Com amor, sem Caio F. Abreu

por - 11:06

caio


Pelo pouco que eu conheço a vida, eu não posso me queixar. Assim disse alguém que tem muito a dizer sobre muita coisa. Por acaso este alguém definitivamente não sou eu, afinal, eu reclamo de tudo apesar de conhecer a vida ainda menos que o autor da frase. Sem contar que eu não tenho muita coisa a dizer sobre tudo, na verdade, eu não tenho mais que algumas palavras sobre os assuntos mais discutidos nas portas de bar, nas escolas, nas praças e nas ruas de grande movimento das cidades desse mundão.


Vez ou outra me questiono sobre o amor. E mais que uma vez, me pego respondendo a mesma coisa. “Existem vários tipos de amor, que vão do amor entre pais e filhos ao amor de um homem por seu cigarro”. Típico de quem tenta desmembrar pensamentos como quem abre um Big Mac e tenta entender aonde eles encaixam os anti-depressivos. Você sabe que colocam anti-depressivos nos lanches, né? Por isso você se sente tão bem depois que come um. Não é a satisfação em matar a fome, é a satisfação do prozac na corrente sanguínea. Tudo isso bem debaixo da cusparada que o atendente com mais óleo na cara que a fritadeira de batatas deu no seu lanche só porque você pediu o dobro de alface porque estava de dieta.


Partindo deste ponto sobre o amor, baseei minha vida de forma a acreditar que pessoas me amavam de formas diferentes, portanto, seria injusto exigir um tipo de amor enquanto amasse pessoas de várias formas também. E olha, até tem funcionado muito bem para mim. Aliás, tem funcionado extremamente bem. Amor é algo inclassificável, é esquisito pensar que classificar tudo dentro de um grande pacote seja algo que funcione para categorizar o impossível de categorizar. Além disso, fica até confuso explicar um modo de lidar com o amor. São tantos modos! Não acho que exista um modo certo ou errado também, só acho esquisito como uns e outros reagem com isto.


Você deve ter aquelx amiguinhx hippie que acha que consegue amar a tudo e a todos enquanto está doidão de maconha, mas que ao passar a brisa reclama das atitudes de determinada outra pessoa. Isto é falta de amor. Como você pode amar apenas as qualidades de uma pessoa quando bem sabemos que os seres humanos são compostos principalmente de imperfeições? É preciso amar também os defeitos de alguém para que assim o amor de fato seja amor e não algo lógico e racional. Amor é irracional. Amor é inexplicável, intenso. Se você realmente acha que ama e tem que mostrar pra todo mundo como é bom amar tal pessoa ou tal coisa, questione se o que você sente é amor mesmo ou a mais pura vontade de se livrar daquilo o quanto antes. Amor não devia ser uma propaganda de pasta de dente, onde todo mundo mostra como é bom ter dentes brancos e poder beijar gente na boca o tempo inteiro.


Quando vou ao bar, vejo mulheres buscando amor. Ou sexo. Sexo é uma forma de amor. E uma forma bacana, diga-se de passagem, já que não é necessário muito senão excitação e um banheiro cheio de arroz doce vomitado. Digo isto porque assim aconteceu da última vez que amei alguém assim. E, ao menos para mim, o amor não se diminuiu. O que pode ter diminuído pode ter sido o amor do namorado dela por ela mesma. Talvez até o amor dela por ele. Sem dúvidas, o amor do cara que limpou o banheiro pela vida foi abaladíssimo. Mas de qualquer forma, buscamos o amor por nossa natureza. Fazemos o que fazemos por nossa humanidade pulsante em nós mesmos e isto não pode ser julgado como errado de forma nenhuma. Muito pelo contrário, agimos para nos defendermos de nossos instintos e desejos mais viscerais. Ninguém tem culpa de buscar o amor que gostaria de receber à sua maneira, pois esta é a vida que temos e que levamos. Por isto o amor é algo belo, incompreensível e chato pra caralho. Caio Fernando Abreu, vai tomar no cu!


foda-se

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