DoSol 2013 - Parte um (primeiro e segundo dia)

por - 15:05

camarones orquestra guitarrística - rafael passos (DoSol)


Nesse ano fui cobrir o DoSol em Natal já que o Diego não ia e eu já estaria por lá de qualquer forma. Entre as comemorações de 10 anos do festival, além do próprio se desdobrar para Mossoró e Caicó também, ele voltou a ter três dias (saiu a noite de abertura) e tenho que destacar o valor do ingresso. Cada dia foi apenas R$5 a entrada, coisa difícil de acreditar que possa acontecer em um festival. Rolou uma enxurrada de bandas, e é humanamente impossível curtir todas ou assistir todos os shows, então me reservei a falar apenas dos shows que vi.


PRIMEIRO DIA


Por questões de mobilidade e de resolução de minha hospedagem, chego na Ribeira atrasado. A estrutura da sexta foi apenas se utilizando do Centro DoSol, com a bilheteria na porta da casa, sem fechar a rua. Estranhei o clima assim de festival, sem os bares e a galera mais fora. Vale ressaltar também que essa primeira noite, só uma banda não era potiguar, e ela não era a headline. Com o atraso perdi as duas primeiras apresentações. Pena, queria ter visto o Mahmed, que é uma banda instrumental que gosto muito. Espero em breve ver o show deles. Chego na hora do único grupo que não é potiguar, o amapaense Stereovitrola. O DoSol já estava bem cheio, a banda já tocava e agradou público. O som é bem psicodélico, as vezes mais punk, as vezes mais reto, e eles fazem isso tudo muito bem. Gostei das músicas e das texturas que elas têm.


mad grinder - rafael passos (dosol)


Seguia a festa e veio o Mad Grinder, banda do Rafão que já tocou no Distro e Leões de Minerva, e por conhece-lo, já esperava que a banda fosse um grunge com guitarra altas, e era. Power trio afiado, vocalista e baixista revezavam as músicas que cantavam, horas sendo mais puxado pro Dinosaur Jr. outros momentos mais Nirvana mesmo. Vou pra fora, resolver minha volta, encontro uns amigos, e nesse meio tempo perco o Rejects, escuto de fora, gosto, mas não vi o show. Sei que a banda voltou, agora como quarteto e sem o Foca.


O festival trouxe em seguida o Camarones Orquestra Guitarrística e depois encerrava com o Talma e Gadelha, as duas headliners do dia. Nessa hora o DoSol já estava lotado, e pra ajudar, começou a chover. Ou entrava ou entrava. O Camarones fez um show como de costume, dançante e apresentando uma nova formação (nem lembro quantas já teve) e como a noite era de festa, trouxe participações ao show de ex-integrantes e do Ynaiã, ex-baterista do Macaco Bong. Banda pra animar uma noite de festa. Bom, depois disso tive que ir, perco o Talma e Gadelha que gostaria de ter visto também, mas por motivos maiores, tive que deixar pra depois.


SEGUNDO DIA


Dessa vez chego pontualmente às 15h30. A estrutura era como de costume nos outros anos e diferente da sexta: rua fechada dos dois lados e dois palcos. Destaque especial para o lounge da Ray-Ban que foi pra muitos (sei que tem gente que ta falando isso até agora) uma das melhores coisas desse ano. Era só ter pulseira e rolava acesso à comida, sofás, DJ e open bar. Já viu né? Chego na hora e pego o Zurdo ainda passando o som e pronto para começar. O Zurdo, que era uma das bandas potiguares que mais queria ver ao vivo, é um grupo que faz um som torto. Com muitos experimentalismo, quebradinhas espertas, synth e grooves, a banda instrumental formada por Gela, Leandro, Artur e Daniel, fez um bom show e, apesar de cedo, prendeu a atenção de quem assistiu a apresentação na frente do palco. Pessoalmente acho que deveriam ter tocado mais tarde.


ar tu e o vendaval


Logo em seguida, com o próprio baterista do Zurdo, dessa vez na guitarra e vocal e Henrique Geladeira no mesmo canto, vem o Ar, Tu e o Vendaval. Não sei se os músicos são novos (pela idade alguns aparentavam) ou havia algum nervosismo no palco, mas achei a apresentação da banda bem morna, o som que é um "poprock" - diferente do que me falaram que era puxado pra folk, pra psicodelia - enfim, achei algumas coisas legais como melodia de voz e algumas letras, e no geral agradou quem estava, mas a mim não tanto.


Pulo a próxima banda, vejo o DoSol começar a encher aos poucos e vejo o quarto grupo da noite. O Rocca Vegas de Fortaleza é uma banda nova de macaco velho. Liderada pelo Maurílio do Empire/Switch Stance os caras fazem um som meio misturado. Acho que um The Killers com hardcore e Foo Fighters. Você consegue ver tudo isso no som da banda e independente do tipo de música feita, o show deles é bom, a banda se preocupa claramente com presença de palco e repertório, porém creio eu que pelo resto do line do festival, ou mesmo pela hora, não tinha muita gente interessada em ver a apresentação deles.


lupe de lupe


Volto pro DoSol pra ver o Lupe de Lupe, banda que queria muito assistir. Show foda, banda foda. Já tinha lido sobre eles em alguns lugares, inclusive aqui mas não tinha parado para ouvir e achei muito bom. Os caras seguros no palco, felizes por estarem tocando. Me lembrou muito o Ludovic e o Jair Naves o som deles, e com essas referências o som era assim, rancoroso, marginal, cantando sobre amores e raivas. Inquietações. Excelente!


