A Fadiga do Estrada e as Pontes

por - 14:08

erikdivulga
Erik Batista é um cara que eu descobri por acaso, mais de dois anos atrás, numa daquelas casas de show-inferninho (a.k.a Matriz) que costumam ser lar – ao mesmo tempo – das melhores e piores descobertas da cena musical de uma cidade. O EP do projeto solo do cara  tinha chegado aos meus ouvidos acidentalmente alguns dias antes e foi de forma igualmente acidental que eu acabei assistindo um show do tal projeto, o Estrada, num pequeno festival de muito suor e muvucas infernais que acontecia no Matriz.  Foi por acaso também que eu decidi chegar bem antes do show da banda que eu desejava ver no dia, e foi fazendo parte de um público relativamente pequeno que eu ouvi pela primeira vez o EP que eu havia ignorado sem querer nos dias anteriores. Já na época eu achava que a qualidade das músicas não condizia com a ausência de plateia do dia, e o espaço do Estrada em Belo Horizonte vem crescendo cada vez mais desde então, com o lançamento de mais um outro trabalho e a criação-transmutação no Pontes, a banda promissora que surgiu das cabeças do Erik, Leonardo Onério, Phill e Clayton Vilaça. E é justamente esse clima de elaboração de pontes que chama a atenção no singelo – e aparentemente, último? -  EP de três faixas do Estrada, #fadiga, que conseguiu reunir uma galera de peso da cena musical e que cumpre um dos objetivos mais gostosos da música: a união.


Então, pra tentar inverter um pouco a ordem de como rolam as entrevistas aqui, eu vou jogar a missão primeira e mais difícil pra cima de você! (risos) Como é que cê definiria o som do Estrada?


Começou pegando pesado, hein! O Estrada tem essa cara meio folk, mas não é... tem uma onda meio Brasil nas entrelinhas, mas também não é... tenta ser experimental como o Bon Iver, mas não também consegui chegar lá! Eu nunca sei direito como vão soar as músicas até que elas já estejam prontas e sinceramente acho que essa é a parte que mais me instiga, é meio que entender que os fins podem sim justificar os meios ou vice versa. Uma coisa que sempre prezo nas produções do Estrada é o foco na canção, entende? É fazer a música soar agradável seja numa banda com dez músicos ou tocando só violão e voz.

A gente sempre tem um monte de notícia de bandas duradouras, mas eu sempre tive a impressão de que trabalhos solo são mais complicados... foi/é difícil manter o Estrada funcionando até hoje?


Cara, oficialmente o Estrada encerrou as atividades como banda no ano passado (devido a fusão com o Umrio, o que resultou no Pontes), hoje o Estrada só existe mesmo dentro da minha cabeça, de tempo em tempo eu tenho uns suspiros criativos e me organizo pra gravar algo. O #fadiga aconteceu assim, quando assustei tinha três músicas que contavam uma história e só fariam sentido se lançadas juntas.


erikdivulga2
Não dá pra evitar de perguntar... por que a #fadiga? A vida não tá fácil pra ninguém né?
(risos)


Não tá fácil pra ninguém, mesmo (risos)!. O #fadiga meio que conta a história de uma montanha (roleta) russa de sensações e vontades que eu participei um tempo atrás... era pra ter outro nome, mas acabou que quando me toquei, o nome velho já não fazia sentido algum. Só tinha me sobrado a fadiga (que andou ao meu lado, desde a inspiração pras músicas até o processo de produção), veio daí.

Um dos pontos fortes desse EP – além das canções por si próprias – é a presença de um monte de participações especiais. Cê poderia dizer ao certo quem são os participantes e como veio a escolha de cada um deles, em relação com cada uma das canções?


Durante a produção das músicas eu sempre imaginava como elas soariam com outras pessoas cantando/tocando, basicamente convidei pessoas que já tinha algum tipo de afinidade musical e/ou pessoal. O Barulhista por exemplo, é um cara que a gente já conversa sobre música e sobre a vida desde o lançamento do primeiro ep do Estrada (em 2011), desde então a gente troca figurinhas musicais e arquivos, durante as madrugadas insones. O Rapha eu conheci ao vivo mesmo em um show do Felter aqui em bh, sempre achei que a voz e o jeito dele de fazer música tinham um refinamento especial. A Marina foi minha parceira de banda n'OsAmantes Invisíveis e participou (e incentivou) o Estrada desde a época que ele só existia em uns arquivos extremamente mal gravados que eu fazia num aparelho mp4, ela e o Alexis (marido dela e guitarrista d'OsAmantes) estão presentes em todas as coisas que o Estrada já lançou. O Eddu eu conheci pela internet e tivemos uma identificação músical quase que imediata (ele também ama a Feist; logo, tem todos os pontos do mundo comigo); ele foi a primeira pessoa que pensei pra cantar "Nó Cego". A Andréa é uma cantora que eu conheci a pouco tempo, mas que fiquei hipnotizado quando a vi cantando ao vivo. Além desses, o disco conta com as figurinhas já carimbadíssimas na minha música e na minha vida, o Clayton (que assina a produção, gravação, mix e master), toca comigo e divide as lamentações da vida desde 2006 e tem o Leo (Umrio) que desde sempre é a primeira pessoa pra quem eu mostro todas as minhas músicas, dele eu nem sei o que falar.


Os boatos dizem que tem coisa nova do Pontes vindo por aí. Quer aproveitar a ocasião pra fazer um teaser? 


Só pra contextualizar quem não sabe: o Pontes é a fusão do Estrada + Umrio, uma vez que as duas bandas eram formadas pelas mesmas pessoas, só que tocando instrumentos diferentes (risos), partindo do princípio que isso não fazia muito sentido (e a gente gastava grana em dobro pra ensaiar) a gente fez o Pontes, que hoje é nosso projeto principal, nele estão, eu, o Clayton, o Leo e Phill (que também já participou do Estrada no fim dos tempos como banda). Em novembro sai um single do Umrio, que já tá quase pronto e estamos terminando a pré produção do disco do Pontes, tudo indica que sai coisa nova (nova literalmente, iremos gravar só músicas inéditas, nenhuma dessas que já circularam pela internet) antes do carnaval. A gente tá num rítmo de produção frenético, já temos mais de dez músicas pra escolher quais de fato serão parte do disco.




O que você recomendaria de novo na música independente esse ano, e por quê?


Cara, pra mim o disco nacional do ano (e dos últimos dez anos) se chama Esses Patifes do Ruspo, esse é um disco que de fato eu acredito estar além do tempo atual da música brasileira, foi disparado o disco que mais ouvi em 2013, é de uma genialidade que confesso invejar, tem também o Novo, disco d'OsAmantes Invisíveis (tem uma sensibilidade que me assusta), tem o Setembro do Mahmundi que eu tenho ouvido no repeat infinito e o Serviço, disco do Castello Branco que tenho escutado bastante e dançado abraçado com a vassoura sempre que tem espaço na sala. Além do povo que já é hit eterno no meu coração, vide City and Colour e Local Natives, ambos com discos geniais.




 

Soundcloud do Estrada( #fadiga)

 

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