"O Rock in Rio acordou..."

por - 15:15

jared leto coxa


Desde a volta ao sono de beleza do “gigante”, e de seus ataques de sonambulismo, percebo o quanto algumas coisas parecem ter tomado rumos diferentes. Aquela vontade de mudar não tem mais aparecido com a força que se esperava que fosse aparecer, afinal de contas. Não estou cobrando a revolução brasileira de 2013, mas o interesse em deixar o estigma que antes carregávamos era somente nosso e confesso que o povo protestando contra a corrupção era patético, mas por conta disso até achei que o meu incômodo valeria a pena. Talvez não por conta disso, mas agora temos que aguentar o Jared Leto tocando no Rock In Rio e fazendo eco turismo ao mesmo tempo, fazendo tirolesa, comendo açaí, comprando havaianas a 300 reais e achando barato.



É até engraçado como o Rock in Rio é a analogia perfeita para explicar o que vimos há uns tempos e que ainda vemos até hoje desde que aquele lance de ser pró-Brasil e foda-se a Dilma e o PSDB (apesar de concordar com o último). Baseado em algo que supostamente deu muito certo antes, tentou-se recriar a partir dos mesmos preceitos aquilo que poderia agregar muito ao que se achava que estava faltando. Sinceramente, não sei o que aconteceu no meio do caminho, mas tivemos algo que soava interessante, mas que deu muito errado na execução. E se pensarmos ainda mais profundamente, a analogia é bem complexa. Se antes tacar lata no Carlinhos Brown foi uma merda, o facismo reaça de uma galerinha por aí nas passeatas afora também não ajuda em nada. Isso porque no caso do Carlinhos Brown, foi vacilo ele não ter tirado os anéis de lata das cocas, já que naquele tempo tinha muita promoção em que você tinha que juntar pontos.



As atrações deste Rock in Rio são fracas e só mostram o quanto a galera de fora não tá ligando muito para o festival em si, mas para o fato de vir aqui superestimar o cachê e sambar sob o holerite da maioria dos papais e mamães que pagaram para os filhotes, além dos outros assalariados conferirem as bandas mais descoladas segundo o Zeca Camargo. Em dado ponto, as passeatas viraram verdadeiras micaretas da democracia, cheias de pegação, nova schin a 4 reais a lata e, claro, as marchinhas de protesto. O clima para se fazer valer de seus direitos não precisa ser pesado como foi em boa parte das passeatas, mas competir com o amigo pra ver quantas gatinhas você fatura é um pouco deprimente. No Rock in Rio, possivelmente a coisa mude um pouco de figura, mas não deixa de ser triste também.



Não dá pra meter só o pau em ambos, afinal, cheguei a ver coisas boas também. Os protestos mostraram e ainda mostram como o povo tem sim a capacidade de se juntar por uma causa maior que não a passagem do ônibus ou o show do Iron Maiden. O povo tem a capacidade de discernir aquilo que deve ser feito em prol de todos e aquilo que não tem necessidade, e ainda que nem sempre esta capacidade funcione sempre, a grande verdade é que sempre haverão aqueles que advogarão por esta causa. O povo ainda tem muito o que aprender, e provavelmente ainda vai ouvir muita merda até se aprumar. E o que o Rock in Rio teve de bom e que equivale a tudo isso? O Muse. E saber que o Nostradamus acertou a profecia ao falar que o Rock in Rio ia dar merda, porque em boa parte, deu mesmo.


matt bellamy

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2 comentários

  1. É tão triste ver que alguém dedicou tanto tempo a escrever um monte de abobrinhas...
    Acorda aí, moleque!

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  2. meda foi esse artigo que não falou há que veio.

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