Faixa faixa: Porquinho, o grindcore Interpretativo e o Baden Power

por - 11:06

Porquinho

Grupo Porco de Grindcore Interpretativo é um projeto realizador por um único ser, suas ideias, e diversas parcerias. Trata-se de um projeto homemade e independente de Thiago Machado, o popular Porquinho da mundialmente conhecida UDR. Batemos um papo com ele pra falar sobre as faixas do seu sexto trabalho lançado pelo Grupo Porco, intitulado Baden Power. No meio do papo, falamos da cena mineira, do grindcore, da homenagem aos totens da música nacional, entre outros papos que acabaram estrapolando o EP e caindo na política mineira, que se aplica a todos os outros estados desta nação.



01. "Garota de Ipanoia"


Fiquei um pouco decepcionado com essa música, mas talvez seja porque eu sou clichê e estava esperando algum sample de bossa nova, pelo trocadilho do nome da canção. Eu deveria entender a letra ou é isso mesmo? E grindcore é um estilo de vida?!


Eu gosto de brincar com as expectativas em relação ao Grupo Porco, como você pode ver. No interpretativo a música já começa no título, então é normal ter nomes que remetam a algo, mas isso não significa que essa referência esteja explícita. Se servir de consolo, até o momento acho que essa é a música mais próxima de bossa nova que o Grupo Porco já gravou.


O Grindcore Interpretativo é o último gênero musical criado em solo brasileiro, pode parecer zueira, mas nada novo foi criado depois do Manguebeat. Eu levo como um estilo de relacionamento com a música, é como legitimar o meu jeito torto de tocar e compor. Já que não sou bom nos estilos existentes, inventei o meu.



02. "Expical Troplosão"


Essa seria a música do verão? É impressão minha ou o Grupo Porco está cada vez mais orgânico e menos eletrônico (usando aquelas colagens, etc)? Como foi o processo de gravação desse EP?


Essa energia tropical deve ser resultado do processo de composição, feito 80% de cuecas, consumindo álcool e cigarros de artista.


Todas as músicas feitas para esse disco tem um estilo parecido, a mistura dos arranjos de violão de nylon, com bateria eletrônica e synths. Na real, todo o disco foi gravado com violões, apenas a última música tem um violão de aço. Eu já havia optado por usar violão em show, por ser wireless e também cria um clima enorme de WTF na galera.



03. "Gola"


Essa é pessoal, você fez pra alguém especifico ou para uma classe? Porque a letra parece um papo reto. E esse vocal gutural no meio ficou bacana, o instrumental final também. Quem participa do disco? Fazendo o que?


Acho que fiz mais em cima de reflexões sobre pessoas, se tivesse que dedicar, dedicaria para todo proletariado que tem que sucumbir a ditadura da gola no ambiente de trabalho. Libertem-se!


Este disco e o anterior foram todos feitos por mim, inclusive o vocal gutural (valeu o elogio). A participação neste fica a cargo do TucA e Ana Mo do Madame Rrose Selavy, Tuca e Feliz Canidae, eles fizeram a letra e os vocais da "Valsa do Rancor". O Grupo Porco já se apresentou várias vezes com o Madame e eu estava gravando umas guitarras para uns projetos do Tuca.



04. "Valsa do Rancor"


Nessa música você fez o instrumental então? O que veio primeiro? Ou vocês fizeram tudo junto? Já que você começou a falar de parceiros, quem é a cena do Grupo Porco em BH?


Fiz todo o instrumental e não conseguia pensar em uma letra, cheguei a cogitar lançar o disco sem ela. Mais tarde conversando com o TucA, surgiu a ideia de convidar ele e Ana Mo para os vocais, a letra ficaria a cargo deles. Achei o resultado muito bom, foi uma nano-retomada a vibe de colaboração do Rala o Pinto Massacre, já que foi tudo via web, mesmo eles morando em BH também.


O Grupo Porco transita bem pelas cenas de BH, chegou a ser um integrante ativo do OutroRock, uma ação entre bandas para viabilizar shows, essa galera tinha desde Graveola e o Lixo Polifônico a Retrigger. Mas acho que a cena que com melhor recepção é a da galera do Não Onda, uma ação entra bandas experimentais de BH, simplificando. Essa galera envolve várias bandas também, como a Ü, Fracesco Napole, Gestalt Machine, Eletrophone e mais uma porrada de gente. Um pouco antes do lançamento do Baden Power saiu a primeira coletânea do Não Onda, com CD, capinha e encarte.



05. "Casca Montezuma"


Vi no site lá que essa música é de 2011 e que você pensou vocais para Abujamra e China, seria massa hein? Qual ideia dessa faixa? E fala um pouco sobre a homenagem no nome do EP.


Essa foi uma das primeiras músicas que fiz usando violão, na época era um Giannini de aço, eu estava começando a fazer coisas mais diferentes para o Grupo Porco. A primeira ideia era fazer como no Rala o Pinto Massacre, chamar várias colaborações, mas não rolou, tomei um Pelé de todo mundo. Acabou que isso foi bom, me forçou a ter que me envolver mais com o material.


Passei dois anos trabalhando em cima da base e dos arranjos, já sabia que não seria a musica que a galera iria curtir, mas começou a virar um desafio terminar, coloquei blast beat, depois tirei, em um determinado mix tinha até os vocais da galera do Gangrena Gasosa, da musica "Não Entendi Matrix", porquê os caras tinham me enviado as trilhas para um remix (que nunca foi feito, mals aê galere).


O resultado é esse aí: um trip-hop fedendo a Pitú.


A ideia do nome veio do meu desejo de fazer um trilogia com nomes que remetam a musica brasileira, o primeiro foi o "Reinventando Macumba", que na minha cabeça é uma homenagem ao "Estudando o Samba" do Tom Zé, no Baden Power a relação está no uso do violão de nylon em cima das bases em 225bpm. Ano que vem a ideia é fazer um disco chamado Rawberto Carlos, não vou entrar muito em detalhes, mas ele fecha a trilogia.



Pra fechar, uma música que nem está no EP, mas fiquei curioso. Por que BH merece ser governado por satã? Você acha que mudaria alguma coisa?


Na época que eu e o Batista fizemos esta música, BH estava em período de eleições para prefeito. Rola muita hipocrisia quando se mistura música e política, principalmente em tempos de bandas/artistas totalmente subsidiados por leis de incentivos e patrocínio de empresas. Eu estava sentindo um clima de ou você está do nosso lado, ou esta contra a musica.


A musica é um manifesto, mostrando que se é para escolher um lado, escolhemos o lado de Satã. Ele sempre esteve aí, tem um trabalho conhecido e não deixa na mão.

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