Impressões da 2ª noite do Festival No Ar Coquetel Molotov 2013

por - 12:08

NoArCM2013

O segundo dia de shows do festival No Ar Coquetel Molotov começou do mesmo jeito do dia anterior. Cheguei pouco antes das 19h , sendo assim, perdi os shows do projeto eletrônico Grassmass e Opala, a banda de Maria Luiza Jobim. Porém, a gurizada ansiosa (e seus responsáveis) da fila já estavam por lá, firme e forte. Não falei anteriormente, mas o hall do teatro da UFPE neste ano estava superorganizado, com diversos stands bem legais, como a “Barraca do Beto”, com discos autorais de toda a nova cena independente pernambucana, além de alguns livros locais. Rolou também uma exposição itinerante da Casa do Cachorro Preto, com vários quadros bonitões, além de uma discotecagem bem bacana.


Memoria de Peixe NoArCM2013


O primeiro show que vi foi o do duo instrumental português Memória de Peixe (falamos dele e uma #TerçaGringa). A banda tem uma apresentação supercompetente e animada, prendeu a atenção do público presente na sala Red Bull Music Academy Stage, além de utilizar com maestria a projeção com imagens do fundo do mar e diversos tipos de peixes, atraindo a atenção de  diferentes de câmeras fotográficas. O show passou pelas músicas do EP homônimo do grupo, lançado no ano passado. É sempre bom ver bandas quebrando os tais pré-escritos paradigmas que algumas pessoas tendem a acreditar, como o fato de que música instrumental é chata. O Memória de Peixe é um bom exemplo de que é possível fazer música instrumental animada e com qualidade.


Karol Conka NoArCM2013


Porém, não imagino jeito melhor de encerrar a salinha de shows gratuitos neste ano do que como foi. O show da Karol Conka foi eletrizante, com uma sala lotada, é incrível como ela consegue atrair a atenção do público. Outra característica bem bacana é como fica forte o som do Batuk Freak ao vivo, mesmo que no palco estejam apenas ela, o DJ Nave e suas batidas, ele também produziu o disco. Karol é uma showgirl natural (ela fala disso AQUI), estava totalmente a vontade no palco, feliz e bastante sorridente, sorteou discos fazendo perguntas sobre ela, para saber quem do público conhecia mais a fundo sua história. Alguns destaques do showzaço ficam por conta de como “Vô Lá” e “Delicia” ficam bem ao vivo, espero que não demore para que ela retorne ao Recife para mais shows.


Bixiga70 NoArCm2013


Saindo da salinha, me deparo com um mundo de gente fazendo caracóis em uma fila interminável e um enorme barulho. Esta fila demorou um bom tempo para se desenrolar, mas o teatro já estava bastante cheio antes mesmo dos shows começarem. Era a vez do Bixiga 70, a big band paulista teve a responsabilidade de abrir as atividades do teatro no segundo dia de festival e não decepcionou. Aproveitou a oportunidade para apresentar as músicas do disco homônimo lançado no mês passado, um álbum mais música brasileira, jazz popular, percussões, sopros e bem menos afrobeat. Destaques para “Deixa a Gira Girá”, do Os Tincoãs, “Retirantes” e a versão de “Morte do Vaqueiro”, homenagem ao mestre sertanejo Luiz Gonzaga, que fez todo o teatro dançar. Os integrantes declararam seu amor a música pernambucana e para mim o único lapso foi a ausência da ótima versão de ““Desengano da Vista”, do grande Pedro Santos (Sorongo). Alguém aí lembra de algum show ruim do Bixiga 70 por aqui? Eu não lembro.


Depois da apoteose setentista, veio o destoante da noite para mim. O show do Perfume Genius foi tímido, um tanto chato e bastante sem graça. Mike Hadreas parecia deslocado e o show foi bem curto (ainda bem) e sem interesse da maior parte do público.


Metá Metá NoArCm2013


Ainda bem porque depois foi a vez de finalmente o projeto Metá Metá fazer sua estreia no Recife. Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França, três das cabeças mais ativas da música brasileira dão cara, voz e personalidade as músicas do projeto. A banda se dedicou mais ao último trabalho, Metal Metal, a transgressão do samba, misturando o estilo com o noise, a música das raízes africanas e até o punk. O show foi bem agressivo e enérgico, ao ponto de Kiko brincar dizendo que agora seria uma calma e mandar “Rainha das Cabeças”. É impressionante como a voz de Juçara cresce ao vivo, dando voz a sucessos como “Oya”, “Man Feriman”, “Exu”, entre outras. Thiago França parece estar cantando alto com seu sax nervoso, alternando momentos que parecem improvisos, mas que são apenas uma simbiose sonora de pessoas que se conhecem muito bem. Para não dizer que não rolou calmaria, “Cobra Rasteira” trouxe um pouco do samba e o jazz livre em “Logun”. Quem sabe, depois dessa apresentação incrível, a banda tenha mais oportunidades e aparece na cidade com mais frequência.


Clarice NoArCm2013


E ai já era mais de uma hora da manhã (e eu nem adiantei meu relógio), eu estava esgotado e tinha um compromisso cedo no outro dia. Resolvi ir pra casa dormir, melhor que dormir no teatro né? Abri mão de ver a fofíssima Clarice Falcão, mas espero que ela tenha tocado todos os hits do Pão de Açucar. Mas Taynara Pretto veio de Maceió e falou suas impressões do show da moçoila: Pra euforia dos adolescentes, que já deveriam estar dormindo faz tempo, mas esperavam desde cedo por ela, Clarice Falcão subiu ao palco pra encerrar a décima edição do Festival. Com seu jeito tímido e letras carregadas de ironia, a pernambucana de nascença cantou as músicas de seu disco Monomania, seguida pelos fãs do começo ao fim. Acompanhada por uma banda entrosada e instrumentos violino, violoncelo e sanfona, Clarice falou e demonstrou estar feliz por tocar em sua terra natal.


Interessante perceber que o sábado do festival parecia uma celebração, tal qual um aniversário de 10 anos que o evento completou em 2013. Foi um momento de relembrar grandes shows e pedir outras tantas bandas para as próximas edições. Espero que os próximos 10 anos do No Ar sejam melhores que os dez primeiros e que eu tenha pique e interesse em acompanhar de perto tudo o que está por vir. Até o ano que vem!


PS: fotos por Thercles Silva, exceto Memória de Peixe (por Debora Pontes) e Metá Metá (por Carolina Bittencourt).

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