Os melhores discos de 2013 por Shilton Roque

por - 15:06

Shilton Roque

Shilton Roque é de Natal e sempre que chego nos shows de hardcore e afins ele aparece por lá. Não apenas na cidade dele, mas em João Pessoa e até aqui no Recife já presenciei o camarada dando uns moshs e curtindo os shows. Dito isso, pedi pra ele fazer um top 5 nacional e um som gringo que tocaram no som dele ao longo do ano, segue o texto.


Eis que chegamos a mais um final de ano, e com o mesmo, os já famosos rituais de encerramento de um ciclo que temos em nosso país. Um período com a já famosa canção da Simone tocando em todos os lugares e aquele valoroso disco de canções natalinas versão cavaquinho em todos os carros de sons e portas das lojas de comércio popular.


Junto com o final do ano, além das listas dos amigos secretos, chegam também as listas dos melhores discos produzidos ao longo do ano. Apesar de não ser muito fã dessa ideia de classificar, afinal cada trabalho tem seu valor e suas características, trata-se de uma “brincadeira” interessante que tem uma enorme serventia, mostrar a muitos aquilo que eles perderam de ouvir ao longo do ano, que com certeza teria feito a diferença em seus ouvidos. Então, seguem alguns nomes que movimentaram as playlists, radiolas e toda-discos de muitas pessoas.


Talma e Gadelha - Maiô


O segundo álbum da banda veio para conquistar quem a mesma ainda não tinha conquistado, como por exemplo eu. Após o lançamento do primeiro discos e dois belos lançamentos solo tanto do Luiz Gadelha quanto da Simona Talma, Maiô tinha uma responsabilidade enorme de manter o nível desses. Não negam ter bebido um pouco mais do rock para produzir esse álbum, mas flertaram ainda mais com outras vertentes. Belos vocais, lindas poesias, guitarras cheias de efeitos e um disco cheio de emoção. Por fim, além de tudo um projeto gráfico muito bacana, num tempo em que as pessoas catam os MP3s e esquecem das capinhas e encarte.


  Confronto - Imortal 

Esse foi um dos mais esperados trabalhos dos últimos 3 anos, e fez jus a sua espera. O produzidíssimo disco anterior a este “Sanctuarium”, aparentemente não teve o mesmo alcance e apreço do público quanto os álbuns anteriores. Na verdade, esse álbum é como um retorno ao passado com os traços do presente no trabalho da banda que tem mais de 10 anos de correrias e muitas turnês. Letras fortes e diretas, assim como o Causa Mortis (disco de 2005), com os já conhecidos refrões marcantes do Confronto que são entoados como hino. A música tema do disco já nasceu para ser “hit”. A banda não nega estar passeando em sonoridades mais pesadas, basta prestar um pouco mais de atenção nas guitarras. Algumas das faixas já vinham sendo tocadas pela banda em shows um ano antes do lançamento, e o público ao já as cantava, o que demonstra o quanto se espera por esse discão. O disco ainda conta com a participação do João Gordo nos vocais de “1 hora”.


Days of Sunday - Days of Sunday

O disco foi lançando num período muito marcante do nosso país e apresentando diversas músicas que refletiam a pauta de discussão das ruas e assembleias do país, só esse fato já torna o mesmo um disco importante. Música não recomendada para a turma do “Sem Violência”. As letras trazem a tona um cotidiano por muitos esquecidos e a face de preconceitos que nem todos passam por estes. É difícil escolher algum destaque para o disco, todas as músicas são muito boas, por isso ele ocupa esse espaço. Se minha percepção não me engana, o disco ainda conta com uma participação do Rodrigo (Dead Fish) em “Não Pare”. Por fim, vinhetas muito interessantes, a da última música é de arrepiar. Com certeza, foi um dos melhores discos de hardcore melódico do ano


Beyond Frequency - Man Alone With Himself

A banda desde seu surgimento já criava uma certa expectativa no público, ao divulgar alguns vídeos na internet com a prévia do seu trabalho e a qualidade do mesmo. Muitos ouvidos ansiosos, ainda mais após o lançamento de um single em 2011. Pois bem, após tanta espera o público não se decepciona e recebe um primoroso trabalho de música instrumental, que bebe das melhores influências, passeia pesadamente na influência do Toe, alguns traços de Macaco Bong e talvez pitadas de Kidcrash. Foi um dos primeiros discos que pensei de entrar na presente lista, tamanha qualidade na produção. Não há muito o que discorrer, um arregaço, escutem e saiam dançando até os pés esfolarem.


TuNa - Dupla Face

O espírito do Do It Yourself é a marca principal desse disco, demorei um dia para gostar do mesmo, mas ao final da noite já tinha adquirido o LP e alguns dias estava apalpando o encarte e ouvindo o som na agullhinha. Punk muito bem tocado, instigante, você ouve com vontade de dançar, e a grande sacada do disco é a seguinte, um lado se contrapõe, ao outro, por isso o título Dupla Face, tudo que é dito no lado A é contradito no lado B. Somente ouvindo vocês poderão entender, o disco é tão poderoso que após um mês ouvindo o mesmo a primeira coisa que fiz ao chegar à minha cidade foi comprar uma bicicleta, escutem e entendam.



Gringo


Bad Religion - True North


A explicação para este disco figurar aqui na lista é simples, é a resposta da seguinte pergunta, como uma banda consegue após 30 anos lançar um disco de músicas inéditas com tanta vivacidade a ponto de disputar espaço com seus clássicos? Ninguém esperava algo tão bem feito e com músicas tão marcantes como saiu esse álbum, ainda mais diante dos últimos 4 discos da banda, com toda certeza, foi o melhor disco dos vovôs nos últimos 11 anos e entra pra estante dos clássicos. Como diriam os cariocas, um esculacho, sem muitas palavras, um disco que surgiu em janeiro, mas já nasceu como melhor do ano.

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