Faixa a faixa: Henrique Zarate e o projeto HEZ

por - 14:11

HEZ

Henrique Zarate não é um nome desconhecido no independente nacional, ele já passou por algumas bandas que causaram um frisson no rock brasileiro, tais quais College e Gigante Animal. Em 2011 ele deu inicio ao projeto HEZ, que nesse ano lançou seu primeiro EP (baixe aqui). Inicialmente, fizeram parte do projeto ele, Lucas Wirz (que também tocava no Gigante Animal) e Rafael Crespo (aquele mesmo do Planet Hemp), depois de um tempo, eles seguiram outros caminhos e o HEZ virou uma dupla, em que Henrique e Pomba compartilhavam as mesmas influências e sentimentos musicais.


Resolvemos expor alguns desses sentimentos passados por ele nas canções em uma entrevista destrinchando por inteiro o primeiro EP do projeto.



1. "Foi Mal (Largada)"


Trata-se de um pedido de desculpas inicialmente. Depois, parece muito um desabafo (e até mesmo um ato de livrar-se de algo), então melhor que perguntar se você se sente culpado com frequência, mesmo quando a culpa não é sua...


Então esse som já ficou meio veio, nunca tinha pensado nisso, mas pode ser um pedido de desculpa sim... Gostei!! Acho que não tenho muita dificuldade em pedir desculpa não, o problema é ficar repetindo os erros. Acho que eu não consigo me livrar deles, faz parte também, né? Minhas letras é quase um diário das coisas que estou passando e na maioria das vezes a culpa é sempre minha!


Obs: pensando bem acho que tenho um pouco de dificuldade em pedir desculpa talvez pelo fato de estar sempre errando!



2. "Vidas Passadas"


Você é um cara religioso, acredita mesmo nessa onda de vidas passadas? No sentido de precisar de um apoio para trilhar um caminho na vida. Ou as vidas passadas, seriam apenas momentos vividos no passado? E esse efeito de voz massa que tem na música, foi pensando desde o inicio ou veio depois?


Então, não acredito na religião como instituição, mas acredito sim em uma forma de evolução espiritual individual, sem regras. Acho que todos nós precisamos de apoio para trilhar o caminho, no meu caso é a musica que acaba sendo minha religião.


Nessa musica "vidas passadas" na real o que eu quis dizer é meio sobre tudo que passamos na vida e que vamos passar para poder evoluir de alguma forma o nosso caminho. Sendo o passado recente ou até mesmo traumas que carregamos desde nossos antepassados. Acho que é isso o que eu quis dizer com a música. Descrevo fatos desde a minha adolescência até os dias de hoje.


O lance dos vocais eu sempre quis ter essa liberdade de experimentar, mas nunca tive oportunidade nas bandas que eu toquei. Como hoje eu mesmo estou gravando consigo experimentar mais esse tipo de coisa.



3. "Já passei"


Engraçado, eu acho essa muito mais falando do passado, do que já passou. Inclusive, você finaliza algo, algo duro. Você realmente consegue ver etapas claras em sua vida?! E esse backing vocal ficou bem bacana, violão também...


Pô valeu pelo elogio. Mas então, essa música fala de mudanças, vida nova, filhos e justamente a correria do dia-a-dia. Deixar pra trás as coisas que te fazem mal para se dedicar as novas oportunidades que a vida lhe oferece. É quase como diria um camarada meu: Quando os problemas aumentam é que você passou de nível, mas nem sempre você consegue passar, daí você acorda, encara, levanta e começa de novo.


E no final a loucura sempre atrapalhando e contribuindo ao mesmo tempo em nossas vidas. (risos)



4. "Com Razão"


Essa você tocava com a Gigante? Lembro dessa música em outro formato. Essa do HEZ é mais acelerado. A música é sobre relacionamentos e confiança, na vida como em uma banda isso é bem importante. Dá pra usar como metáfora você refazer essa música, de uma maneira diferente da conhecida. Como se deu as escolhas desse EP?


Pois é, essa música seria para o disco novo do gigante mas com o fim da banda acabei aproveitando e gravando ela no formato do HEZ, onde fiquei bem satisfeito com o resultado também. Engraçado nunca tinha reparado que era mais acelerado. Na verdade, pra mim, ela ficou mais simples.


