"Em busca da mediocridade"

por - 16:15


hobA mediocridade da vida contemporânea é algo que me preocupa. Veja bem, falo da vida contemporânea apenas já que todos desejam atingir o estado da mediocridade, que nada mais é que aquela hora na vida em que você diz “tenho um emprego, contas e quero comprar um sofá novo”. Os dias de hoje podem proporcionar estes momentos de outra forma, seja de maneira mais brusca ou na base da sutileza sorrateira em forma de aplicativos idiotas de celular, filmes ruins no cinema ou mesmo o décimo terceiro salário, que por acaso estou esperando ansiosamente apesar de vir descontando impostos absurdos.



Não assista o novo filme d’O Hobbit. Sério. Deixe para assistir o terceiro da ~triologia~ ou compre um box com as versões extendidas dos filmes de Senhor dos Anéis. Este filme representa exatamente o que falei sobre atingir a mediocridade em cheio antes de esperar o décimo terceiro para consertar a lavadora de roupas. E caso não tenha deixado claro antes, atingir a mediocridade é uma coisa boa, até porque para subir uma escada, se sobe de degrau em degrau.



O problema na mediocridade induzida pela era contemporânea é que ela não passa de status, balela, futilidade ou só uma tremenda tiração de onda errada. Falando sobre o filme rapidamente, ele se estende e prolonga dolorosamente até o fim e as cenas de ação, apesar de bem feitas, não passam de encheção de linguição para a história que não vai a lugar algum. Tal como quando você exibe com orgulho as conquistas mais patéticas, que têm o mesmo peso que os pequenos fracassos mas que nem assim são dignos de se levantar os troféus de prata do segundo lugar. Senti o gosto amargo da mediocridade ao terminar de ver o filme. Talvez seja pura paranoia minha ou só porque não gostei do filme.



Tá todo mundo usando uns aplicativos meio retardados também, né? E a obsessão com a própria cara ainda é a bola da vez. Moment Cam? Lembra do Face Your Manga? Buddy Poke? South Park Me? Todos eles com o objetivo de te livrar do karma que é não seguir os padrões de beleza impostos pela sociedade branca, cristã e capitalista. Nem sei se eles funcionam de alguma forma, mas a curiosidade em aderir estas noias transadissimas me dizem que há alguma coisa neles que chamam a atenção. Bom, a mediocridade neste aspecto é situacional e assim como o filme novo d’O Hobbit, tem fim. Graças ao bom senhor, aliás.



Por fim, concluo que apesar de nem ser fã dessa mediocridade induzida, busco incessantemente pela outra. Quero ter um apartamento no qual o chuveiro é uma bosta e preciso consertar todo mês, quero ter um emprego que me paga menos do que deveria, apesar de possuir estabilidade financeira e, óbvio, quero ter um sofá com o estofado saíndo e reclamar pra minha namorada todo mês “poxa, preciso trocar”. A vida contemporânea tem desses drops de desespero crônico, mas acho que apesar de ser ruim, te dá um gás para questionar se realmente essas coisas valem o preço do ingresso pro cinema. E pra mim a resposta foi não. Quanto à você, bem, não assista o filme e busque a resposta por meio de meditação, ioga ou filmes do Steven Seagall.


steven

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