13 discos brasileiros que você já deveria ter ouvido em 2013

por - 14:06

13 Discos de 2013


Sempre fomos relapsos para datas e algumas coisas vamos levando até que a degola chega e nos vemos no limite para fazer algo. Foi assim com o aniversário do Hominis Canidae, que de última hora postamos o projeto Zurdo, é assim com a nossa lista de 2012 e por aí vai. Se sempre levamos desse jeito, não poderia ser diferente com a clássica lista de discos importantes e legais de 2013, que deveríamos ter postado no inicio do segundo semestre, mas acabamos enrolando. Já é agosto e o ano já está indo pro fim, mas ainda achamos válido falar sobre os álbuns/EPs que fizeram nossa cabeça até agora.


Eu (Paulo Marcondes) e o Diego Albuquerque separamos 13 discos nacionais com link pra download, só para dar aquela brincadeira cabalística, e falamos um pouco sobre eles. Tem do rap ao ambient, do free jazz ao folk lo-fi. Esperamos que vocês curtam e os comentários estão abertos para vocês falarem que faltou tal disco, que a gente é um bando de bunda mole e etc.


Karol Conká – Batuk Freak: esse disco aqui não é pra mim, mas ele é foda. Não entenderam, correto? Porém é simples: a Conká arrebenta a boca do balão aqui e coloca muito indie que não curtia rap pra dançar com suas letras sobre rolês (“Gandaia”) e os beats do Nave. Esse álbum além de ser bom, é importante dentro da cena. Parabéns, Conká e tenha uma “Boa Noite”.


Passo Torto – Passo Elétrico: quando a cidade de São Paulo tem o poder de eletrificar um projeto de samba, é porque ela é uma merda. Em Passo Elétrico, o quarteto formado por Kiko Dinucci, Romulo Froes, Marcelo Cabral e Rodrigo Campos fazem as narrativas perfeitas para qualquer paulistano: do curioso ao putão, passando por buracos e todas as doenças (mentais e físicas) que a pauliceia desvairada proporciona aos seus moradores. É provável que este seja um dos discos mais urbanos lançados em 2013.


Dorgas – Dorgas: esses cariocas são da zoeira mas não são uns punks sujos que vivem injetando heroína por aí. Eles são comportadinhos quando tocam e a prova disso é o primeiro álbum deles: limpo, uma voz fina usada como instrumento e os sintetizadores todos bonitinhos.


Barulhista – Café Branco: em cinco faixas o GA Barulhista consegue mostrar porque demorou um pouco para disponibilizar outro registro. Estava trabalhando para se destacar dentro de uma cena eletrônica que vem tomando Minas Gerais (leia mais sobre isso aqui). Em Café Branco o “ambient”, como descrito pelo próprio músico em seu Bandcamp ganha mais personalidade do que outros inúmeros projetos que ficam retidos a influências clássicas como o Sigur Rós em Ágætis Byrjun. Se a banda da Islândia aposta nos vocais bonitos e agudos de Jonsi, o Barulhista dá mais elementos às suas canções, sintetizadores, efeitos quase todo o momento, mas sem cair para um lado dançante. É som pra ligar e viajar. É música como plano de fundo para reflexões.


Síntese & Distúrbio Verbal – Buracos Ao Chão: o Síntese apareceu no ano passado na nossa lista de melhores discos simplesmente porque foi um dos registros mais intensos do rap nacional em 2012. E não é que agora, depois de voltar com o Síntese “no formato eu”, o Neto apareceu ao lado do Distúrbio Verbal neste EP totalmente pesado? Cara, se você não tá afim de papo na cara, uma base lo-fi e ideias neuróticas vindo tanto do lado do Neto quanto do Distúrbio Verbal, esse disco não é pra você. Entretanto, se você curtiu bastante o Sem Cortesia, esse aqui é pra você, primo.


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Chinese Cookie Poets – Danza Cava: sem sombra de dúvidas esse é o disco mais tranquilo que o Chinese lançou até agora. Não pense que é só barulho de pássaros cantando, mas se formos comparar com tudo que foi disponibilizado pelo trio carioca até agora, esse é o disco menos fritado e isso não é nada ruim. Danza Cava é o resultado de uma apresentação de Renato Godoy, Felipe Zenícola e Marcos Campello ao lado do trompetista Nicolau Lafetá na Audio Rebel. O álbum é mais free jazz do que noise (o contrário de Worm Love que é só porrada) mas asseguro a todos que é foda. Como diria o Diego, coloque um capacete antes de escutar porque pedras podem acertar sua cabeça ao ouvir esse disco.


