Cätärro - Insônia

por - 11:06

Insônia

Insônia

Cätärro

Capitão Lixo Discos / Läjä Records / Zuada Recs (2013)

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Antes de tudo, não quero soar o comédia por isto, mas juro que estava gripado quando me pediram pra resenhar este disco. No estado em que me encontrava, não vi porquê não dizer umas palavras sobre o que acho do Cätärro. Sabe aquela indisposição de quem tentou andar 20 km na chuva, furou o sapato e ainda pegou gripe? Era mais ou menos este o cenário. Não saberia explicar o porquê, mas a podridão e o peso das bandas de powerviolence, grind, death metal e tantas outras me deixa mais ligeiro. É um som quase revigorante para mim, sem contar quando a banda tá com disco novo. Aliás, na ocasião, Insônia, do Cätärro, saiu em maio, mas isso não importa. Ouvi ele inteiro e vou fingir que alguém pediu minha opinião sobre ele mesmo assim.


Cansei de ouvir bandas de powerviolence, grind ou mesmo de hardcore que são idênticas umas as outras por alguma razão ou várias razões somadas. Diferente desta gama, o Cätärro me surpreendeu novamente com um disco contemporâneo e clássico ao mesmo tempo. Porra, até tô parecendo um indie do Pitchfork, né? Insônia é um álbum que me deixa curioso para se ouvir ao vivo, porque apesar de ter a duração de uma trepada comigo (aproximadamente uns 12 minutos) é um som que sem dúvida nenhuma deve derrubar nego facilmente. Pegado, sujo e sacana em alguns pontos, Insônia foi uma belíssima surpresa para mostrar uma verdadeira manjação dos barulhos.


Muito me agrada o underground e a podreira do som pesado de bandas como Cätärro e pode até ser viagem minha, mas não percebi um crescimento ou uma reinvenção do gênero em algum tempo. Por outro lado, Insônia, apesar de não trazer à mesa essa novidade ou a expansão de novos horizontes para aquilo que seu som abrange, é inegável que a vontade de tocar que a moçada tem é monstruosa, fato este que já vale o play. O disco é tocado quase que de uma vez, o que denota ainda mais essa fome de sair fazendo barulho na cabeça alheia, ou talvez até simulando uma insônia real. Os samples em algumas músicas são muito legais pois além de deixar as músicas segundos mais longas, adicionam um pouco mais daquilo que nem sempre faz sentido se visto dentro de um contexto. Recortes vindos de filmes, notícias, anúncios, nada se encaixa se não para confundir e deixar você sem resposta, tal qual um insone assistindo TV às 3 da manhã.


E no fim das contas, ouvi o disco mais do que escutaria se apenas tivesse achado bacana. Se barulho é sua praia, Insônia vale a pena o download e, mais do que isso, vale uma checada ao vivo caso os caras toquem pela sua vizinhança. O instrumental mostra o quanto uma banda suja e rápida pode ser a melhor saída caso você queira ficar acordado, os vocais são ótimos e as letras me surpreendem por serem simples, mas ainda altamente bacanas por expressarem algo que vai além do discurso convencional do sangue e do sofrimento que os gêneros semelhantes costumam simbolizar em suas letras. Mas acho que é muito melhor você ouvir o disco. Principalmente porque “parasitas intelectuais” querendo falar de um disco foda sem falar que ele é foda não acrescentam em nada nas nossas vidas, não é?


 

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