Cena Independente de Pernambuco em 2013

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Cena Independente Pernambuco 2013

Tal qual o ano passado, resolvemos fazer um resumo do ano musical de 2013, através do projeto cena independente, onde representamos o estado de Pernambuco. Para quem ainda não sabe, o projeto Cena Independente é uma coletânea mensal, inspirada no Music Alliance Pact, que busca apresentar aquilo que há de mais novo e relevante na música nacional através da curadoria de blogs especializados, cada um responsável por um estado brasileiro.


Sendo assim, juntamos os sons de todas as mixtapes ao longo do ano, cada um representando um mês. Para esse ano, adicionamos uma faixa inédita e que saiu recentemente, representando o mês de Dezembro. A arte bem verão desta coleta especial foi feita por Túlio Couceiro, da pra acompanhar outros trabalhos dele no fanpage do estúdio Mascavo. Seguem os textos e sons online, no final tem o download.



Janeiro: Trio Eterno – Pra Começar (rock/alternativo/experimental)


A Trio Eterno é uma banda formada por duas pessoas, dito isso pode até soar estranho o nome, mas o importante aqui é o som. Os dois membros deste projeto são velhos conhecidos da cena pernambucana (e até nacional), Felipe S é vocalista da banda Mombojó, André Édipo é músico que já tocou diversos artistas (China e Lulina, para citar alguns) e fez parte da boa fase da banda olindense Bomsucesso Samba Clube. No Trio Eterno, ambos dão vazão a sua produção exacerbada, seja Felipe com suas diversas letras, melodias criadas e engavetadas diariamente, e André, com suas composições musicais há muito feitas e não necessariamente aproveitadas em seus projetos (ou com artistas que ele tem parceria). Mas, não pensem com isso que o Trio Eterno é uma banda de sobras, diversas destas melodias e letras foram mexidas, adaptadas, refeitas e são realmente novas deste processo, que conta com a produção de Arthur Jolly. A inédita canção “Pra Começar”, vai como mais uma prova da qualidade do que virá no primeiro disco do grupo, que deve sair ainda em 2013.



Fevereiro: Luiz Pessoa – Chaos Magic Disco (rock/instrumental/experimental)


Luiz Pessoa é um daqueles músicos matemáticos, fez parte de diversas bandas e produções voltadas para trilhas locais, tanto em curta quanto longa metragens. Tem um disco duplo com composições próprias lançado em 2009 e fez ou faz parte de algumas bandas instrumentais da cena recifense (monodecks e Sãomer Zwadomit, para citar algumas). Na faixa Chaos Magic Disco, ele mostra toda psicodelia contida em seu ser, digna de outros tempos da música mundial recheada de alucinógenos e muitas cores, mas feita em tempos de equipamentos digitais.



Março: Mabombe – Bazaruto (rock/instrumental/experimental)


Mabombe é um daqueles trios de música instrumental que prima pelo experimentalismo sonoro, misturando o máximo de ritmos possível em suas composições. A banda foi formada em 2010 e já participou de alguns bons shows no estado de Pernambuco. No momento, Antônio Marques (bateria), Carlinhos Carvalho (guitarra) e Victor Giovanni (contrabaixo) se preparam para lançar seu primeiro trabalho, que sai ainda esse ano. Conseguimos a pré-mix de uma das faixas que estará no disco, Bazaruto é uma boa amostra dos estudos e troca dos músicos e seus instrumentos em prol da banda, alternando momentos um pouco mais calmos e outros bem tortos e até barulhentos em mais de cinco minutos de som. O mais importante, deixa claro o trabalho de qualidade que está por vir e que o leque de influências que podem ser abordadas é enorme…



Abril: Babi Jaques & Os Sicilianos – Hino a Ninkasi (rock/pop/blues)


A banda pernambucana Babi Jaques & Os Sicilianos se autodenominam um grupo de mafiosos sicilianos que vivem em Nostrife, uma ilha fantástica no meio do rio Capibaribe. Além dessa historieta, o grupo também investe em vestimentas que condizem com tal realidade e nos remetem a personagens tirados de filmes do Don Corleone. O quarteto foi formado em 2009 e desde então já participou de diversos festivais e concursos pelo Brasil e agora se preparam para lançar o primeiro disco cheio, chamado “Coisa Nostra”. Em Hino a Ninkasi, toda e mistura adquirida pelo grupo em suas experiências pelo Brasil são refletidas em pouco menos que quatro minutos, bem como toda a teatralidade para formação do grupo. Bateria quebrada e bem amarrada, guitarras bem trabalhadas, baixo segurando a onda, teclados divertidos e a potente voz da Babi Jaques, que vez por outra também aparece fazendo percussões.



Maio: Ilha do Rato – Corpo Seco (punk/rock/hardcore)


Ilha do Rato é o novo projeto de hardcore do cantor pernambucano China, ou seja, trata-se do músico voltando as suas origens de Sheik Tosado. Até o momento o projeto apresentou duas faixas através do projeto Joinha LAB, do selo Joinha Records, no qual o músico é um dos sócios. Mas o próprio China já disse que a banda gravou seis faixas em três dias e que até o mês de julho o EP deve sair. O nome da banda vem de uma comunidade localizada no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda. O projeto é formado por China (voz), Bruno Ximarú (guitarra), Yuri Queiroga (baixo) e Pernalonga (bateria). A faixa escolhida por nós foi “Corpo Seco”, com pouco mais de dois minutos, letra agressiva e gritada, instrumental simples e objetivo como deve ser o bom hardcore.



