Os melhores discos de 2013 por João Carvalho

por - 12:05

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A vida é mesmo uma coisa muito engraçada às vezes. É como se o mundo sempre estivesse dando uns pulos, e se num momento você tá com a boca amarga olhando pra cidade cinza na sua frente e torcendo pra que o ano acabe rápido, antes que a gente possa se dar conta já é dezembro e você tá comprando presentes num shopping cheio e se perguntando se o resto do ano foi tão insuportável assim. No meu caso, eu posso dizer que ele foi bem bacana. Mas não estamos aqui pra fazer uma retrospectiva dos porres, nem dos trampos, nem dos fins-de-semana perdidos ou as noites de sono desperdiçadas, estamos aqui pra falar dos álbuns que nos acompanharam durante toda essa correria. Já que listas costumam ser mais melosas e subjetivas, vamos dizer que o critério é o coração mesmo. E coisas que vocês, talvez, não tenham ouvido e que deviam ouvir, na opinião humilde desse rapazinho que lhes fala. Então vamos lá:


A lista não tem uma ordem de preferência, esses são os discos mais importantes do ano para mim.

 

Apanhador Só - Antes Que Tu Me Conte Outra

Esse aqui foi uma surpresa pessoal. Sabe aquelas bandas em que você nunca botou muita fé? Pois é. E aí de repente, eu tinha todas as músicas desse disco no meu celular e sabia as letras de cor. Com uma ironia e senso de humor que raramente marcam presença nas bandas desse cenário, os caras fizeram um álbum político na medida certa e com uma sonoridade que se equipara fortemente com a qualidade das letras. É um álbum interessante por mostrar, pelo menos ao meu ver, uma daquelas viradas de rumo na carreira de um grupo que faz uma diferença radical e equivale a pular de um precipício. No caso da Apanhador Só, eles arriscaram bem.




GOD∆S∆DOG - Hoje

O trampo do GOD∆S∆DOG me apareceu bem discretamente. Conheci os caras por comentários no Soundcloud, e foi assim que eu descobri o Casulo EP deles, que já chamava atenção e dava a impressão de que tinha coisa bacana por vir. Não demorou muito e saiu Hoje, (com essa linda carranca de cachorro na capa) e eu percebi que estava certo. Acho que escolhi Hoje como um representante da cena eletrônica das nossas terras – e aqui não tá fácil pra ninguém – e porque é um dos discos “eletrônicos” desse ano que se dá melhor no que se refere a criar uma identidade. Eu não confundiria esse álbum com nenhum outro, e tampouco consigo enquadrar ele em algum estilo. Eu gosto disso.




São Paulo Underground - Beija Flors Velho e Sujo

O São Paulo Underground é a reunião de titãs do experimental, vamos colocar assim. Guilherme Granado, Mauricio Takara e Rob Mazurek têm carreiras extensíssimas e quase inteiramente inquestionáveis, e é nesses casos em que acaba ficando mais difícil inovar ou não se deixar cair no marasmo. E o Beija Flors Velho e Sujo me pareceu uma coisa inédita. Ele é pesado, ainda é experimental, mas ao mesmo tempo tem um clima de verão-pop-tropical-carnavalesco-brasileiro que é inexplicável. Quem já leu alguma coisa minha já deve ter percebido que popularização do experimental é uma coisa que faz os meus olhos brilharem. E eles brilharam um bocado com esse álbum.




Ruspo - Esses Patifes

Então, o carinho especial que veio por esse álbum provavelmente nasceu da forma como ele foi feito. É um disco itinerante, resultado das viagens de Ruy Sposati pelo país (quatro estados e oito cidades, segundo o release) e acho que é um dos casos em que a influência dos dias de produção fica mais clara no resultado final. Esses Patifes resulta numa mistureba bem brasileira, e ao mesmo tempo, não é muito parecido com nada que a gente costume entender por “música brasileira”. Ele é um passo enormemente pra frente que pouca gente parece ter percebido, e é uma coisa fantástica.




Baleia - Quebra Azul

Eu nunca tinha ouvido falar dessa banda carioca antes, e acho que a encontrei por acaso. De novo um som que eu não sei explicar nem encaixar. E a verdade é que eu não sei nem explicar o que Quebra Azul me passa sem apelar pra algumas comparações. Então, posso? É como se fosse um folk meio pós-rock cheio de brasilidades pop e umas pitadinhas de jazz moderno. Uma dica melhor do que as comparações? Dê uma ouvida por si só, é bem provável que você não vá se arrepender.



Gringo


Volcano Choir - Repave

E quanto ao álbum gringo preferido do ano, vou escolher o objeto da minha resenha mais recente aqui no Alt. O disco do supergrupo com membros do Bon Iver e do Collections Of Colonies Of Bees. Um trabalho conciso, e que segue aquele meu fetiche citado ali em cima pela junção do experimentalismo e do pop. O principal desse disco no caso, eu não posso deixar de admitir, é que eu não consegui parar de ouvir ele durante esse ano, mesmo. Como uma daquelas bandas que você gosta por algum motivo irracional. E no final das contas, é esse diferencial irracional que faz a musica de verdade. Repave então é dica de amigo.


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1 comentários

  1. Estou promovendo uma enquete para selecionar os melhores álbuns de 2013. Vote ou indique novos candidatos: http://candriariviera.blogspot.com.br/

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