"Nada é tão ruim que não possa piorar"

por - 15:23

bb


Assim que tiver um tempo livre na minha maldita agenda de postergador de atividades importantes, vou parar pra assistir Breaking Bad. A premissa de um ex-professor diagnosticado com câncer terminal, totalmente zerado na conta bancária e com uma família pra sustentar simplesmente prende a atenção. Seria um puta de um filme se não fosse uma série americana, que aliás, de modo geral, quase nunca me encantam em sua maioria. Não sei se é falta de sorte ou pouca experiência com umas boas de verdade, exceto por “Wonder Years” (que eu não cheguei a assistir o último episódio), Buffy, Xena e The Fresh Prince of Bel Air que eu assisti até os olhos sangrarem.



O Brasil ainda não pegou o jeito com essa coisa de séries, né? Mas é fácil entender o motivo sem entrar no âmbito das produções milionárias ou pela singela falta de um bom enredo a ser abordado até a fórmula cansar. E você pode até contra-atacar com “Sai de Baixo”, mas se tratando do enredo que te prende ou dos pequenos detalhes que te fazem querer assistir àquilo. As novelas fazem isto muito bem por aqui, só não sei o quanto ambos se equivalem em termos mais práticos. Pensando bem, histórias muito elaboradas não costumam ganhar muito público por aqui. E por favor, não venha com aquele papo de que brasileiro é burro ou acomodado, acho que este caso é apenas uma questão de ter mais apelo o drama e a encenação que o enredo que culmina o mesmo.



Vejo muito isso e até fico feliz. Nós temos isso muito visível em nossa cultura, não? Somos dramáticos por natureza. Em momentos, gostamos de mostrar o quanto fodidos estamos ou o quanto mais felizes que o amiguinho estamos. Talvez a história não seja tão importante quando não se tem aquele que consiga demonstrar viver aquilo que se conta. Ninguém parece simpatizar com o carinha que vive só se lamentando da vida ou rindo o tempo todo. Quanto mais emoção uma pessoa transborda nos momentos certos, mais ela é valorizada em termos sócio-culturais mesmo. Sorrir quando se deve sorrir, chorar quando se deve chorar, gritar um foda-se no meio tempo entre um e outro. O drama parece nos acompanhar em nossa história enquanto brasileiros.



Já assistiu The Big Lebowski? É um daqueles filmes que te faz pensar sobre tudo. As reações dos personagens frente às situações até me remetem a esta discussão. Cada um tem seu jeito de levar a vida que leva e às situações que vão dando sequencia ao filme. Mas “the dude” (personagem principal) é o único que leva sua vida da maneira que acha que deve levar, e por isto vive muito bem apesar de ser um fodido. Ele vive sua vida de um jeito próprio, expressando-se nos momentos em que acha que deve, apesar de no fim das contas não dar a mínima para qualquer coisa. Na verdade o filme todo não dá a mínima, mas esta é a moral do filme. Viva como você quer viver e beleza. Padrões comportamentais existem inevitavelmente, portanto absorva o drama das situações e lide com elas.



Independente de qualquer coisa, Breaking Bad deve ser foda. Elucubrações a parte, como Walter White reagiria diante de seus dilemas se morasse no morro da Chatuba e se chamasse Valtinho Branco? Difícil dizer. Talvez você consiga pensar sob seu viés, que seria essencialmente diferente dos demais, apesar de ainda seguir um padrão em algum nível quântico. Brasileiros vivem dramas todos os dias e apesar de encararmos alguns como comédias pseudonerds joviais leite com pera, outros são levados como séries ficcionais de baixo orçamento. Nada é tão ruim que não possa piorar. E se piorar, aqui estaremos.


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