Impressões: 1º dia de shows do Festival Mundo 2013

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Festival Mundo 2013

Primeiro começo pedindo desculpas pela demora em sair este texto e por ter perdido algumas bandas, mas intermitências da vida aconteceram para ambos os atropelos. Em segundo lugar aproveito para explicar que estas não serão impressões apenas direcionadas aos shows, mas a tudo que eu vi no Festival Mundo 2013.


Vamos começar pelas críticas. O evento sempre teve um dos melhores sons e palcos que eu já vi no nordeste e no sábado deste ano passou longe disso. Nunca vi tantas falhas de som em ambos os espaços. Por sinal, uma das novidades para mim foi a presença de dois palcos em locais diferentes, que se por um lado agiliza o início dos shows e a sequência das atrações, por outro era nítido que o palco 1 (o que já existia antigamente) tinha um som mais vivo, mais potente e até melhor equalizado que o palco menor (do lado de fora, na rua que leva para o palco principal). Outro ponto, que eu não sei se é bom ou ruim, mas que pode justificar alguns problemas, uma total reformulação do Coletivo Mundo. Da última vez que estive no evento (2011) para esta edição, não reconheci quase ninguém das edições anteriores.


Festival Mundo 2013


Outra problemática do sábado em minha opinião foi a escalação das bandas no dia ou o não convencimento de um público de tais estilos dispostos a comparecerem ao evento. Tanto que cheguei apenas por volta das 17:30, no início do show dos cearenses do Facada (quarta atração), e tinha pouquíssimas pessoas acompanhando a apresentação. O público era pequeno em toda a Usina Energisa, porém, devido a pluralidade de atividades, vi muito mais gente acompanhando a pista de skate do que o show sangue nos olhos do Facada. Isso porque James, baixista e vocal da banda, tinha deslocado o ombro na manhã do sábado. Mesmo com as dores tentou tocar baixo e cantar, foi um desempenho rápido, agressivo e bem doido. Quem presenciou vai lembrar-se da mesma por um tempo, pena que foram poucas pessoas.


Festival Mundo 2013


Depois disso, foi a vez da banda paraibana de rock mais popular no Brasil mostrar seu novo show. O trio Zeferina Bomba subiu ao palco pequeno e tocou alguns sons novos, que estarão no seu novo trabalho, e algumas músicas dos dois primeiros registros. Interessante ver que o grupo conseguiu renovar seu público na cidade. Dava pra ver um pessoal bem mais interessado sacando o folk/rock/grunge barulhento do trio e cantando junto. Ilson é um showman natural, e parece que com a idade ele vai ficando mais menino. No meio do show rolou uma troca de baixistas e um momento TEST, quando Rayan desceu tocando a caixa da bateria até um bumbo colocado no chão, na frente do palco, junto com o vocalista, que tinha largado o violão com um dos camaradas que fazia o som. Depois ele retomou o violão, a menina que tava tocando baixo também veio para o chão e o baixista inicial foi pra bateria que ficou no palco. Foi divertido, performático, agitou quem assistia, e encerrou o show e o rock no sábado.


Aproveitei o intervalo para dar uma volta pela Energisa e ver como estava a estrutura do festival, tudo muito bem sinalizado. Comprei alguns livros e imãs de geladeiras, dei uma volta pelos Stands de roupas, CDs, movimentos sociais e ambientais. Falando em atitude ambiental, neste ano a organização vendeu uns copos plásticos bem bonitos, personalizados com o logo do festival. Todos tiveram que comprar os copos, já que não tinham copos descartáveis e quem não quisesse ficar com os copos poderia pedir o dinheiro de volta no fim da noite. Ótima ideia. Eu trouxe dois copos para casa! Depois fui conferir o espaço de gastronomia com comida vegana das boas. O espaço de skate continuava movimentado e com um som alto rolando quando voltei para os palcos a tempo de conferir um grupo de dança.


Festival Mundo 2013


Teve início o rap e hip hop da edição 2013. Um coletivo paraibano tomou conta do palco 2, nele via membros do ABIARAP, como o DJ Til Dal, e Atômico MC, que já tinha visto se apresentar junto com o Sacal. O pessoal aproveitou para apresentar um pouco de seus trabalhos solos e quem mais me chamou atenção foi Camila Rocha e Dumatu. É sempre bacana poder conferir rap nordestino ao vivo, mesmo com alguns problemas durante o show. Ainda mais com um público interessado a maior parte do tempo, o que deixa tudo mais animado. O coletivo de rap foi limado no palco, já que literalmente os equipamentos foram desligados, mesmo porque se deixassem o pessoal ficaria por lá um bom tempo. Mas no final das contas, o show foi bastante positivo e a ideia de nomes da cena interagindo também.


Festival Mundo 2013
Foi quando começou a pior coisa que eu vi no sábado (e talvez em toda edição 2013), Troça Harmônica. O mais interessante é que foi a banda que mais levou público para o festival no dia junto com o Curumin. Eu realmente não entendi a banda, o show teve início com quatro pessoas no palco, os quatro cantam e três deles com violões e guitarras sem distorções (pra que três instrumentos iguais fazendo a mesma coisa?). A onda é aquele MPB de Chico Buarque caindo pro sambinha, nada muito original. O pessoal até canta bem, sabe tocar e se expressar, mas tudo soa tão cover, tão falso, que mesmo com qualidade fica bem chato e desinteressante.



Lurdez da Luz foi a responsável por retomar meu interesse ao palco dois. Ela é enérgica no palco, tem certo carisma e manda muito bem nas rimas. Porém, eu sempre acho o som dela ao vivo mais fraco do que no disco, sempre falta um algo mais. A superprodução do disco acaba por reduzir as qualidades da moça no palco, acompanhada apenas por um DJ. Lurdez mandou algumas músicas do seu primeiro disco, tocou também o single recém-lançado (ouça acima) e agradeceu o carinho e a atenção dos interessados, tanto que retornou ao palco para atender aos pedidos pelo bis. No fim, foi uma bela estreia em terras paraibanas.


Festival Mundo 2013


Fechando a noite, por volta do 11 horas, Curumin subia ao palco principal, tocando pela primeira vez em João Pessoa, ou jampa, como o camarada insistia em falar. O negocio é o seguinte, Curumin para mim é um contrassenso. Considero o Japan Pop Show um álbum incrível, mas ao vivo foi um dos piores shows que eu vi na vida. Já o disco mais recente dele Arrocha (2012), acho o disco bom, mas nada impressionante. Porém, ao vivo as músicas dele funcionam muito bem. Curumin é um baterista incrível, a voz dele também é bem bacana ao vivo e o formato de trio foi bastante eficiente. O camarada estava a vontade e foi acompanhado aos berros em músicas como “Selvage”, “Fever na Magrela”, entre diversas ouras canções. O espaço não estava cheio, mas os presentes fizeram o primeiro dia de shows terminarem em clima de festa.


PS: Todas as fotos do festival Mundo 2013 e tiradas por Rafael Passos.

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