#TerçaGringa: a psicodelia lo-fi do trio croata East-ra

por - 11:08

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Esta #TerçaGringa de hoje é culpa diretamente da minha mulher, acho que essa é uma das bandas gringas que ela mais escuta aqui em casa e por conta dela que conheci e comecei a gostar do som. Estou falando do trio croata East-ra, oriundos da pequena cidade de Kauč. A banda teve início em 2007 e de lá pra cá já lançou três trabalhos. Em todos os discos podemos perceber traços de psicodelia, folk, rock e muito lo-fi. Quando eu digo lo-fi, entenda que o lance é gravado num esquema meio ao vivo, no meio da sala de estar da galera.


O primeiro disco, Cold Summer de 2008, apresenta melodias bem feitas em um violão acústico ou em guitarras com pouca distorção, tem um vocal bem estranho e cheio de efeitos cantado em inglês e alguns nuances de piano/teclados com bastante distorção. É o registro mais calmo do grupo e o mais próximo do folk mais pop, destaque para as canções “Blind” (que abre o Cold Summer muito bem), "Salt" e “Nightmarish Cocktail”, que começa com um baixo carregado e um teclado no naipe do The Doors, segue com um vocal grunhido em meio a uma viagem de ácido dissolvido num jazz bem legal.



O segundo trabalho, Sutra de 2009, é o mais sujo (ou mal produzido) feito pelo trio e o que parece mais com aquela vibe Gypsi, com um lance meio folclórico ou tradicional, provavelmente pelo fato do disco ser todo cantado em um dialeto croata conhecido apenas na cidade de onde vem a banda. O registro apresenta algumas influências krautrock perceptíveis. Destaque para as canções “Naš kršin” e “Škura cesta”, que eu obviamente não entendo nada do que esta sendo cantado, mas que apresenta uma sonoridade bacana. Lembra muito aquelas cantigas de roda tiradas no violão (aqui substituído por uma guitarra sem efeitos), cantado por pelo menos duas vozes (as vezes até parece que os três integrantes cantam juntos).


O mais recente registro chama-se Substitute 3 e foi lançado em 2011. O disco mais experimental dos três lançados até então, com direito a guitarras distorcidas e ambientações instrumentais bastante psicodélicas. A primeira canção, “Goyba”, é um exemplo do que estou tentando passar. Outra faixa foda é “Amanita”, com nuances de avant-garde jazzístico, e presença de instrumentos diferentes dos outros discos, como a flauta. A letra lembra muito um mantra, apresenta efeito de voz dobrada, um dos melhores momentos do álbum mais novo da banda.



No Youtube da banda dá pra ouvir a maioria das músicas dos dois primeiros discos, inclusive com alguns vídeos bem viajados, utilizando cena de filmes ou referências de animações mundialmente conhecidas (no Myspace também tem uns legais). Procurei algum registro ao vivo do grupo, mas pelo visto trata-se de um projeto underground que mais grava do que realiza apresentações. No site da Osa Media, selo do qual a East-ra faz parte, você pode baixar os três discos, todos com tag, arte e ótima qualidade.


Osa Media

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