Independência ou sorte?

por - 15:16

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Odeio falar da minha vida para as pessoas. Ninguém quer realmente saber dela, aliás nem eu tenho este interesse nela, o que explica mais da metade de meus problemas pessoais, só que a grande verdade fica evidente quando se tem uma semana difícil como a última que vivi. Não vou me estender nisso, afinal de contas, isto não é o diário de Doug Funnie, é só a vida real. Trabalho pra caramba, um salário baixo, um chefe fazendo reunião de departamento e reclamando que todo mundo entra as nove da manhã e sai as seis da tarde. Claro que possivelmente isso vai soar pouco para quem tem problemas maiores que um chefe filho da puta, coisa que mais da metade do universo têm, porém, outros fatores se adicionaram ao sorvetão de merda que a vida tem pagado para meu deleite.


Os sábados ultimamente tem sido os melhores. Sempre odiei sábados com todas as minhas forças por ser um dia ridiculamente longo e, por isto, sem nenhum planejamento e organização pra se otimizar o tempo. Por outro lado, é bizarro planilhar seu tempo para o sábado, que por acaso foi feito para se fazer porra nenhuma freneticamente. Hoje em dia sou faixa preta em fazer cosplay de cadáver aos sábados. Digo isso sem pesar nenhum. Mesmo nessa semaninha chata, o sábado me fez bem, ainda que o feriado tenha me incomodado levemente. Nada contra o sete de setembro, até porque se tem feriado, estou levantando bandeira do Brasil e reclamando da corrupção, mas acho que tudo poderia ser um pouco diferente.


Façamos algo bem coxa e vamos comparar o quatro de julho americano ao sete de setembro brasileiro. Os americanos comemoram muito mais sua independência e são muito mais patriotas do que nós brasileiros, que por outro lado, não são tão patriotas assim e passaram por um processo muito mais complicado de independência, mas que foi conquistado pelo militarismo. Se você vai para o campo de batalha com um monte de fazendeiros e ganha a batalha, é bom fazer um feriado e comemorar mesmo. Aqui não eram fazendeiros que estavam no front, mas deixando o coxismo e a comparação de lado, algo não soa direito na comemoração da independência. Talvez porque eu não me sinta independente. Ou talvez porque eu de fato não seja. Ninguém é.


Ser livre é gozar da liberdade e a liberdade é algo que não consigo definir com certeza. Somos livres em alguns âmbitos, mas não totalmente e aí é onde cabe a discussão que proponho. Só acho que neste caso a subjetividade acaba tendo um espaço muito grande, já que falamos de liberdade. É como tentar definir a sensação de por a mão no fogo sem falar que ele queima. Porra, é engraçado como quando se tenta falar de liberdade tudo parece uma letra cafona do Humberto Gessinger.


Acredito que não muitas coisas explicam de fato o porque de achar não ser tão livre. Apontar o óbvio é correto, mas não o suficiente, já que acaba entrando numa curva de conformismo em alguma hora. E quando não sei definir algo, jogo na conta de Deus, coisa que não cabe também no argumento, visto que ele é brasileiro (não é?). O sabor da liberdade e da independência do Brasil é gerado pelo acaso, pela sorte. Acho que o Brasil que conhecemos e tanto estranhamos ou achamos estranho poderia ter acontecido em qualquer outro lugar. Mas como fomos sorteados, temos mais é que fazer algo. Como no xadrez, pense em seu movimento. E não se intimide com o asiático que está jogando contra você.


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