Depois vieram os paulistas do Single Parentes, não conhecia nada também dos caras, até descobrir que o baixista tocou no Zefirina e o outro guitarra é membro do Fire Driven. Outro showzasso, banda noventista, grungezão e aquele pegada da Subpop. Quando tava assistindo a apresentação, falo com alguém até assim: "Porra, Sonic Youth pra caralho!" e quando eles anunciam o termino do show, ta lá coverzão do Sonic Youth! Nessa de ir e vir, a Ribeira enchendo, a mesa de merch ia crescendo, amigos chegando lá e cá, só confirmando o que disse logo acima, é a "confra da firma" de final de ano. Nesse meio tempo de ver discos e falar com duas ou três pessoas, chego no fim do show do Medialunas no DoSol. Gosto da banda e já tinha visto show em João Pessoa e pelo que vi do final e da casa já cheia, o público aprovou o duo gaúcho.


cassino supernova


No Armazém Hall o Cassino Supernova do Distrito Federal começava e fazia um som pra quem gosta do Cachorro Grande. Aquele lance Stooges com Rolling Stones, bem Rolling Stones posso dizer, e animou. O Petit Mort foi a próxima. Banda argentina, power trio barulhento, uma mina cantando e tocando baixo, umas músicas bem pesadas, e mais outro grupo bem noventista no rolé, só que cantando em espanhol. Show firmeza, tinha ouvido os hermanos antes e achei que ao vivo funciona melhor.


Quando saí do show dos argentinos, já tava tudo cheio, muita gente já estava no lugar, então descanso pra pegar o show do Sinks. Daniel, Dante e Foca, são aqueles caras que tocam mais de uma vez no mesmo festival. A banda do “dono” pelo que vi, tava sendo esperada por muita gente, e tocando as músicas antigas dos EPs e umas novas em português, fez o que deveria fazer e segurar a onda dos ótimos shows que já estavam rolando no festival. Sinks é aquela coisa pra quem gosta de Weezer. Não tem erro, mas tenho que admitir que as músicas em português não são tão legais quanto as em inglês, pelo menos as que vi no show.


hellbenders


O Hellbenders chegou na hora de tocar. Corro pro Armazém e vejo uma banda que nem entendendo o porquê de não ter tocado no domingo. O Hellbenders é uma banda pesada, bem pesada, toca alto pra caralho, e eu não sei dizer se é stoner rock, stoner metal, stoner blá blá blá, mas é na mesma linha do Motorhead. É muito alto, é muita porrada, riff sobre riff, letras boas, boas melodias, vocais dobrados, banda profissa, show baseado no disco novo que acabou de sair, produzido pelo Miranda lá da Trama. Foda, um dos melhores shows da noite.


Daí pra frente era só jogo ganho pro festival. Saí antes do show do Hellbenders acabar pra ir no DoSol antes que o Far From Alaska começasse, porque eu sabia que aquele lugar ia encher. Dito e feito. Se você acha que a banda tá com uma projeção nacional gigante é porque você não viu em Natal. Foram cerca de seis ou sete músicas, começaram com “Thivery” e em seguida mandaram a do belíssimo clipe, “Dino vs Dino” e o mundo se acabava no DoSol. Gente gritando, cantando e curtindo. O grupo explodiu já (pelo menos em Natal).


Depois veio o Autoramas que é sempre foda! Músicas de várias épocas, show redondo, segurando o público que se acabava num armazém lotado. Teve uma música que subiu uma galera no palco. Ana do Camarones, Martim do Single Parents e outras bandas pra celebrar o show. Apresentação violenta! Ta aí a prova.


autoramas


Devido ao que já tinha rolado até agora, pelo cansaço e multidão de gente, decido não ver o Uh La La, mas que depois perguntei a um brother como foi e ele disse: "Foi legal cara, a galera também gostou, a banda é massa e eu subi no palco e pediram pra eu mandar a batera mostrar os peitos e ela mostrou". Certo.


Vejo o Fukai, que era outra banda potiguar que queria ver e que me agradou muito. Já tinha sacado o som dos caras e sei que já estão girando muito por aí. O único show que lembro da galera pedir mais músicas e que a banda voltasse, e voltou. Depois vou pro lounge da Ray Ban dá uma curtida, não vejo as bandas finais, mas não só por estar lá, nesse momento a Ribeira já se encontrava intransitável com o mar de gente que havia, mas antes de ir ainda pego o show do DuSouto e digo: ver a apresentação dos caras em Natal é outra coisa. Acho que é a banda preferida da galera de Natal, todo mundo dançando e curtindo, mas aí eu já tava indo curtir uma cama.


Fotos por Rafael Passos

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