A escolha das musicas pra esse EP foram na verdade todas as musicas que eu já tinha na manga. Musicas que eu já tocava em casa. E tem musicas bem antigas, mas que não tive a oportunidade de desenvolver com o gigante. Na verdade, estou no inicio desse lance de produção. Faz uns 2 ou 3 anos que resolvi estudar áudio justamente para produzir minhas próprias musicas. Estou aprendendo e curtindo bastante com essa nova empreitada.




5. "Na Rotina"

O que dar a entender é que você pede desculpas rotineiramente camarada, é isso mesmo? Essa tem o instrumental mais simples de todas do EP, mas tem um jogo com os vocais diferentes das demais, fala um pouco sobre isso...


pode ser, é muita desculpa para uma pessoa só! (risos)


Acho que de repente condiz com a fase em que eu estava passando quando escrevi essas músicas. Na verdade, eu não tenho costume de analisar as letras de minhas músicas, eu mais escrevo como uma forma de desabafo mesmo. Acho que esse EP em geral tem essa pegada mais simples mesmo.


Essa música eu já tinha feito fazia um tempo também. Logo em seguida quando acabou o gigante eu cheguei a gravar todas minhas músicas com o Rafael Crespo só voz e violão, mais como um registro das músicas antes de começar com o projeto Hez. Tocar a mesma música com pessoas diferentes é bem bacana. A minha ideia inicial com o Hez era justamente fazer isso, convidar amigos para tocar minhas músicas.


Esse EP a gente praticamente gravou em 2 dias. No primeiro dia, batera e violão e no segundo, as vozes. Acho que é bem parecido o lance das vozes entre as músicas. Essa de repente rolou uns berros a mais, talvez isso tenha dado essa impressão de estar diferentes das demais.



6. "Minha Fé"


Essa tem o instrumental mais de boa, acho eu. Inclusive, os vocais também. O tempo sempre cura né? Ou pelo menos ameniza. Você acredita em equilíbrio? Nesse esquema de faça o bem pra receber o bem...


Com certeza, nada melhor que o tempo para amadurecer as ideias! Esse som na verdade é mais uma homenagem a minha fé e mulher Fernanda, por me aguentar e me educar por tantos anos e ser a mãe de quatro dos meus cinco filhos. Apesar de atualmente, além de tudo, ser uma mãezona para o meu mais velho que esta morando com a gente.


Acredito profundamente em reflexo e ação: você colhe o que planta, literalmente pode ate parecer chavão, mas é a pura realidade. Engraçado como não só o tempo, mas filhos também nos fazem amadurecer, estou no processo, tenho muito som ainda pra fazer, muita história pra contar.



7. "Desapego"


Essa é bem papo reto para fechar o disco mesmo, a hora do desapego é um bom momento pra pensar na vida pra você? A máscara sempre cai mesmo?


Exatamente!


Resumindo um pouco o que eu quis dizer com essa música é mais um desabafo em relação a esse palco montado que é a nossa vida, nesse sistema que ensina a gente a valorizar as coisas erradas no meu ponto de vista. Como as pessoas estão mais preocupadas em sair na capa, não pegar fila, ser o descoladinho da balada, do que passar realmente uma mensagem, ou melhor: muito discurso pra pouca bosta, muita bosta pra pouca verdade.


Não quero aqui ficar pagando de "Dono da verdade" até porque estou bem longe disso, mas acho que precisamos nos conscientizar e dar valor as coisas que realmente vale a pena em nossas vidas. E o desapego não é só em relação as coisas materiais e sim aos sentimentos ruins que constantemente estão nos atrapalhando como ciúmes, inveja, arrogância, mentira, falsidade, etc. Que só nos fazem andar pra trás. Eu me incluo nesse processo de desapego.


É impressionante como ter filhos muda muito a percepção e os valores que você tem em relação ao mundo. A prioridade não é mais a sua vida e sim de seus filhos, você começa a entender o verdadeiro sentido da vida e o sentimento mais verdadeiro que existe, o amor verdadeiro, SEM POSE. Onde o principal de tudo isso é praticar o bem e a verdade sempre!


Acho que essa é a última musica né? Queria te agradecer mais uma vez pelo espaço no Hominis Canidae, por divulgar nosso trabalho e alimentar esse universo musical independente que nem sempre e solidário e verdadeiro com as bandas. Parabéns pelo trampo e logo mais som novo na área!

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