Impressões da 1ª noite do Festival No Ar Coquetel Molotov 2013 e o frisson do público teen

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Coquetel Molotov 10 Anos

O primeiro dia de shows da edição de 10 anos do festival No Ar Coquetel Molotov teve como destaques a maciça presença do público teen e a melhor utilização do espaço ao redor do teatro da UFPE. Antes de falar dos shows, falarei das oficinas e debates que aconteceram durante a semana no MAMAM e fazem parte da programação completa do evento, mesmo não conseguindo agregar o público que comparece aos shows. Na terça pude conferir um ótimo debate com Guga Marques (da Nuvem Produções), Marcelo Soares (fotografo ativo do grupo Direitos Urbanos) e Barbara Collier (Prefeitura do Recife). Uma pena que apenas compareceram cerca de 10 pessoas ao debate. Na quarta, participei de uma oficina de mídias sociais que lotou e pude perceber que nem os profissionais de mídia entendem como funciona o Facebook. Na quinta, um bate papo descontraído e um tanto esclarecedor sobre como está o mercado independente de vinil no Brasil, com participações de Rafael Cortez (Assustado Discos) e Luiz Valente (Vinilland). Depois disso, uma troca de ideias sobre o metal no Recife, em que ficou claro que em termos de show, o tão amado e idolatrado estilo musical vai mal das pernas na cidade, mesmo contando com boas bandas na nova safra, como Cangaço e Desalma. Sem tirar o mérito de curtir bandas ao vivo e shows, esses eventos deveriam ser melhores aproveitados pelo público da cidade, tal qual a Mostra Play The Movie, que rolou dias antes.


Rafael Castro NoArCM


Voltando ao teatro da Universidade Federal na sexta-feira, dia 18 de Outubro. Devido ao trânsito só consegui chegar por volta das 19h, pouco antes do início do show do Rafael Castro na sala Red Bull Music Academy Stage, cada vez com espaço maior. O primeiro destaque alarmante foi a presença de jovens na fila para entrar no teatro, que só seria aberto duas horas depois (soube depois que a fila começou às 18 horas). Vou para o festival desde a primeira edição e nunca tinha visto fila nesse horário, também nunca vi tantos “pais e responsáveis” no evento. Vamos aos shows.


Não sou grande fã do Rafael Castro, mas já ouvi algumas vezes que no show, o som dele funciona melhor que nos seus discos. Porém, não posso confirmar este informação pelo o que vi no festival. O som soa mais do mesmo, inclusive perde um pouco da força e produção presente no disco, não chamou minha atenção. Pra não dizer que apenas falei mal, a canção “Surdo Mudo” funcionou muito bem ao vivo. Mas a principal participação do Rafael Castro e banda para mim foi no espaço da Casa do Cachorro Preto, onde todo grupo se divertia ao som da discotecagem de Ravi Moreno, inclusive contagiando os presentes no espaço.


TeamGhost NOARCM2013


O show que fechou o espaço da Red Bull na sexta foi com a banda francesa Team Ghost. Em entrevista que fizemos com um dos lideres da banda, Nicolas Fromageau disse que o show seria alto, porém não imaginava que seria tanto quanto foi. Um dos melhores shows que já vi na história da salinha, que já contava com um público bom que aguardava a abertura do teatro com boa música. Nicolas é um frontman de primeira linha e comanda bem o grupo que tocou músicas do disco Radials durante a maior parte do show. Eles alternam momentos de noise fodástico, no estilo Sonic Youth com um shoegaze calmo dentro de sua apresentação. Porém, posso afirmar que os momentos de noise fazem o show valer muito mais. Diferente do Rafael Castro, a Team Ghost funciona muito melhor ao vivo!


