Assassinos por natureza e pela mídia

por - 14:05

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Por meio de um filme violento e satírico o diretor Oliver Stone faz uma crítica à cultura atual e à mídia, que banalizam a violência e glorificam um estilo de vida no qual as pessoas necessitam da fama para serem reconhecidas como especiais, independente do motivo pelo qual elas alcançaram tal reconhecimento.


Esse fascínio pelo reconhecimento já fica evidente no começo do filme quando os personagens principais, Mickey e Mallory Knox matam várias pessoas em um restaurante e deixam apenas uma pessoa viva para que ela conte a todos quem cometeu tal crime.


O primeiro momento do filme em que fica evidente a crítica que o diretor faz à indústria cultural é mostrado quando vemos a história de como Mickey e Mallory se conhecem. A narrativa usada neste ponto de Assassinos por Natureza é a mesma de uma Sitcom (comédia de situação), mostrando a família disfuncional de Mallory e os abusos que ela sofria pelo pai. Assim. o filme traz a maneira como a mídia deturpa a visão do certo e do errado, transformando situações trágicas em um produto a ser consumido pela família.


Em outra parte vemos depoimentos de jovens de diversos lugares do mundo exaltando Mickey e Mallory como celebridades, e junto com os depoimentos aparecem recortes de jornais e capas de revistas nos quais os dois aparecem, e ali notamos que a superexposição dos assassinos na mídia é a causa de tanta comoção por parte das pessoas, ou massa, uma vez que elas não são individualizadas, só estão ali como uma horda de fãs do casal.


Há uma cena interessante no filme em que Mickey e Mallory estão deitados em uma cama conversando e a janela ao fundo se transforma em uma grande tela de TV, uma alusão óbvia ao modo como as pessoas olham o mundo atualmente. Não mais através da janela, mas sim pelo seu televisor.


O repórter Wayne Gale e seu programa American Maniacs representam a exploração da violência e a espetacularização dos fatos por parte da mídia que só está interessada em atrair mais consumidores para os seus produtos, uma das críticas feita pelos teóricos da cultura de massa. Crítica que fica bem clara em uma cena na qual Wayne Gale desdenha o público chamando-os de zumbis e classificando o próprio programa como “junkie food” para o cérebro.


Voltamos a ver essa espetacularização por parte da mídia no terceiro ato do filme, quando Wayne Gale consegue uma entrevista exclusiva com Mickey direto do local onde ele é mantido preso. Todo um circo é armado exaltando a entrevista que irá ao ar após a final do campeonato de futebol americano, e nesse momento vemos Wayne Gale entrando em êxtase: confrontando Mickey Knox com a dialética, a arma que dispõe.


Após a fuga da prisão temos o momento mais emblemático de crítica à mídia, quando Mickey explica o motivo pelo qual ele irá matar o repórter, deixando claro que a morte dele representará uma declaração. Nas palavras de Mickey é o Frankenstein matando o Dr. Frankenstein, ou seja, Mickey e Mallory foram criados pela mídia e agora eles iriam fechar o ciclo de assassinatos matando o responsável por eles estarem ali. Logo após Wayne Gale é alvejado por tiros em frente à câmera e como se estivéssemos assistindo televisão, os canais vão sendo trocados e em todos eles algum caso bastante explorado pela mídia está sendo mostrado.


Por fim, Assassinos por Natureza é um filme que traz em sua mensagem uma grande crítica à indústria a qual ele próprio pertence, demonstrando como a mídia pode impactar a sociedade, e como ela usa esse poder em benefício próprio sem considerar o mal que pode causar. Sendo essa ganância efeito da industrialização da cultura a serviço do controle social e da manipulação da consciência das massas.

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1 comentários

  1. Realmente a mídia tem um poder de persuasão muito forte que deve ser quebrada com a entrada da nova geração emergente.

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