Jorge Dubman - Batidas orgânicas e eletrônicas

por - 12:08



[caption id="attachment_23053" align="aligncenter" width="640"]Jorge Dubman Jorge Dubman[/caption]



Jorge Dubman é um dos músicos mais ativos no atual cenário da música negra feita na Bahia. Alguns dos projetos mais relevantes desse fértil campo levam o nome dele após o termo "bateria". Pra fazer um breve resumo, é o cara que segura a responsa das batidas do ska de Luiz Natureza, do rap de Daganja, do dub da Dubstereo, do afrobeat da I.F.Á. e por aí vai. Cada uma dessas bandas/artistas merecia uma postagem aqui no Altnewspaper, mas como meu tempo está escasso, se ajude dando play nos links e leia a entrevista com o Dubman ouvindo essas pedradas.



Ah! O cara ainda é um beatmaker talentoso como poucos e, sob a alcunha de Dr. Drumah, tem produzido instrumentais de jazz-rap que deixariam o The Roots orgulhoso pela influência exercida e servido de base para rimas em sotaques e idiomas diversos.

Como Jorge Dubman você é baterista, já assinando como Dr Drumah é beatmaker. Essas atividades se somam?


É a soma perfeita! Porque como sou baterista, ajuda bastante na hora de produzir alguma batida na MPC ou no software de produção. E como beatmaker, tento manter as levadas de batera o mais “mantra” possível, pois tanto o rap quanto o reggae e o afrobeat - que são estilos que toco - requerem essa disciplina de manter o groove, saca? Então a soma é total.


Em quais projetos/bandas você trabalha atualmente?


Vamos lá! Hoje faço parte das seguintes bandas: I.F.Á. Afrobeat, Daganja, Luiz Natureza, Dubstereo, Kalu, Oxidante e Prince Áddamo.



O que te levou a se envolver com música?


Em casa, desde pequeno, sempre tive um incentivo para me envolver com a música. Me lembro de quando eu era criança e minha mãe comprava aquelas guitarras de brinquedo e tal... querendo que eu fosse um grande guitarrista e eu acabava quebrando todas (risos). Lembro de escutar muito soul, funk e reggae em casa por conta da minha mãe. Nessa mesma época, eu também desenhava e costumava desenhar em cima das capas dos vinis dela e aquilo me chamava muito a atenção, aí fui querendo pesquisar, descobrindo ritmos e estilos. Por volta de 96/97, tive o primeiro contato com a bateria e daí em diante não parei mais, senti que era isso que eu queria pra minha vida: ser músico. E graças a Deus, minha família sempre me apoiou.


Quais beatmakers e bateristas serviram/servem de referência para você?


Vixe, mano! São vários! Vamos lá... beatmaker tem o Pete Rock, J. Dilla, Pat D, Freddie Joachim, Damu The Fudgemunk, Eric Lau, Kankick, Madlib, Jazz Liberatorz, Fakehunters, 20Syl, Soul Square e por ai vai! Os bateras foram Sly Dunbar, Carlton Barret, Santa Davis, Tony Allen, Wilson das Neves, Dom Um Romao, Milton Banana, Max Roach, Art Blakey, John Bonham Questlove e atualmente o Chris Dave.


Jazz e rap são vertentes muito ricas da música e com as quais seu trabalho parece ter mais aproximação. Quais as diferenças e semelhanças que você enxerga entre os dois?


A semelhança é que, assim como o jazz, o rap tem seus improvisos, saca? O jazz rap é um subgênero do hip hop e, se não me engano, apareceu no final dos anos 80 e tem também o lado político e consciente, assim como no jazz. A diferença eu poderia citar algumas aqui como o fato do jazz ser mais orgânico e com mais improvisação e dinâmica, não que o rap não tenha esses pré-requisitos, mas isso veio do jazz. Então, tem essa diferença entre outras. Mas os dois estilos caminham lado a lado, o rap sempre teve influencia do jazz. Se você pegar os primeiros álbuns de rap, você sempre vai achar um sample de jazz.



Seus beats possuem uma atmosfera clássica, parecendo influenciados por artistas mais antigos da música negra. Concorda com essa impressão? E o que você destacaria da produção contemporânea que tem chegado aos seus ouvidos?


Sim, meus beats têm essa atmosfera clássica por conta do que eu escuto e sampleio. Tenho uma pesquisa muito grande de sons e procuro sempre samples bem musicais, porque gosto de misturar o sampler e o instrumento tocado. E sobre produção contemporânea que eu destaco e escuto tem várias! Vou citar alguns que me vem à cabeça agora: Flying Lotus, o Chris Dave & The DrumHeadz, BADBADNOTGOOD, Robert Glasper, Will Session, Evil Needle, Elaquent, Dibia$e, Kev Brown, a galera do Japão (DJ Mitsu The Beats, Samon Kawamura, Mabanua, Budamunky), entre muitos outros.


 

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