Quais os valores da arte?

por - 15:08

Enock Sacramento Por Mayara Menezes"O valor é a qualidade, nem sempre é o preço"


Esse texto foi feito em cima de duas premissas, um texto que o Wash de Souza mandou por aqui tempos atrás. O texto se tratava de arte conceitual e seus valores e dava a opinião pessoal do camarada. A outra premissa é sobre um workshop que participei na Caixa Cultural do Recife sobre os valores da arte, com Enock Sacramento.


Enock é um critico de arte, membro da associação paulista, da brasileira e de uma ONG de críticos de arte que é reconhecida pela UNESCO e tem sede em Paris. Ele tem formação em bioquímica, trabalhando no ramo farmacêutico por anos, também trabalhou como jornalista e desde a década de sessenta começou a trampar com algo relacionado a crítica da arte, sua verdadeira paixão. De lá até os dias atuais já realizou curadoria para exposições, escreveu livros, participou de premiações e trabalhou em órgãos privados e na CAAPC (Comissão de Averiguação e Avaliação de Projetos Culturais da Prefeitura Municipal de São Paulo).


Ou seja, estamos falando de dois lados distintos de uma mesma moeda, os dois gostam de arte, mas um é amador e outro um profissional da área. Depois deste workshop, consigo inclusive responder algumas perguntas feitas pelo Wash em seu texto sobre os valores de uma arte, mesmo sendo um completo leigo no assunto. Se você não gosta de arte, pare de ler este texto agora e leia esse aqui.


Os Valores da Arte


Alguém disse que cultura é tudo aquilo que resta, depois de tudo que se esquece, ou seja, tudo que você adquire em sua vida e que acaba deixando alguma marca. Iniciei o texto citando que valor não se relaciona diretamente com preço, a teoria do valor vem do liberalismo das teorias de Adam Smith. O valor depende da quantidade e da qualidade do trabalho que a produção de uma mercadoria necessita. Segundo Karl Max, o valor deveria estar atrelado diretamente à força (ou quantidade) de trabalho para sua realização, porém isso nem sempre se aplica quando falamos de uma pintura ou obra de arte. A teoria de valor que mais se adéqua a uma obra de arte seria a teoria marginalista, que agrega as ideias de utilidade e raridade.


Um dos critérios usados para estabelecer o preço de uma obra de arte é de que o que é raro é caro, por outro lado, se há grande oferta o preço é reduzido. Isso talvez explique os aumentos dos preços da obra de um artista falecido, pois sua produção se torna finita. Uma característica interessante é a relação entre a formação do artista e o valor de sua arte. No passado, a formação (estudo) era importante para o valor, atualmente a criatividade e estilo tornaram-se o mote para o preço.


Os pontos que influenciam nas cifras surreais pagas por obras de arte, estão relacionadas com qualidade artística (nível técnico e criatividade), valor comercial ou de mercado (relacionado diretamente com a produção do artista), o poder social e histórico da obra (seja nos quadros impactantes como O Grito e Monalisa, ou artistas revolucionários como Picasso) e também da estima do comprador pelo artista ou obra posta a venda. O tamanho da obra e as técnicas (guache, acrílico, aquarela) também influencia no preço.


Um exemplo atual foi o valor pago pela obra Três Estudos de Lucien Freud, do artista britânico Francis Bacon (1909/1992). Em novembro de 2013, o tríptico foi vendido em Nova York pela bagatela de 142 milhões de dólares, se tornando o quadro mais caro da história, mesmo no período de crises financeiras. A obra foi adquirida pela irmã de um sheik dos Emirados Árabes, que vive no Qatar. Ela tem comprado diversas obras para museus do país, que tem interesse em ser sede olímpica, depois de realizar a Copa do Mundo de 2022. Nesse caso, é uma busca em agregar cultura a sua nação, atraindo turismo agregando valores, podendo ajudar o Qatar a sediar uma olimpíada.


Francis-bacon-triptych


Você pode considerar tal atitude uma besteira ao pensar no objetivo final da moça, mas acreditem, obras de arte são um investimento. Tanto que diversos leilões são realizados com obras adquiridas por bancos anos anteriores, postas em exposição (o que aumenta o conhecimento e o desejo pela obra) e depois vendidas por cinco vezes o valor inicial, ou seja, além de agregar cultura, a moça está fazendo mais dinheiro.


Enock Sacramento também falou sobre os artistas mais vendidos no mundo, com Pablo Picasso sendo o mais importante deste século, mas que atualmente perde para Andy Warhol e para Zhang Daqian, um artista chinês. A China é o mercado que mais movimenta dinheiro com obras de arte na atualidade, principalmente comprando artistas do país. Ele também falou de nomes brasileiros que estão fazendo sucesso lá fora, mas deixou claro que Cândido Portinari ainda é o big boss da arte local, junto com Tarsila do Amaral.


Ao fim, o workshop foi bem legal para quem tinha algum interesse em conhecer ou trabalhar no ramo das artes. Seja como crítico, como artista, comprador, entre outros. O que ficou claro é que quem produz menos, acaba ganhando mais no futuro. Mesmo que, artistas populares também acabam ganhando devido à quantidade de vendas por um preço mais baixo. É importante saber criar uma história em cima do seu nome, se fazendo presente nos lugares em que a arte é vista com respeito e grande valor. Mas por favor, querendo fazer arte para o Hominis Canidae, estamos aí.

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