#TerçaGringa: os vários projetos da cabeça doida do Rob Mazurek

por - 11:08

Rob Mazurek

Rob Mazurek vocês já sabem quem é, trata-se daquele trompetista incrível de Chicago que aqui no Brasil sempre aparece tocando com os integrantes do Hurtmold. Ano passado fizemos uma entrevista com ele, falando sobre os diversos projetos e bandas que ele teve ao longo de sua carreira e os vários que ainda existem. Inclusive, na época em que a entrevista saiu, ele estava passando pelo país para lançar um novo disco e projeto, o Pulsar Quartet.


Passei o último mês escutando o novo disco do São Paulo Underground, projeto que ele toca junto com Mauricio Takara e Guilherme Granado (ambos do Hurtmold), e que já contou com a participação do Richard Ribeiro (Porto). O novo disco Beija Flors Velho e Sujo é bem bacana, tanto que resenhamos ele por aqui. O lance é que escutar esse álbum me fez querer ouvir os sons do Mazza novamente. Aproveitei a faxina que estava rolando aqui, arrumei os meus CDs e aproveitei para ripar os dele que eu tenho em casa. Sendo assim, essa terça gringa é uma homenagem ao trompetista mais brasileiro que conhecemos!


O primeiro projeto é o São Paulo Underground, que até o presente ano tem quatro discos lançados (baixe todos AQUI), dois deles pelo selo brasileiro Submarine Records, e os dois mais recentes também pelo selo americano Cuneiforme Records. Os dois registros discos do SPU tem uma característica bastante urbana de utilizar o barulho, por meio de camadas sonoras, como base para desenvolvimento de suas canções. Nos dois trabalhos mais recentes, todo experimentalismo continua, mas um tanto menos solto. O projeto está cada vez mais se achando numa sonoridade global entre o jazz e o experimentalismo de elementos eletrônicos.



O Exploding Star Orchestra partiu de uma ideia do Mazurek junto ao Centro Cultural de Chicago, de reunir um grupo com o objetivo de explorar os limites mais extremos do jazz. O primeiro disco do projeto, We Are All from Somewhere Else de 2007, apresenta canções compostas em diversos locais do mundo (um dos temas foi feito em Manaus), divididas em três sessões diferentes. "String Ray and the Beginning of Time", com diversas bases loucas e uns trompetes que acompanham a loucura, separada em quatro partes. A incrível canção "Black Sun", que conta com um piano foda do Jim Baker's. A última sessão se chama "Cosmic Tomes for Sleep Walking Lovers", um tanto mais calma que a primeira, mas com bastante experimentação.



No Sound Is, lançado pela alcunha de Rob Mazurek Quintet em 2009, o Rob estava morando no Brasil, e mesmo assim fez contato com seus parceiros de Chicago para trabalharem em conjunto nesse registro. Um exemplo é a presença de John Herndon (Tortoise) na bateria, além do baixista Matthew Lux (Isotope 217 e Iron and Wine) que deixou o disco um tanto mais tranquilo e pop, naquela linha de post rock tranquila. Destaques para "The Hill", "Beauty Wolf" e "Aphrodite Rising". Trata-se de um registro de jazz contemporâneo mais próximo do jazz tradicional, com pitadas de experimentalismos já conhecidas dos nomes citados nesse trabalho.



No mesmo ano de 2009, Rob Mazurek disponibilizou seu primeiro disco solo morando em terras tupiniquins. Inclusive, com um nome genial. Calma Gente foi lançado pela Submarine Records e tem nove canções, com muita influência da música brasileira dos tempos da tropicália e outros ritmos tradicionais, inclusive com bastante percussões. A primeira faixa e incrível pela quantidade de sons distintos na mesma, "Mula Sem Cabeça" apresenta percussão que lembra diretamente Naná Vasconcelos. Na música três do disco, "The Passion", junto a calmaria de seus 14 minutos, apresenta instrumentos de sopro que nos levam as tribos indígenas escondidas em meio à Amazônia. No fim das contas, Calma Gente passa como uma experiência sonora que mistura influências de regiões distintas do mundo, e estas influências refletem diretamente na sonoridade passada pelo Mazza neste trabalho. Tem uma resenha bacana desse disco no Camarilha dos quatro, aconselho.


Pra finalizar, um projeto lançado pelo Mazurek nesta década. No Pulsar Quartet, Rob é acompanhado de Angelica Sanchez no piano, John Herdon (Tortoise) na bateria e Matthew Lux (Exploding Star Orchestra) no baixo. O disco Stellar Pulsations, lançado em 2012, apresenta sete faixas e influências mais contemporâneas e externas ao jazz ( um exemplo, o folk).

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