Manual para andar de busão (parte II)

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Vocês sabem bem que perdemos um bom tempo de nossas vidas dentro de ônibus e que sempre falamos sobre eles neste site. Acho que a maioria dos colaboradores aqui não têm carteira de motorista e quem não anda a pé, usa transporte público.


Mas como vocês podem perceber, apesar de usarmos ônibus e metrô, sempre reclamamos de algum tipo que entra no coletivo e fode tudo, tanto que fizemos até um manual para andar de ônibus, tentando conscientizar a galera. Mas depois de mais de um ano, parece que vários itens não foram citados. Por isso, eis aqui a segunda parte das nossas preciosas dicas para você dar um rolê de buso sem pagar de comédia.


Bilhete único e dinheiro na mão: isso aqui é valioso e foi até dica de um leitor do outro manual. Quantas vezes não tem uma pessoa que chega na catraca, sobe empurrando todo mundo, encosta na catraca e fica procurando o cartão ou a grana por um tempo? Poxa, ou sobe com essa porra na mão, ou libera a catraca.


Vai descer, vai descer: caras, como isso me dá raiva. É claro, tem muito motorista filho da puta que faz de sacanagem, mas tem passageiro que é foda. Tô cansado de ver gente vendo o ônibus cheio e querendo levantar do assento apenas do lado do ponto. Esses dias, 18h10, o ódio no olhar do pessoal e duas mulheres quando o ônibus abriu a porta pro pessoal descer, resolveram levantar do seu assento e ficaram gritando (no meu ouvido): vai descer! Vai descer!. Ok, entendo, mas caralho, levanta um ou dois pontos antes e pronto. Sem grilo.


Fugir das baratas: é, mano, aqui na Vila tá foda. É bem normal eu pegar um ônibus e sacar que tem umas baratinhas dentro dele. Esses dias mesmo adentrei o coletivo com ar condicionado e tcharã, logo uma La Cucaracha. A dica aqui é fácil: ou mate a barata ou nunca sente próximo a porta: ali parece ter um ninho.


Não coma algo fedido no busão: sabe, eu entendo completamente como dá uma baita fome às 18h, 19h, afinal, seu VR só dá pra mandar aquele “coma a vontade” por R$ 10 que é puro salitre. Inchaço na hora, fome jaja. Mas por favor, mantenha sua comida longe dos outros, principalmente se ela for um salgadinho estranho que tem um cheiro insuportável. Estão achando frescura? Ilustrarei. Imagina alguém mandando aquele Doritos. A mão vai ficando cheia daquela parada vermelha. Ela da uma lambida nos dedos, fica grudando. Pega na barra. Lambuza a porra toda e na sequência vem você e mete a mão naquela maçaroca de salgadinho e saliva. É grave.


Levante, sempre, para o idoso: em São Paulo temos bancos amarelos e bem sinalizados: “lugar reservado para idosos, gestantes, deficientes físicos e pessoas com crianças de colo. Caso não tenha ninguém nessas condições, o uso é livre”. Isso significa que se tiver alguém assim, você levanta sua bunda de estudante e oferece o local com toda gentileza do mundo para a pessoa. O que eu vejo de uma galera dando um puta migué. Esses dias mesmo: entrou a caravana da terceira idade no buso e eu, que estava num desses lugares, pulei como um gato para o corredor. Passou uns cinco minutos, olho para lá e várias senhoras em pé enquanto uns pimpões estavam ali, na moral, sentados e alimentando aquele coco virtual chamado Pou. É para virar o Craque Neto num momento desse: “Ceis tão de brincadeira né?”.


Feche as pernas quando sentar: quem nunca ficou totalmente espremido num lugar porque quem está sentado do seu lado tá se achando o verdadeiro sertanejo sentado embaixo de uma árvore, com as pernas totalmente arreganhadas e ou você está quase saindo pela janela, ou tá quase pulando em cima da pessoa que está no corredor. Amigos, espaço vital é algo que um professor de geografia do meu ensino médio valorizava bastante, e acho que eu também.


Fale baixo ao telefone: ninguém está com vontade de ouvir como está seu parente, se você comeu a mina ontem, se o cara tinha pau pequeno e por aí vai. Eu sou totalmente noiado com privacidade – por isso neste exato momento estou escrevendo isso usando todas as ferramentas de criptografia e segurança possíveis da internet... mentira -, e creio que a vida de cada um é de cada um. Já diria o Falcão do Rappa, “Cada qual com seu James Brown”.


Por fim, gostaria de fazer um apelo pessoal. Eu saí do ensino médio tem um tempo, quatro anos, e desde então não tenho sido tão atualizado dos funks do momento, até porque os DJs de busão simplesmente sumiram. Cadê vocês? Voltem para os ônibus, pois bate aquela puta saudade de ter alguém com um V3 na mão ouvindo “relaxa na pica” ou algum dos inúmeros aquecimentos que surgiram em 2008.

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