Juvenil Silva NoARCM2013


Quando sai da salinha, vejo uma enorme fila que toma conta do hall do teatro e esperava com ansiedade adentrar e escolher o melhor lugar possível. Aproveitei para reencontrar com chapas de outros estados que visitavam a cidade para cobrir o festival. Pouco antes das dez da noite, com um bom público já acomodado, começou o show do pernambucano Juvenil Silva, um dos nomes da forjada “Cena Beto”, que tem ganhado cada vez mais força na cena independente do Recife. Juvenil parecia bem tranquilo e bastante feliz com a oportunidade de abrir os shows do teatro, o som estava bom e ele aproveitou bem a chance para ganhar a atenção da gurizada que esperava para ver os shows de Cícero e Rodrigo Amarante. Ele apresentou músicas do seu primeiro disco solo Desapego, lançado nesse ano. Ele também aproveitou para tocar canções feitas por ele e gravadas por outros nomes da cena local ou em suas antigas bandas, além de algumas faixas inéditas. O show ainda contou com participações especiais da própria cena Beto, como Aninha Martins.


Cicero NoARCM2013


Depois foi a vez de o frisson tomar conta de todo o espaço, gritaria digna dos tempos de Los Hermanos, em meio a um público ansioso que acompanhava a montagem do palco para o show de Cícero e gritava sempre que um técnico diferente adentrava o palco. Cícero começou o show tocando músicas de seu trabalho mais recente Sábado, acompanhado por um coral de jovens e diversos flashes, deixando claro que para seus fãs, as músicas novas foram muito bem recebidas. Porém, foi claro uma atenção maior quando o musico tocou canções presentes no seu primeiro disco, como “Vagalumes Cegos” e “Açucar ou adoçante”. Honestamente, o som parece bem mais vivo no disco, mesmo com o coral teen ajudando o rapaz. Ele aparentava nervosismo, teve alguns problemas no som, mas nada que tenha tirado a alegria do público, que gritava pela atenção dele. Em termos de público, a primeira noite foi do Cícero!


Hurtmold NOARCM2013


Veio a hora da atração repetida do festival, uma espécie de homenagem a historia criada pelo evento na cidade. Aproveito aqui para agradecer publicamente aos fãs de Cícero que resolveram sair do teatro depois do show e liberaram espaço folgado na frente do palco para ver de perto o showzaço do Hurtmold. A apresentação teve início com as músicas “Hervi” e “Joji” e seguiu por todas as faixas do Mils Crianças, disco mais recente do grupo. Umas gurias sentadas atrás de mim que esperavam pelo show do Amarante se perguntavam se não teria vocal, uma delas adorou o fato de não ter. Já as demais não se divertiram tanto com o som intimista da banda. O Hurtmold fez de longe o melhor show do teatro nesta sexta, destaque absoluto para Guilherme Granado no vibrafone e as canções “Tomele Tomele”, “Chavera” e "Cleptociprose". Ao fim da apresentação, Granado agradeceu a atenção do público e disse que é só chamar que eles voltam. Fica então a dica para a organização do festival: sempre que a banda lançar um disco novo eles deveriam voltar mesmo!


Rodrigo Amarante NOARCM2013


Fechando a primeira noite e com uma demora considerável para começar o show, entrou no palco o solitário Rodrigo Amarante. É interessante perceber o contraste entre a alegria demonstrada pelo músico em estar tocando no Recife e suas canções. A apresentação começou de maneira minimalista, apenas com Amarante e seu violão no palco tocando a canção “Irene”. Rodrigo teve ajuda de um coral de jovens! Depois disso, entra no palco a banda que o acompanha nesta turnê, contando com a presença de Rodrigo Barba na bateria e Gabriel Bubu. O show segue com as canções do melancólico disco Cavalo, porém nem parte dos fãs do cantor aguentou assistir a apresentação de pé! Este show deveria ter sido feito no Abril Pro Rock deste ano, mas foi cancelado. Ainda bem que não aconteceu, pois realmente o show foi feito para ser visto sentado, em um teatro. Amarante declarou seu amor ao Recife por diversas vezes e demonstrou bom humor ao lidar com os pedidos de músicas do Los Hermanos, mas não atendeu este apelo feito pelos fãs. Não sei se pelo cansaço da maratona de shows, mas mesmo com boas canções, a apresentação do Rodrigo serviu para acalmar o público, que deve ter tido uma boa noite de sono depois.


Fotos feitas por Thercles Silva e Vanessa Mota e retiradas do flickr do festival!

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