"O que aprendi com 'Então é Natal', da Simone"

por - 16:11

simone


O chato de falar que não assisto muita televisão é que possivelmente quem não me conhece vai achar que estou tentando ser todo cult-blasé que acha que isso destrói a mente e enfraquece o senso crítico. Não me leve a mal, só nem tenho muito tempo para assistir mesmo. E agora quem não me conhece deve achar que eu sou todo pseudo-ocupado com projetos e afazeres que mudarão as estruturas culturais do país. No caso, sou só um pobre lascado mesmo. Mas comentei sobre a televisão porque acabei assistindo o Altas Horas num sábado qualquer. E olha, escolhi bem o programa, hein.



Quem diria que o pior apresentador do universo faria um programa tão medíocre, com convidados medíocres, números musicais medíocres e plateia medíocre. Veja bem, a mediocridade não é um defeito. Só o limbo entre a falta de qualidade e a qualidade propriamente dita. Na verdade, esta é uma palavra que muito bem define o que assisto de televisão ultimamamente: limbo. De todos os convidados do programa do limbo, a que mais chamou atenção foi Simone, que apavora literalmente com aquela canção natalina que te dá vontade de arrancar o braço esquerdo na dentada quando você ouve.



Ao ser questionada sobre a reação do grande público com relação a eterna música de natal que havia regravado de John Lennon (e depois me perguntam porque nem curto Beatles), Simone respondeu que achava agressivo, mas que em resposta só poderia continuar cantando. Sagaz, eu diria. Nunca esperaria num programa medíocre uma resposta como aquela, ainda mais vinda de alguém que transformou algo ruim em coisa pior. Aquilo me fez refletir sobre a vida.



“Faça o que sabe fazer melhor, ainda que seu melhor não seja o melhor para todo mundo” me soou como a frase natalina da redenção para quem havia acabado de tomar uma bordoada em forma de pergunta. O limbo daquele programa havia me feito refletir com tão pouco e tanto ao mesmo tempo e a música natalina irritante já nem era mais o foco de questionamentos sem fundamento nenhum. Lógico, a música ainda é uma bosta, mas de repente, nem era mais sobre a música, mas sobre o cantar. Feito Mestre dos Magos, deixo este insight como mensagem natalina: Não ouçam a música natalina horrorosa da musicista irritante, assistam televisão e calem as bocas apenas.


TV PARTY


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