Junho: Paes – The World Hipocrisy (mpb/alternativo/experimental)


Paulo Paes é um dos nomes que da um novo fôlego a estética da MPB, fazendo uso da mesma unida a ideias interessantes e identidade sonora bastante forte. Utilizando o sobrenome como nome, o músico já lançou três EPs ao longo de sua breve carreira de seis anos. Lançou recentemente seu primeiro disco cheio, “Sem Despedida”. Um trabalho cheio de autorreferencias em suas relações, seja familiares ou amorosas, e carregado de nostalgia. A faixa “The World Hypocrisy” é a sétima do disco e fala da necessidade de união entre as pessoas, e da necessidade de se afastar um pouco da correria do mundo moderno vez por outra.



Julho: Graxa – Meu Deus, Eu Virei Um Garçom (rock/blues/brega)


Angelo Souza, também conhecido por Graxa, é figura atuante na cena lo-fi e independente do Recife, tocando na banda Canivetes, D Mingus e outras cabeças da atual “Cena Beto”, por sinal, alcunha criada por ele em uma mesa de bar. Graxa acaba de lançar seu primeiro disco solo, “Molho” e apresenta 15 canções divididas em dois lados, o álbum foi gravado no estúdio da Pé de Cachimbo Records. Na faixa escolhidameu deus, eu virei um garçom, a oitava do disco, ele fala sobre um camarada que queria apenas ficar na sua no bar, mas nunca conseguia. Pra saber mais sobre o disco, fizemos um faixa a faixa com o camarada em 2 partes, Lado A e Lado B.



Agosto: Desalma – Foda-se (metal/grindcore/crossover)


O Desalma é uma das bandas pernambucanas que mais fazem shows pelo Brasil, já rodaram por diversos festivais independentes de norte ao sul do país, sempre mostrando o sangue nos olhos característico do som da banda. Eis que no mês passado o grupo lançou seu primeiro disco com o peculiar nome de “Foda-se”. Nele estão as diversas influências adquiridas pela banda ao longo de existência. Em 11 faixas, temos metal, grindcore, crossover, entre outros estilos barulhentos. Tudo feito com enorme qualidade de instrumental e de letras. Escolhemos a faixa que dá nome ao disco para representa-los na mixtape desse mês, que é apenas instrumental e não precisa de mais do que isso pra passar o recado de forma bem clara!



Setembro: Rodrigo Morcego – Carrego do Sataná (blues/rock/alternativo)


Rodrigo Morcego é um dos músicos mais ativos da noite recifense, com um retrospecto de shows em diversos bares e casas de shows. Vem realizando trabalho autoral e também covers de sonoridades como o jazz, o rock progressivo e clássico e o blues. Neste mês ele lança seu primeiro disco solo, blues com sotaque pernambucano, estilo que é sua paixão! Na música escolhida para a mixtape, ele deixa claro que não esqueceu suas influências anteriores, mas que agora seu coração e sua alma pertencem ao blues, com direito a todo o seu carrego e sujeira…



Outubro: Panda Eyes – Kind Of Life (indie/rock/alternativo)


Panda Eyes é uma das bandas novas do Recife que acrescenta fôlego e animo a cena indie local. Na verdade trata-se de uma banda nova, mas de velhos conhecidos da cena unidos a novos nomes. Tal qual o futebol, o equilíbrio entre experiência e juventude ajude para o time funcionar bem e ganhar pontos no campeonato musical. Em “Kind Of Life” vemos uma mistura do indie tradicional, com as distorções tortas de guitarras e quebras da bateria, num alto nível de qualidade. Esta música estará no primeiro disco da banda “Dream Police”, que será lançado ainda nesse ano.



Novembro: Kalouv – Boa Sorte, Santiago (instrumental/experimental/jazz)


Fiquei um tempo pensando no que falar do single lançado pela banda pernambucana Kalouv neste mês. “Boa sorte, Santiago” é uma homenagem prévia ao filho de um dos integrantes da banda. A música é leve, quase uma canção de ninar, porém quando se dorme sempre existem as possibilidades de pesadelos, e até estes instantes podem ser percebidos. A novidade não vem apenas na vida, mas também na sonoridade do grupo. Ao longo dos 9 minutos da canção, vemos uma quebrada de jazz, o tal do post-rock clássico e ambiências que so ficaram mais bonitas com as participações especiais de Kevin Jock (Trompete) e Isadora Melo (voz).



Dezembro: Semente de Vulcão - Ray Charles (MPB/ Alternativo/ Regional)


A Semente de Vulcão é uma banda pernambucana criada em 2008, com um som voltado para o acústico e com um show performático e bem forte. O grupo está às vésperas de lançar seu primeiro disco, com produção de Paulo Rafael (ex- Ave Sangria), grande influência do grupo. Ray Charles é uma homenagem ao homem e uma mostra do que está por vir no novo disco o sexteto, uma erupção sonora saída do fundo da terra.


CENA INDEPENDENTE - PERNANBUCO (2013)

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