Melhores músicas de 2013: Síntese & Inglês (DV) – "Buracos ao Chão"

por - 16:08

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Final de ano chegando e começamos a pensar no que aconteceu de destaque na música brasileira em 2013. Uma das primeiras canções que lembrei foi este rap do Síntese com o Inglês, do Distúrbio Verbal. "Buracos ao Chão" dá nome ao EP não oficial lançado por esta parceria no primeiro semestre de 2013.


O Síntese é de São José dos Campos, usa beats tortos e tem letras fortes, soltamos uma entrevista com o projeto quando ainda era um duo no ano passado (leia ai). Hoje, quem está a frente do projeto de rap Síntese é apenas o Neto, enquanto seu parceiro Leo está cuidando da parte espiritual do Síntese. O Distúrbio Verbal é um grupo de rap da mesma cidade que o Síntese e Inglês faz parte do grupo desde 2007 e vem desenvolvendo o som na raça desde então.


Com o rap é aquilo, quando bate, fica no final por um bom tempo e é este o caso. "Buracos ao Chão" tem uma letra violenta, forte, claramente exposta em agonia de seus interlocutores. O instrumental foi produzido por Moita, a primeira parte foi feita pelo Síntese e a segunda por Ingês. Acho que segue bem o intuito do pessoal ao lançar este EP não autorizado, pois expressa fortemente o momento passado por eles e todas as suas angústias. Aperte o play e siga as rimas...



Buracos ao chão. Realidade destrói paralelo. O elo perdido foi encontrado no coração puro.
Brigo no escuro, os socos me acertam, me esquivo, e ainda erro. E me deparo nocauteado.
Saí pra ver e vi, o que muitos não vêem. Só quem abre a mão daqui vê o que é bom.
Estar além de ver - sentir. Então a luz me encontra, flutuo e ouço aquilo que preciso ouvir pra seguir.
Mundo cão, eu louco de são, me vejo no vão da paz/loucura, e agora solidão.
Ouço tom da voz e manobro os ecos. Inspira a vida, sinto as vozes e dialetos.
Decretos dos anjos e demônios no ouvido. Não ouviu? Merda, acabaram de bater o martelo.
Como um truco, o blefe é soprado, os sinais trocados; e eu, ingênuo, perco o jogo de novo.
Mas sincero. "Deuses" me aniquilam em vida, humanoides aliciam, malícia me visita.
O caderno exita, exito de sentir ódio, a mentira ao pódio faz a ação ser simbólica,
Apocalíptica. Na mente cética. Fabricam o fim da véspera pro fim das épocas.
Vulgos vigaristas me aprisionam, não me deixam entender porque me rondam ou me sondam.
Agora olho o quadro. Insano, perturbado.Encaminhado a viver com o dedo flexionado.
Tudo mais claro nesse baralho marcado. Nessa comunga estou só, com o meu senso tragado.
O que devo saber pra poder viver? Se Deus que me toca, e mais ninguém.
Sinto a pureza envolvendo a minha alma, mas a Terra me arremessa e faz disso tudo uma queda.
Eu só tenho a minha fé pra sentir. Porque se dependesse daqui nunca iria sorrir.
Se sou ingrato, dou a minha face e coração. Pra quem viveu vinte outonos no clarão da ilusão.
Sem mal dizer. Se derem amor e paz nessa aurora. Perfeição, não basta. Lhes deformam e jogam fora.
Irreversível essa noite teatral. Onde atores degradam as flores em prol do final.
Não consigo ser nada, mano, só eu. Forte, paciente, temente à Deus, mas no breu.
Ser filho seu já vale o prêmio da guerra. Nessa briga externa que se interna a cada segundo.
Me vejo como um homem da caverna. Sobrevivendo sem saber, enquanto dinossauros domam a Terra.
Então me desdobro na faísca que vivo, serei meu espírito antes que eu exploda...


Terreno hostil, aqui, não ignoro o frio. Remo e pavio, tio. Os neurônios de acender explodiu.
Deu pra ligar? Veneno e cio, nação viril, Jão. Foto de mil grau, tô fraw. Brasil nunca me viu.
Inconveniente, me evite, amargando outro desquite. Ecossistema sangra, e tudo que fala mente, memo.
O mal que se omite, aleija ou mata no anzol. Debato sem me abater, rastejando até o sol.
Crosta terrena evidencia o senso universal. Pretensão enrijece a matrix espiritual.
Densifica, a consciência o classifica, até entrar na equação a variável que ninguém explica [Deus].
Eu e eu contra mim memo, frente os cara, sempre foi. O que vislumbro de melhor hoje repousa no depois.
Tentar ficar de pé, mais alcoolismo e demência. Sufoca a fé, o corpo pesar mais que a consciência.
No fundo me importo em expor minha glória vergonhosa. Laje laica comum ostententa conduta pecaminosa.
E finda a prosa, universo. Um terço verso, mano. Eternidade corrompida alimenta draconiano.
Suprimir pra internar e limitar a interação. Acoar, pra dementar na super associação.
Vasto orgulhoso mal... Quando pesa o fardo. Órfão quer ser adotado. Shiu... Firmão, to errado.
Nesse chão aflora zoológico dos bicho-homem...Nesse rio de pedra entre amor e ódio eu sinto fome...
"Destrata que é a cota", "se mata com a muca"...Sem sentir o hálito do demônio roçando quente na nuca.
Mental, real, berro, enquanto bendizem o mal. Só eu me vejo sentenciado enquanto degusto o punhal.
Lembro do único caminho pra justificação...Me esquivo, quando os meus álibis viram os motivos das fugas.

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