A geração perdida tocou o terror em SP

por - 11:06

Lupe e Jair


O Elliot Smith uruguaio que abriu os shows no Espaço Walden sábado passado (27) deu um azar danado. O cara – perdi o nome, malzae – era legal, simpático e bacana, mas o esquema voz e violão não tinha nada a ver com a noite. Ela já tinha donos.


A noite era toda da Geração Perdida de Minas Gerais: as bandas Lupe de Lupe e Quase Coadjuvante e mais uma cambada de amigos e amigas que vieram acompanhar a turnê deles por São Paulo. Os 25 mineiros quase lotavam o lugar e o deixavam com aquele jeito gostoso de casa. O sotaque delícia por todos os lados só ajudava.


E foi com esse sotaque que alguém avisou pra galera que fumava lá fora – “a Quase Coadjuvante começou”. O Walden é um ambiente apertadinho e aconchegante no centro de São Paulo. Tem um lounge no primeiro andar, um bar no térreo e os shows são no subsolo, com uma iluminação massa e as paredes inteiras cobertas por pixações.


O clima perfeito pro show dos caras, que lançaram o disco Cartas Para a Próxima Estação no fim do ano passado. Músicas bem melódicas com umas passagens instrumentais fodas levadas pelas guitarras. O público pirava e cantava junto quase todas as músicas. O show impressionou todo mundo que não conhecia a banda.


A reação ao show da Lupe de Lupe foi ainda mais impressionante. Umas cinquenta pessoas, boa parte delas sem camisa (tava 13º graus do lado de fora do porão), fizeram uma das rodas de pogo mais carinhosas que já vi. Os mineiros e os não mineiros pulavam, cantavam, se empurravam e se debatiam nas paredes.


Também calcada nas guitarras, o Lupe de Lupe tem uma pegada mais pesada que seus conterrâneos. Como em “Há Algo de Podre no Reino de Minas Gerais”, quando a roda ficou um pouco menos carinhosa. No meio do show, eles anunciaram um cover do Ludovic (loucura). Rapidão alguém da plateia foi buscar o Jair, que estava lá fora tomando um ar, para cantar junto “Janeiro Continua Sendo o Pior dos Meses”. Quando Jair desceu as escadas, percebi que talvez aquela noite ficaria marcada na memória de todo mundo que estava lá. A cena parecia ter saído de 2005 no auge do Ludovic e de um Jair Naves endiabrado. A música foi gritada por mais da metade das pessoas que estavam ali. Inclusive pela banda Lupe de Lupe, que parecia não acreditar no que estava vendo.


Sério, era lindo o quanto público e banda se divertiam. Catarse total. Os caras literalmente derrubaram o teto do lugar – na última música um pedaço da cobertura de gesso caiu no chão. Ninguém se importou. Era o final ideal para aquela noite de shows foda.


Lupe de Lupe e Quase Coadjuvante (e a entourage) parecem ser pessoas com uma ligação muito profunda. Tanto na temática de juventude, amor, inadequação e um sentimento meio amor e ódio com Minas, quanto na amizade mesmo. Eles viram os shows uns dos outros, cantaram todas as músicas uns dos outros e se emocionaram uns com os outros, além de carregarem os instrumentos e pagarem pau uns pros outros.


Em “Pavimento”, o Vitor Brauer, do Lupe de Lupe, canta: “pois quem cola comigo, cola comigo/ já nasceu fadado a não ganhar”. Quem colou com ele nesse fim de semana ganhou muito. Após ver o vídeo da apresentação percebe-se uma coisa, Jair Naves em meio à comoção geral afirma “a melhor banda do Brasil” apontando para os jovens. Embora pareça ser coisa do calor do momento, pode não estar tão longe da verdade.


A Geração Perdida é foda!



Texto escrito por João Paulo Vicente (Popfuzz Records)

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1 comentários

  1. Parabens,

    Lembro do Vitor, tocando cover de Strokes aqui em GV, e fico orgulhoso de ver o crescendo na Cena, não imaginei que ffosse longe.
    Mas não poderia ser diferente deu pra ver que ama a arte de verdade.

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