Impressões do 2º dia do Festival Mundo e a apoteose da música paraibana

por - 17:33

Festival Mundo 2013Cheguei domingo no Espaço cultura da Usina Energisa mais ou menos no mesmo horário do sábado, ou seja, perdi alguns shows (pude constatar que o sistema de transporte coletivo de João Pessoa é bem pior que o do Recife aos domingos). Quem se apresentava eram os paranaenses da Uh LaLa e não posso dizer que vi a banda, mas a última música foi um indie rock bem animado e nada além disso. De cara pude perceber uma grande diferença para o dia anterior. O público presente e interessado nos shows era bem maior.  Talvez por que boa parte das atrações apresentem afinidades sonoras, atraindo mais pessoas interessadas.


Festival Mundo 2013


A banda local Burgo foi a primeira apresentação completa que vi, iniciando uma sequência de atrações paraibanas. O grupo tem um trabalho gravado, mas ainda não lançado e faz um som instrumental caindo mais para o jazz, com uma percussão bem bacana. Na primeira parte do show a guitarra estava bem baixa, mas quando resolvido isso, foi um belo show. A banda teve atenção de um público bastante interessado na apresentação. O camarada do sopro me lembrou uma versão nordestina do Rob Mazurek e manda muito bem, gostei do  show e aguardo o álbum.


Festival Mundo 2013


Depois fui conferir a nova fase musical de Rieg, americano de nascença (que cresceu na Alemanha) e mora na Paraíba há vários anos. Abusando das distorções no vocal, Rieg se apresenta com uma parafernália eletrônica no palco. O som orgânico fica por conta de Daniel Jesi (que também toca na Burro Morto) no baixo e Nildo Gonzales na bateria. A galera toca um indie pop, caindo pro trip hop, tudo muito bem feito e bem vivo. Se você escutar o som, não imagina que são apenas três caras que estão no palco. Os vídeos do show do Rieg (tanto os do telão, quando os da TV que estava no palco) deixam o cenário ainda mais preparado para quem estiver assistindo entrar no clima. Foi o melhor show do domingo e talvez o melhor de todo o festival, arrisco dizer que merecia ter mais tempo.


Festival Mundo 2013


No palco dois, a big band, Seu Pereira e Coletivo 401 iniciava sua apresentação. Tive oportunidade de ver a banda em outra edição do Festival Mundo, antes deles lançarem o disco, e acho que agora tem mais integrantes no grupo, mas o show foi bem parecido.  O som passeia pelo samba rock, com um toque funkeado no baixo de Thiago Sombra. Por sinal, o coletivo 401 tem alguns dos nomes mais atuantes da cena musical da cidade, como o percussionista João Cassiano e Esmeraldo Marques, o ChicoCorrea. O grupo já tem um público cativo em João Pessoa, que parecia mais animado neste show, talvez por já conhecer o disco da banda do início ao fim.


Festival Mundo 2013


Outro belo momento do domingo foi o show de Escurinho no palco principal. Artista de longa carreira e bastante conhecido na Paraíba (e em todo o nordeste). Escurinho e banda fazem um som que mistura regional e rock, eles tocaram coco, instigando rodas enormes de ciranda, foi uma festa. O camarada parecia muito feliz no palco e o som estava muito bom, bem pesado. O público parecia responder mais forte ainda ao som feito pela banda. Podemos dizer que a apresentação foi uma consagração que contou com a presença de Chico Cesar na plateia. Eis um artista que merecia espaço para se apresentar mais e aparecer para todo o país.


Festival Mundo 2013


De Natal, Dusouto manteve o clima iniciado pelo Seu Pereira no palco dois. O trio mandou o velho e bom som dançante e já característico de quem acompanha a banda. Uma mistura de eletrônico, samba, forro, reggae, dub e o que mais vier pela frente. Com o DuSouto não existe preconceito sonoro, o que vier os camaradas abraçam e agregam. Diversão garantida para o público, que dançava freneticamente na frente do palco, e para a banda. O show se encerrou com Cretino, música pedida por boa parte do show.


Festival Mundo 2013


Fechando a edição 2013 do festival, veio o groove setentista do pernambucano Di Melo. O músico aproveitou a oportunidade para apresentar algumas canções novas, o que esfriou um pouco o público presente que aguardavam os clássicos do único disco lançado por ele. As novas músicas parecem continuar o trabalho iniciado pelo compositor há quarenta anos, sem agregar quase nada do que se passou durante os anos de ausência do músico. É interessante acompanhar o show, vendo um bando de jovens tocando um som dos tempos de seus pais. Porém, tenho receio que neste novo trabalho, Di Melo pareça mais datado do que o seu disco reencontrado de 1974. Mas isso não tirou o brilho do conjunto de frases feitas ao microfone, recitando Geraldo Vandré e ganhando o público com enorme simpatia.


Encerro aqui mais uma série de impressões do Festival Mundo, deixo também meu pedido ao público da música independente paraibana. Aproveitem o festival em sua totalidade, afinal, são apenas dois dias de shows por ano. Espero poder comparecer na edição de 10 anos do evento no ano que vem!


PS: Todas as fotos tiradas no Festival Mundo 2013 por Rafael Passos

Você também pode gostar

0 comentários