessoas mais felizes do universo. E pensar que para ser um pai comum, leia-se omisso, ainda é necessário muito incentivo de todas as partes. Que as forças divinas queiram que nossas crianças não se tornem entusiastas da cena indie ou fãs de Marilyn Manson, pelo bem da saúde coletiva e pelo fim da autoafirmação da personalidade frágil.


jacksons

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2 comentários

  1. "E pensar que para ser um pai comum, leia-se omisso, ainda é necessário muito incentivo de todas as partes". Se nessa frase a intenção foi dizer que o pai comum geralmente é omisso, você foi muito infeliz, fugiu do contexto e aplicou o que é o senso comum mais sem fundamento desse 'neo feminismo-marxista'. No mais, texto excelente e condiz com o que eu penso também, essa onda de gente querendo forçar personalidades que mudam de acordo com as estações do ano me deixam em estado de extrema....compaixão, é um atestado da mais pura falta de personalidade e amor próprio. Os movimentos sociais que ocorrem hoje por cabeças,digamos, 'jovens' como a ocupação dos diversos espaços públicos com eventos culturais são excelentes e necessários, mas infelizmente estão inundados com gente 'estranha' (as citadas no texto) que carregam discursos tão consistentes como um prato de angú e que têm as palavras com a mesma credibilidade de um classe-média alta da década de 90 (aqueles que adoravam os aeroportos naquela época porque pobre não usava avião). Estão carregando eventos culturais de simbologia e fundo político pra apoiar partidos e politicagem.

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  2. "E pensar que para ser um pai comum, leia-se omisso, ainda é necessário muito incentivo de todas as partes". Se nessa frase a intenção foi dizer que o pai comum geralmente é omisso, você foi muito infeliz, fugiu do contexto e aplicou o que é o senso comum mais sem fundamento desse 'neo feminismo-marxista'. No mais, texto excelente e condiz com o que eu penso também, essa onda de gente querendo forçar personalidades que mudam de acordo com as estações do ano me deixam em estado de extrema....compaixão, é um atestado da mais pura falta de personalidade e amor próprio. Os movimentos sociais que ocorrem hoje por cabeças,digamos, 'jovens' como a ocupação dos diversos espaços públicos com eventos culturais são excelentes e necessários, mas infelizmente estão inundados com gente 'estranha' (as citadas no texto) que carregam discursos tão consistentes como um prato de angú e que têm as palavras com a mesma credibilidade de um classe-média alta da década de 90 (aqueles que adoravam os aeroportos naquela época porque pobre não usava avião). Estão carregando eventos culturais de simbologia e fundo político pra apoiar partidos e politicagem.

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