"Ensaio sobre o ano que vem"

por - 16:17

fogos


Todo final de ano é igual ou minimamente muito parecido. Todo mundo insiste em fazer as mesmas coisas sempre em prol da tradição. E não há nada de errado com isso, a vida é sua. No ano que vem, vamos apenas combinar de fazer um trato: vamos todos parar de assistir o show do Roberto Carlos do final do ano, que tal? Usei a lógica de matar o vampiro mor para acabar com os vampiros ralés, só que com a putaria dos feriados de fim de ano. É muito possível que não funcione, mas olhando pelo lado bom, não precisaríamos mais ver nenhum outro cantorzinho meia boca se gabando por ter cantado com ele, não é Paula Fernandes e Anitta?


Aliás, falando em Anitta, perceberam a fascinação pelo amadorismo que temos, de modo geral? Porque antes de ir assistir um filme no cinema ou em DVD, você adora assistir os “Behind the Scenes” e para tudo que estiver fazendo pra assistir os cantores de bar do The Voice Brasil tocando músicas de outros artistas. Novamente, nada contra, mas as pessoas fazem isso o tempo todo por gostarem de saber que nada é perfeito, mas sim que tudo foi trabalhado para ser perfeito. É o alívio em ser preguiçoso as vezes que faz com que nós deixemos de lado a vontade de sermos perfeitos.


Talvez eu critique demais coisas que obviamente faço, caindo num paradoxo mais feio que roubar e não aguentar levar o que roubou. Sim, eu faço isso. E digo mais, na mesma intenção que você ouve o novo disco dos Strokes. Para se sentir melhor por não ter feito algo pior e por saber que não fará nada melhor em cima. Até porque em alguns momentos, ser o melhor nem é o mais importante. Julgamentos, julgamentos. O que é ser melhor? E o que diabos é ser melhor no ano que chega? O quanto ruim você foi no ano que passou? Se você quer ser melhor, quer dizer que antes era bom? Porque você só poderia ser melhor se antes fosse bom, caso contrário, teria que ser bom primeiro. Tantas perguntas e a única resposta que consigo para tais é: poderia reformular sua frase, por favor?


Insights a parte, o fim do ano nos faz sentir mal por sermos como somos ou como estamos. Puramente porque se o ano acaba, imagina a gente. A sensação de querer fazer tudo diferente pega de uma forma que é desesperador e nos faz aderir a tudo e a todo tipo de coisa que nos conforta para começar algo novo, do primeiro mês ao último, e fazer tudo de novo e de novo. A terra termina de fazer mais um giro e quanto mais ela gira, mais parece ficarmos tontos. Como aquelas brincadeiras de criança no parquinho, onde aquela estrutura de ferro colorida nos fazia rodar e ficar tontinhos, pra vomitar e pedir pra “tia” ligar pra casa pra irmos embora da escola porque passamos mal. Tudo um truque da criança maléfica e engenhosa que todo mundo já foi ou viu alguém sendo. Tudo arquitetado ou minimamente pensado para que tenhamos mais tempo para fazermos o que mais queremos, que é não fazermos o que fazemos agora. A vida é uma merda mesmo, mas ano que vem tudo piora. Ou melhora. Faça sua aposta.


craps

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