No batuque doido com a Karol Conká

por - 11:06

KarolConka

Karoline dos Santos Oliveira, mais conhecida como Karol Conká, é uma cantora curitibana que nesse ano lançou o seu primeiro disco Batuk Freak. Nele, podemos perceber uma mistura de ritmos e influências enormes, ao ponto de que neste trabalho ela já esteja chamando atenção por onde passe no Brasil. Karol é uma das atrações do segundo dia do festival No Ar Coquetel Molotov, no Recife. Ela fecha as apresentações na sala Red Bull Music Academy Stage, junto com Grassmass, Opala e Memória de Peixe no próximo sábado, a partir das 17h.


Aproveitando a vinda dela ao Recife, resolvemos bater um papo com a moça, falando sobre sua infância, influências, expectativas para o show, que deve rolar pelas 20 horas, entre outras coisas.


Para começar, qual a importância do Nave no seu disco, Batuk Freak?


O Nave é o produtor/beatmaker de minha maior preferência. Tive a brilhante ideia de convidá-lo para me produzir e ele aceitou. Cheio de influências, as batidas dele se encaixam nas minhas rimas de uma maneira autêntica. O Nave me influenciou bastante na hora de compor o disco. Trabalhamos de uma maneira aberta. É muito importante o produtor entrar em sintonia com o artista, assim como é importante paro artista ouvir o produtor.


Em várias resenhas sobre o disco Batuk Freak a associação ao som da M.I.A e ao batidão, inclusive te colocando como uma artista pop e não necessariamente rapper. Como você vê isso e queria saber um pouco de suas influências do mundo, tem Lauren Hill e o que mais?


Quando uma rapper rima e canta ao mesmo tempo, automaticamente as pessoas denominam pop. Eu chamo de pop tudo que tem um apelo popular, que passeia por outros gêneros, lugares. Sou uma rapper que trabalha numa linguagem mais acessível. Acredito que isso me deixe pop, rs! Na real, não me importo com os rótulos. O importante é criar uma história na música brasileira representando o rap. Na adolescência, minhas maiores inspirações foram Bob Marley, Erykah Badu, Lauryn Hill, Missy Elliot, TLC, Destiny's Child, Timbalada, Zeca Pagodinho, Cassia Eller, O Rappa. Depois, Jay Z, Rihanna, Jorge Ben, Céu, Juicy J, Amy Winehouse, M.I.A, entre outras tantas. Não são incômodas as comparações. Acho legal, apesar de eu ver bastante diferença. Adoro M.I.A e, para mim, é um privilégio ser comparada com uma pessoa tão foda.


Você foi bastante criticada pelo tipo de som que faz?


Não! Fui recebida de braços abertos. Apenas uma minoria se queixava por eu chegar alegrando e causando na sociedade (risos)! Não curto me privar para agradar os outros. Eu sabia que rolava uma limitação e que seria necessário eu trabalhar direito. O tempo passou e eu fui adquirindo mais conhecimento do meu próprio trabalho e me sentia muito bem falando do que falo hoje nas músicas. Faço musicas para pessoas felizes, que preferem solucionar problemas sorrindo do que se queixar e deixar a vida passar sem história alguma. As criticas sempre vão existir e enquanto eu existir, para mim elas serão apenas ventos.


O que mudou da Karol de 16 anos que ganhou o prêmio de rap na escola para a que ganhou o prêmio de revelação 2013 do Multishow? Como você vê essas premiações? Você acha que podem influenciar na vida/produção/música ou você nem liga muito pra isso?


Não vou dizer que continuo a mesma porque minha vida não é mais a mesma. Muita coisa mudou, aprendi e continuo aprendendo coisas maravilhosas. Hoje me sinto mais segura das minhas escolhas, sei aonde quero chegar e como fazer. Me sinto madura e preparada para mais uma etapa da minha carreira. Estou só no começo e sei que preciso trabalhar muito. Acho importante ganhar prêmios, ser indicada e tal. Mas encaro isso como um incentivo para continuar seguindo. Levar um premio para o Rap Nacional é uma responsabilidade que tem que ser levada a sério.



O som "Boa Noite" parou no Fifa 14. Como rolou isso?


Fiquei bem feliz com o convite! A assessoria da FIFA 14 entrou em contato com a minha dizendo que "Boa Noite" estava selecionada, fiquei surpreendida e em seguida formalizamos um contrato.Esse tipo de reconhecimento só aumenta a visibilidade do nosso rap. Quanto mais falarem de nós, mais seremos lembrados!


Em um faixa a faixa na Noize você diz que já foi muito subestimada um dia, porém, aos 16 anos, você já estava ganhando premio de rap, o que nos faz pensar que você acordou para vida muito cedo. Então queríamos saber como foi sua infância?


Quando criança, eu morava com a minha mãe, pai e meu irmão caçula. Adorava brincar de cantora. Então eu enfileirava minhas bonecas e ursos no sofá e cantava para eles, me imaginando um dia num palco de verdade. Minha vó dizia que eu tinha nascido para ser artista e que eu deveria ir atrás do meu sonho. Fui uma criança feliz, porém frustrada com o alcoolismo do meu pai, que faleceu quando eu tinha 14 anos. Minha mãe não tinha condições de me pagar cursos musicais, então inventava alguma maneira de fazer música: me restava a caneta e o papel. Para aprender a cantar ou usar melhor minha voz, eu ouvia minhas divas e tentava imitá-las no timbre delas, e acabava ficando com a garganta ardida de tanto desafinar (risos)! Eu sentia dentro de mim que era isso que eu tinha que ser e fazer! Quando eu dizia isso para as pessoas, era como se eu estivesse falando algo impossível de conseguir. Diziam que sendo negra, pobre e curitibana jamais eu iria conseguir visibilidade e reconhecimento. Estudava numa escola pública onde ouvia a professora de matemática dizer que eu não ia conseguir nada além de limpar privadas por ser negra. Se dependesse das coisas que já ouvi na infância e na adolescência, não estaria aqui hoje. Graças ao amor familiar e à autoconfiança, consegui realizar meu sonho de ser artista de verdade!


O que você acha do momento atual do rap?


Vivemos um dos momentos mais valiosos do Rap Nacional. Finalmente o rap é bem vindo em muitos lugares. Acredito que tenha muita coisa para ser feita e conquistada mas o Rap entra numa nova era isso é fato.


Quais as suas expectativas para tocar no Recife? O que o pessoal pode esperar do show da Karol Conka?


Estou mega animada para esse show e espero corresponder às expectativas. Vou levar toda minha alegria para o palco. Quero sentir a energia desse lugar lindo que é Recife!


E pra fechar, o que você conhece da cena rap/ Hip Hop do nordeste do Brasil?


Por enquanto, conheço pouco da cena nordestina, mas gosto de Rapadura, ele representa muito!


Agora que você leu a entrevista e irá chegar cedo para sacar o show da Karol Conká, aproveite também a chance de conferir na faixa as apresentações de Bixiga 70, Perfume Genius, Metá Metá e Clarice Falcão que acontecem no teatro da UFPE neste sábado. Conseguimos um par de convites com a organização do festival e resolvemos sortear por aqui. Para concorrer, basta disseminar essa entrevista no Facebook, Twitter ou nos dois (mas só vale concorrer uma vez) e comentar aqui neste post (preenchendo todos os dados certinhos) com o link de sua disseminação em uma das redes sociais e seu e-mail. No início da tarde da próxima sexta-feira (18/10), sortearemos os convites pelo random.org. Boa sorte!

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