"O que Nitro e o Apartheid têm em comum?"

por - 16:37

Paul-Walker-


É estranho pensar em politicas de transporte, prudência no trânsito e politicagens pesadas relacionadas a indústria automobilística quando um cara que fazia filmes sobre rachas e carros super possante morre? Muito provavelmente sim, afinal de contas, estaria sendo babaca se dissesse que tudo isso está diretamente relacionado aos filmes nos quais ele participava. É como ver uma realidade dentro de ficção. Ou o contrário do inverso.



Pior que morrer é morrer ironicamente, tal como Paul Walker após um acidente de carro. É como ver Niemeyer morrendo de velhice ou o Zeca Pagodinho com cirrose, que não me engana quando esbanja saúde e aquela barriga cujo fígado já tomou metade da circunferência. O mocinho de filmes em que rachas ilegais são supermaneiros nos mostrou o que James Dean nos mostrou anos antes em “Juventude Transviada”: a molecada tá comendo bola quando acha que ônibus é coisa de otário. À merda com os bons exemplos.



Se aprendi algo assistindo os filmes de Velozes e Furiosos, esta coisa foi que nunca pilotarei bem e que gastarei milhões de reais com algo que vai terminar debaixo de um caminhão ou em chamas. E nem digo isto porque prezo por um bem maior, prezo pelo meu próprio. Puro egoísmo altruísta, que por acaso, não se fazia presente do amigo queimado pelo objeto que tanto adorava e trabalhava junto. Ele voltava de um evento de caridade quando morreu. Triste, se não irônico, o que torna tudo um tanto menos preocupante ao olhar tupiniquim.



Observa-se como apenas o choro e a comoção na morte de gente conhecida na mídia é cultivado e o mesmo se aplica a Mandela, que inclusive, acaba sendo posto no mesmo patamar por ter morrido em época próxima. Insira aqui argumento anti-fomentador- de-racismo, onde se expressa a indignação por um cara branco pouco servil ao mundo e um cara negro que combateu a opressão num país inteiro terem tido o mesmo peso. O céu é para todos mesmo, afinal de contas. Mas retomando. É triste ver alguém partindo, mas se jogarmos um buquê de flores a cada face familiar que se deita, a primavera será outro outono frio. É preciso seguir em frente e absorver uma perda com uma causa, uma causa com uma luta e uma luta com uma vitória. Tudo em prol daqueles que admiramos ou amamos. Uma pitada de ideologia nunca faz mal.



E ainda que Mandela e Walker tenham partido, isso mostra o quanto ainda temos a humanidade que tantos dizem ter perdido. Ainda que seja falsa em alguns momentos, a lagrima que corre no rosto de um é a mesma que um dia correu quando este foi realmente abalado. O sentimento é o mesmo. A razão, talvez não. Se perguntar de novo se é estranho questionar aquilo que é palpável para uma realidade utilizando-se da ficção dos filmes, o que você responderia? Faça melhor, não responda. Deve ser maluquice mesmo. Mesmo se não for, tudo bem, só o primeiro e o segundo Velozes e Furiosos foram legais mesmo, o resto é chato.


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