#TerçaGringa: as batidas misteriosas do Younghoon Beats

por - 11:07

YHB

O nosso email sempre foi aberto a receber todo tipo de som e estamos sempre recebendo discos nacionais para postar no Hominis Canidae. Vez por outra aparecem trabalhos gringos, uns com releases mais profissionais, outros nem tanto. Eis aqui um exemplo do segundo grupo, um jovem beatmaker de Catedral City na Califórnia, que se alguém não sabe, fica nos Estados Unidos. Ele mandou um email apenas com a palavra “play me” e o link de seu trabalho e faz pelo menos uma semana que escuto os registros lançados por ele na web. Tenho procurado informações sobre o projeto e são poucas, nada muito concreto, pelo que descobri, o nome dele é Younghoon e ele tem origem coreana.


Com o avanço da tecnologia, está cada vez mais fácil produzir seu sons em casa, com um bom computador e criando batidas em tempos diversos. Os beatmakers estão por aí, aos montes espalhados pelo mundo, um bom exemplo aqui de Recife é o Dj Novato e seu disco de beats finíssimos chamado Batida de Novato. Dizem que nos Estados Unidos existem mais beatmakers do que pessoas, uma total febre de fazedores de batidas tem tomado conta da música americana. O Younghoon Beats é um projeto com cinco trabalhos lançados, todos relativamente recentes, e um dos pontos relevantes da produção estão nos samples. Sejam os bancos de dados com sons já prontos, que apenas precisam de uma mistura, a utilização de faixas populares ou de domínio público (entrando também os tais mash ups) ou a produção caseira dos sons.



O primeiro trabalho dele Unemployment Check foi lançado em junho de 2011 e apresenta cinco faixas. Pelo pouco de informações que consegui com o próprio, esse primeiro registro é composto de beats retirados de um banco de dados na internet e misturados por ele, inclusive passando o resultado em fitas k7, que parece ser uma fixação do cara. Em setembro do mesmo ano, ele lança Trip Tape, com 17 faixas recheadas de vocalizações femininas, algumas até famosas e boa parte delas bem tristes, mais uma vez usando a ajuda do banco de dados mundial de samples. Em julho de 2012 vem MAZEZ tape, com dez faixas, sendo oito instrumentais e duas com letras feitas e cantadas por ele. Quando ele coloca vocal, cai um pouco mais para o hip hop americano (naipe essa faixa acima do Soundcloud). Neste trabalho ele também começa a se arriscar e produzir seus próprios samples.


Em janeiro desse ano saiu mais um disco dele. Tha Blew Demos é um arregaço com nove faixas, no qual é possível encontrar a combinação de Nacy Sinatra e Portishead numa mesma música. Ele mesmo explica o trabalho como um registro de hip hop cru (que mais soa como trip hop): "é sobre a melancolia da cor azul e os movimentos desesperados que todos parecem amar e adotam seguidamente", diz. No mês passado ele liberou sua quinta mixtape, intitulada 5 e com cinco canções. Essa é toda instrumental e pelo que entendi, é a primeira vez que ele tenta gravar alguns instrumentos para seus samples.



Escutar Younghoon Beats te faz pensar naquele onda que tudo se recicla ou nada se cria, tudo se copia. A pergunta que fica é: tomando posse de sons pré-existentes podemos criar novos sons ou podemos considerar a junção como uma música nova ou inédita? Tenho pensando nisso escutando este som e deixo essa pergunta aqui pra vocês. Cai bem pra ouvir no ônibus lotado em meio ao caos de suas cidades, da até uma acalmada. Todos os trabalhos do camarada estão pra download free na internet e liberados por ele mesmo. Boa viagem.

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