Graxa - Molho: Graxa, alcunha adquirida pelo músico pernambucano Angelo Souza, lançou um dos melhores registros do lo-fi em 2013. Ele também é a figura em maior destaque dessa nova cena musical pernambucana, agregando praticamente todos os representantes em seu disco. Molho foi dividido em dois lados, tal qual um vinil, antes mesmo dele existir (mas ele virá, ainda esse ano!). Em um mesmo registro temos músicas sobre perda, sobre bares e botecos, rock, folk, brega, música de igreja, baladas dançantes e muita acidez. Na época do lançamento do disco, saiu um faixa a faixa com o camarada sobre o disco aqui mesmo no Altnewspaper, divididos em lado A e lado B.


Satanique Samba Trio - Bad Trip Simulator #3: na parte três da simulação bad trip, o grupo brasiliense alopra as sonoridades nordestinas. Apenas por isso, já posso dizer que eles fecham a trilogia com chave de ouro. É muito interessante ver um grupo que subverte ritmos tradicionais e normalmente considerados intocáveis em terras tupiniquins. Entre as 11 músicas do disco, além da bela sonoridade, o nome das faixas também são de uma acidez incrível. Alguns exemplos são "Forró Mata" e "Sodoma & Gonzaga".


Cacá Machado - Eslavosamba: músico e historiador paulistano, este disco já começa bem pelo seu título, em que vemos a clara mistura (e inicialmente contraditória) de duas tradições distintas. Em um álbum repleto de participações (Elza Soares, Romulo Fróes, Kiko Dinucci, entre outros) e completamente swingado, Cacá consegue unir percussões, baterias do samba carioca e guitarras ruidosas e estranhas ao longo das 13 composições do disco. Além do instrumental, ótimas letras com temáticas que passam longe de cair no óbvio do samba e da música popular brasileira tradicional.


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Siege Of Hate - Animalism: esse disco da banda cearense é a prova de que três pessoas podem ser sim muito barulhentas. A começar pela temática, Animalism faz um paralelo entre o livro A Revolução dos Bichos de George Orwell e a atual conjuntura política do Brasil (o que talvez justifique o peso dos riffs da guitarra). Com um vocal muito bem encaixado e um grindcore que se mistura a outras influências dentro e fora do universo metal, como o crossover e o hardcore. Uma barulheira em alto estilo, de uma das melhores bandas do estilo no Brasil e bem recebida em diversos locais do mundo.


Labirinto & Thisquietarmy - Split: esse trabalho é metade brasileiro, a outra metade é feita por um canadense que nesse ano fez um tour de mais de um mês por aqui. Já falamos do Thisquietarmy em uma #TerçaGringa por aqui, por isso me deterei as três canções feitas pelo Labirinto nesse disco. Ao longo de cerca de 28 minutos, conseguimos adentrar em todo universo instrumental bem ambientado da banda, com as belas guitarras já conhecidas de quem curte o som e que tem ficado cada vez mais pesado em seus últimos registros. A labirinto é um projeto brasileiro feito para o mundo, mas que não deixa de trabalhar o experimental em terras tupiniquins, esse split deixa isso cada vez mais claro.


City Fuss - City Fuss: nova banda paulistana, que fez sua estreia em grande estilo e com um belo disco. Nesse primeiro trabalho do trio, eles abrem a caixa de influências adquiridas na megalópole misturada que é São Paulo. Temos indie pop, nuances de rock torto, shoegaze e bastante lo-fi ao longo das dez canções, tudo muito bem feito.


SLVDR - Fera Vischer EP: Salvador é uma banda carioca que em apenas quatro faixas conseguiu minha atenção ao longo dos últimos meses. Além do excelente rock instrumental, o nome do EP também é genial! Saca aquela vibe math rock do SLINT, com direito a umas baterias meio tortas que se juntam as guitarras? Em alguns momentos eles soam um pouco mais barulhento, com uma pitada de Fugazzi sem vocal, coisa linda total.

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7 comentários

  1. O do Sombra - Fantástico Mundo Popular, deveria estar na lista.

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  2. mandou bemzão no labirinto e dorgas! pra mims só faltou a glue trip da pb!

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  3. Se era pra postar um disco de grindcore deveriam ter citado o Nadir do Facada, que é sem dúvida muuuuuito superior ao disco do SOH e um dos melhores discos de música extrema já feito no Brasil!

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  4. Não entendi. São os 13 piores?

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  5. Eu realmente fiquei impressionado com o Meta Meta e o Satanique Samba Trio. É musica brasileira for export...

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  6. É realmente de impressionar que artistas como o Satanique Samba Trio, Kiki Donucci e Cacá Machado não estejam sendo reverenciados pela mídia especializada a essa altura do campeonato. Eles estão fazendo historia...

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  7. Vespas Mandarinas deveria estar nesta lista, assim como todas as listas dos melhores nacionais. O som dos caras é ducaralho !!!

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