Impressões: Jair Naves no Centro Cultural São Paulo

por - 11:08

[caption id="attachment_21533" align="aligncenter" width="640"]Jair Naves Jair Naves por Nicole Patrício[/caption]

Crescer talvez seja o maior dilema de todas as pessoas. Notar que a juventude, a adolescência e qualquer outro período sem preocupações da vida, se esvai de repente, sem nenhum aviso prévio. E o que fazer para lutar contra isso? Contra a nostalgia do dia a dia? Contra todos os pensamentos de que o que ficou para trás, não irá voltar, por mais piegas que soe? Bom, eu ainda não sei.


No último domingo, Jair Naves se apresentou pela primeira vez no Centro Cultural São Paulo. Era um domingo, véspera de feriado aqui em SP. A sala Adoniran Barbosa estava cheia na parte debaixo e o clima, ao contrário de toda a semana, ajudara as pessoas a irem ao show, já que estava um solzinho bem do filho da puta.


Quando Jair Naves subiu ao palco, por volta das 18h20, e tocou o primeiro riff de “Pronto Para Morrer (O Poder de Uma Mentira Dita Mil Vezes)”, senti algo que não sentira há tempos: o corpo estremecer, os pelos do braço arrepiarem e uma sensação de que ali estava todo o exorcismo pessoal que tanto precisava por milhares de fatores de minha cabeça.


Seria bater numa tecla já um tanto gasta aqui dizer que as apresentações de Jair Naves são insanas e, mesmo que em um lugar mais “convencional”, elas despertam emoções no público. Eu era um deles. Ali, vendo cada demônio pessoal sendo cantado por Naves, com sua voz abafada pelos vidros que o Governo colocou na parte de cima da sala Adoniran. Era, por instantes, eu, a música, meus problemas e alguém que, misteriosamente, parecia ter passado pelas mesmas coisas que eu.


Em “Araguari I (Meus Amores Inconfessos)”, algumas pontadas iam certeiras no meio da minha cara. Era como se fosse um recado, cada trecho, cada grito vinham em minha direção e novamente, meu corpo estremecia, eu arrepiava e pensava em todos os momentos da minha vida.


Ao longo da apresentação esse sentimento era recorrente em mim e, depois de encerrar com a já apoteótica “De Branquidão Hospitalar”, senti que os meus problemas tinham ficado ali: no meio da péssima acústica após a reforma da Sala Adoniran Barbosa, junto com cada palavra que cantei, mesmo que sussurrando, coisas que naquele momento – e talvez até agora -, só façam sentido para mim.


Caminhei do Centro Cultural São Paulo até a Paulista e tive que esperar por um bom tempo para que o meu ônibus passasse, mas depois desse show, uma lição tinha ficado na minha cabeça – e eu sempre me prometo que farei isso: não dar tanto valor as coisas. Afinal, após a apresentação de Jair Naves, eu, com meus 21 anos, “me atentei tardiamente que a juventude se vai tão de repente, que eu não vou viver eternamente”.

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