"Sobre a sinceridade dos sentimentos"

por - 16:11

lou reed acabadasso


Viver para morrer, nascer para estar vivo. Ciclo da vida uma ova, no fim das contas tudo se resume a viver e morrer. O resto do processo é totalmente baseado naquilo que todo mundo normalmente, pois as outras etapas me parecem totalmente arbitrárias. A imortalidade daqueles que conseguem ser lembrados depois das etapas não-arbitrárias é igualmente relativa. Minha mãe nunca ouviu falar do Lou Reed, apesar dos fãs de carteirinha terem pipocado depois de sua morte clamando aos céus o quanto este será mais eterno que Pelé. Não nego o quanto chato é a morte de um cara como ele, mas nego o quanto a internet banaliza os sentimentos humanos.


Nem entro no mérito de redes sociais, Zygmunt Bauman já falou tudo que era necessário sobre esse aspecto, mas é engraçado como o choro da molecada que quer assistir ao Justin Bieber, a tristeza dos ~fãs~ de Reed, a raiva dos anônimos sobre as injustiças do mundão e tantas outras emoções e sentimentos provocados on-line têm perdido cada vez mais o significado mais romântico e se tornado cada vez mais banais. “Ora, banais para quem?” você deve estar me perguntando, e diga-se, com o dedo preparado para reportar como abuso. Para você mesmo. Ninguém que se expressa tão intensamente e o tempo todo será levado a sério como deveria. Ou como poderia.


Uma vez me disseram que sabedoria e conhecimento são coisas diferentes e eu concordo. Diria até que comunicação e expressão são coisas equivalentes neste sentido, portanto, ser uma pedra não te tornará mais genial que ninguém. O garoto que chorou pela Britney Spears naquele vídeo do começo dos anos 2000 também sabe que o oposto é recíproco. Tal como meta anfetamina, coco ralado no pudim e tentativas de ir no banheiro da balada, temos que saber dosar. Errar é natural neste processo, só não fique chateado quando ver um babaquinha não entendendo sua expressividade. Tal como é difícil saber quando expressar o emocional, é difícil desenvolver esta compreensão, por bem ou por mal. Aliás, isto até me faz pensar se o problema realmente é de quem tem raiva do famoso X ter traído a outra famosa Y com a sub celebridade N. Mas vou dizer que é só pela licença poética.


Para concluir a reflexão, não posso concluir nada, caso contrário não seria uma reflexão. De qualquer modo, preocupa-me muito a ideia de que os sentimentos estão perdendo seus respectivos significados, uma vez que quando intensos ou viscerais, eles já não tinham um significado, por assim dizer. Definimos o que estamos sentindo pela pura necessidade de catalogar e caracterizar para entender como funcionamos. Qualquer coisa que foge desta máxima torna-se automaticamente diferenciada do ponto de vista social, fazendo com que se tema o resultado não esperado. Como reverter isto? Mantenha a sinceridade e o resto é história. Exeto por LuLu, aquele disco é uma bosta.


MetallicaJamesHetfieldLouReedPA0308116

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