Três perguntas com Thiago França e duas músicas com Tony Allen

por - 00:07

Arte de Kiko Dinucci

Abro o facebook (ops, sem propaganda) um site de relacionamentos famoso, e tem uma mensagem do parceiro Thiago França, saxofonista incrível, que entre os diversos projetos, faz parte do Sambanzo, MarginalS e do Metá Metá e sempre foi parceiro nosso, seja enviando material, ou estando disponível para entrevistas enormes (como essa).


O material enviado por ele foi um áudio com duas músicas novas, feitas em parceria com o baterista nigeriano Tony Allen, umas das lendas da música africana, com quem ele e o Metá Metá tiveram o prazer de tocar numa minitour pelo Brasil neste ano. Aproveitando a data cabalística (11/12/13), o pessoal resolveu soltar as faixas hoje.


Sobre as músicas que você ouvirá abaixo, a primeira se chama "Alokorô", nome vindo do yorubá e foi feita numa parceria entre o Metá Metá e Tony Allen. A segunda faixa, "São Paulo No Shakin'", é uma instrumental feita pelo Thiago França com o Tony, contando com participação do Marcelo Cabral. Ou seja, é um material mezzo Metá, mezzo Sambanzo (ou MarginalS). Antecipo que este material irá sair num compacto, com uma faixa de cada lado.



Aproveitando o momento, resolvi fazer três perguntas pro Thiago, que mais uma vez foi bem solicito e respondeu na lata, segue:


Para você, como foi tocar e compor com Tony Allen? Como foi criar com o cara? Como se deu tal contato?


Thiago França:  porra, man!!! "como foi"?! essa é a pergunta proibida!!! "ah, meu, tipo assim, foi mó emoção" (risos)


Conheci o Tony em 2012, depois de um show do Criolo em Paris. Ele veio no camarim e disse que tinha ficado impressionado, queria muito fazer alguma coisa junto. Fiquei na maior expectativa e, em março, depois dumas trocas de e-mail, recebi o convite pra produzir três faixas no seguinte esquema: ele mandava os tracks de batera abertos e aqui, eu faria o que quisesse.


Que foda. Então, são essas faixas? Vem dessa ideia ai?


T.F: (cronologicamente) a primeira foi "São Paulo No Shakin'", eu produzi com o Marcelo Cabral e o Daniel Bozzio, um tema instrumental meu. O nome faz menção ao disco "Lagos No Shaking" do Tony, preferido da rapaziada aqui. A segunda, chamei o Kiko Dinucci e a Juçara pra gravar essa cantiga, "Alakorô", que de vez em quando a gente tocava na versão trio do Metá, bem diferente do que ficou. Foi a primeira experiência de produzir algo do Metá que não fosse ao vivo, foi divertido, gostamos muito do resultado. A terceira eu fiz com o Tejo Damasceno e vai sair no disco do Instituto, fizemos só nós dois, eletrônica, bem pesada. As três faixas tiveram contribuição do Maurício Bade na percussão.


Essas músicas vão pra uma compilação chamada Afrobeat Makers, vol 2, do Comet, selo francês que lança as coisas do Tony. Todas as músicas da compilação são produzidas da mesma forma, com músicos do mundo inteiro dando seus pitacos sobre as bateras.



E cade essa terceira música?


Thiago: Ainda não está masterizado, e vai sair do disco do instituto, os caras pediram pra não mostrar ainda.


E sobre o Tony Allen, te influencia/influenciou? Qual tua relação com ele (antes de conhece-lo)?


Thiago: O genial do Tony é que ele toca sempre uma força inesperada. Quando toquei com ele em Fortaleza esse ano, conversei bastante e ele me explicou um pouco como a cabeça dele funciona. Eu tinha a sensação (e confirmei com ele) que sempre que ele senta na batera, ele descarta a primeira ideia que vem na cabeça. Geralmente é algo óbvio, embasado em algo que você já fez. Talvez, a influencia seja mais uma inspiração, no meu caso.


Metá E Tony Allen

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