Entrevista: ZUM

por - 11:07

Zum 01 - Foto divulgação Thiago Gouveia

ZUM é um rapper da cidade de Paulista, região metropolitana do Recife. Segue o hip hop de perto desde a adolescência, incluindo todos os elementos da cultura como o break e o graffiti e misturando a diversas outras influências como Chico Science e Alceu Valença. O codinome ZUM significa “Zelar Único Modo” e se refere ao modo como o ele zela pela seu trabalho e produção, sempre fazendo do melhor jeito possível e sendo único no modo como vive e o que relata.


O camarada já lançou dois EPs, Dias Vazios e Resgatando de Conflitos, ambos no ano de 2012 , e agora se prepara para tocar pela primeira vez na cidade de São Paulo. Ele vai se apresentar em Outubro, na quinta-feira (dia 17/10) no Espaço Ação Educativa (Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque – Próximo ao metrô Sta. Cecília e República). A apresentação faz parte do evento de hip-hop Rinha dos MCs, o qual o fundador é o reconhecido rapper Criolo e seu parceiro de palco Dj Dandan (Cassiano Sena). A entrada é franca e o evento rola das 19h às 22h. Aproveitando o show, batemos um papo com o rapper sobre suas influências, inspirações, momento atual do rap no Brasil, entre outros fitas.


 Como é pra você fazer rap no nordeste hoje em dia?

O desafio não inclui só fazer o rap propriamente dito, o desafio inclui todos os esforços feitos antes pra realizar o trabalho. A grande sacada de fazer música é saber analisar o ambiente exterior, mas não se deixar levar por ele. A única influência deve ser de você mesmo. Claro que tenho minhas influências no nordeste, mas não posso me prender só a isso, todos nós somos cidadãos do mundo. Quanto ao mercado do nordeste, olhando da perspectiva do rap, ainda está em construção. Não só aqui, mas como no Brasil inteiro é difícil seguir fazendo rap, em São Paulo, por exemplo, as barreiras ainda sejam maiores, devido a grande quantidade de pessoas com o mesmo objetivo.


Pra quem não conhece você, fale quais são suas influências, locais, nacionais, mundiais...


Nunca fui de me apegar muito a influências, sempre me deixei levar por mim mesmo. Mas o que eu costumo ouvir é Bezerra da Silva, Alceu Valença... A influência musical vai além da música ouvida, é de repente vivenciar o estado de espírito que a música pode proporcionar. Como músico tenho dentro de mim a ideia de que não se deve ter preconceitos. Apesar de compor e cantar rap, escuto todo tipo de música, inclusive admiro muito a cantora Ivete Sangalo, acho uma cantora sensacional, realmente um fenômeno. A nível mundial curto Steve Wonder, James Brown e Michael Jackson.



Você lançou em 2012 um EP chamado Dias Vazios. Há previsão de outro lançamento neste ano?


Para disco ainda não temos previsão, mas temos projeto de lançar algumas músicas aleatórias minhas que farão parte do CD, parcerias com outros artistas também. Tenho planos de lançar o disco da forma mais limpa e perfeita e ainda não me sinto pronto para tal projeto. O disco está em produção, mas não temos pressa, ando em busca de mandar da melhor forma possível, sem medir esforços. Estamos gravando e regravando muitas coisas e na hora certa será lançado.


Vejo diferença nas bases de seus dois EPs, o primeiro tem vários pianos. Fala um pouco do processo de criação dos beats, quem fez, como é o processo?


O primeiro EP foi produzido muito solto, lançávamos músicas esporadicamente, outras não eram lançadas. Os beats do EP de lançamento foram produzidos pelo Mota Beats, com quem eu tinha muita convivência, o que ajudou muito no processo, nos tornávamos próximos e a música fluía com total naturalidade. Já o segundo EP contou com apenas uma produção do Mota (Compromisso), todas as outras faixas foram produzidas pelo MadKutz, de Portugal.


O que te inspira?


O que realmente me inspira é o momento! A música é vivência, é o sentimento, sua verdade. Fazer música é ser sincero não só com seu público, mas com você mesmo. Minhas criações são o reflexo da minha vida e do meu interior, transpareço na minha música o que tem dentro de mim. Tento passar da melhor forma as melhores mensagens pra quem me escuta.



A faixa "Miragem" é um pouco diferente das outras do EP. Ela é mais "pesada", um pouco mais triste. Nela, você começa falando de drogas. O vício, como tema da música, que fez com que ela tivesse essa pegada um pouco diferente das outras?


A faixa "Miragem" foi meu primeiro single, foi o que me firmou pessoalmente no rap, apesar de não me rotular e me achar apenas um mensageiro. Miragem foi mais um desabafo, uma vivência minha! É uma música mais pesada por falar de uma temática pesada e que exige batidas mais firmes pra ser compreendida, por relatar os sentimentos de famílias tristes e de usuários que tem alegria momentânea e depois se encontram no fundo do poço.


O que você acha sobre o momento atual do rap no Brasil?


O que está ocorrendo com o rap no Brasil demorou pra acontecer, porém anda seguindo da melhor forma possível e com pessoas que estão dando conta do recado com a maior responsabilidade. O rap precisa ser fortalecido e renovado, o que vem acontecendo aqui com as caras novas que estão surgindo. O rap nunca viveu um momento tão bom quanto esse, claro que existem críticas, mas o que não é criticado? Claro que a luta é constante, mas um grande espaço já foi conquistado não só por um, mas por cada um de nós que faz a música.


Você vê como um avanço vários rappers indo a programas de TV, divulgando o som e etc?


Claro! Todo tipo de reconhecimento e trabalho é válido, em todo tipo de programa e em qualquer emissora. O nosso objetivo não é segmentar o público, é mandar a mensagem a quem queira nos ouvir. Nosso objetivo é quebrar barreiras e conquistar espaço.


Como vai ser esse show na rinha em São Paulo? Você também faz freestyle?


Recebi o convite e logo me animei bastante, pelo fato inicial do evento ter sido fundado por dois artistas que muito admiro: Criolo e DJ Dandan. Será um privilégio estar ao lado de companheiros talentosíssimos, como os que estarão lá. Agradeço muito pelo convite e tenho certeza que será uma experiência ímpar! Em relação ao freestyle, eu faço, mas não faço batalhas. O freestyle é mais uma maneira de me libertar da “rotina” e de me divertir.


_Zum_Rinha_

Você também pode gostar

0 comentários