"A abordagem neo-generalizadora"

por - 15:08

lol


Sempre fui contra todo tipo de estereótipo no qual vejo qualquer um beirando a se encaixar. Generalizações sempre são idiotas, com a exceção da própria regra, mas tudo aquilo que beira a um padrão nunca pode ser limitado como sempre vemos acontecendo. É até ridículo ver como nós mesmos somos cheios de estereotipar e categorizar comportamentos e padrões como se eles fossem passíveis a isto. Alguns até são, mas não por isto devem sofrer com a nossa própria vontade de pseudo-antropofizar (gosto de neologismos) coisas, momentos, lugares e pessoas. Se fosse bom com generalizações, até diria que essa noia de catalogar tudo é coisa de gente insegura, ou seja, de todos nós.


E o que nos faz repensar toda essa grande onda e evitar que sejamos os piores cientistas sociais do planeta? Quando o petrificus totalus vira contra o Harry Potter, claro. Sempre odiei com força universitários, ou aquilo que via como universitário. Seus estilinhos segregados de música, suas camisas de moletom da GAP e Abercrombie, seu irritante ato de usar boné e óculos escuros a noite, seus bares vomitados e o pior de todos, seus hábitos laranjões de enrolar baseados como se estivessem fazendo aviões de papel. Nada me deixava mais enojado que ver um bar cheio de universitários dançantes e chapados de sua própria ignorância. Mas de uns tempos pra cá, desisti de odiá-los com aquela força e dei a mim mesmo a chance de não generalizar as coisas. E o convívio se tornou muito mais pacífico, diga-se.


Jogos de videogame violentos demais não te tornam um assassino, mesmo sabendo que quando você atropela a puta no GTA, você pode pegar seu dinheiro de volta. Videogames são tão injustiçados quanto os pobres universitários drogadinhos que um dia tanto odiei. Por mais que uma leve porcentagem de minha generalização fosse correta, o mesmo até pode se aplicar aos videogames, mas de qualquer forma, é bom que as conclusões sejam relacionadas as experiências e não àquilo que vemos só olhando através da janelinha da arrogância. E ainda que a arrogância seja a Ferrari da personalidade humana, nada substitui as havaianas da percepção.


Bem aventurados aqueles que se aventuram, mesmo sabendo o quanto cansativo isso pode ser. E de fato é. Por isto, esse papo sempre vai parecer repetitivo, com toda essa ideia de preservar a diversidade e respeitar a individualidade e blablabla. Mas sempre volto neste assunto porque vejo como as coisas estão ficando cada vez mais chatas com o passar dos tempos. Conheço gente que ainda tenta fazer piada com generalizações sobre gente preta, gente branca ou gente que mora em determinado lugar da cidade ou do país. Essas coisas são tão desconfortáveis. No fim, só servem para mostrar o quanto despreparados vocês podem estar para viver em coletividade. Não se preocupem, vocês vão se adaptar, eu tenho certeza! Cada vez mais, até parece que na medida que o Brasil se torna uma potência mundial, o brasileiro perde cada vez mais sua característica calorosa e amável de ser, deixando os paradigmas de lado e abraçando cada vez mais seu semelhante. Mas seria leviano demais afirmar algo assim num escrito onde tento questionar a maldição que é a pregação de uma ciência social freestyle.


Talvez a questão seja um pouco relacionada ao medo de mudar um pouco os pensamentos que permeiam nossa mente desde os tempos em que tais foram formados. No meu caso, sempre achei que os jovens tinham as formas mais escrotas de expressão de seus momentos e sentimentos, mas nunca entendi de fato o porquê disso tudo. Uma vez que tentei perceber, fiquei mais de boa com isso tudo. “Put yourself into the other’s shoe” ou “ponha-se no lugar do outro”. Sem dúvida, é uma frase idiota. Se eu viver me pondo no lugar dos outros, nunca terei meu próprio lugar, porém, talvez apenas perambular pelos lugares, terei o meu lugar e saberei o quanto o lugar dos outros deve ser respeitado. E assim Marcuse, Adorno, Comte, Horkheim e todos os outros poderão viver felizes no além, sabendo que a diversidade cultural será muito mais respeitada.


Marx-cool


 

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