"Até aonde vai o recalque?"

por - 16:12

Justin-Bieber

Eu poderia repetir o que todos dizem sobre as relações humanas serem superficiais, mas só cairia em repetição insignificante. Dizer o quanto uma pessoa pode ser desprezível seria igualmente bobo de minha parte, até mesmo hipócrita. Quantos não se submetem a tais comentários sem antes lembrar que são uns verdadeiros merdinhas por coisas tão pequenas quanto a própria cegueira momentânea ao julgar um semelhante, afinal de contas. Mas verdade seja dita, ninguém sabe o corre que você faz e ainda quer falar sobre o que você fez na sua ausência. Não tente interpretar nada disso, apenas lide com o fato de que pessoas falam de pessoas e pessoas sempre estarão erradas sobre pessoas. Se estiverem certas, outras pessoas estarão erradas, fazendo o ciclo continuar.


Tem uma mulher nova no departamento. Por ter uma equipe que recebe mal os novatos, resolvi mostrar um pouco de gentileza e a convidei para almoçar comigo quase a semana inteira. O resultado foi ouvir fofocas de que já estava comendo a coitada pelos cantos, que ela me ama e que planejamos anunciar o início do relacionamento em breve. Resumindo, mentiras. Não sei ao certo o que pode ter motivado tais rumores, mas talvez seja ao fato de todo ser humano ter calor quando exposto ao sol de 34°C e voltar suado ou se abanando a cada vez que volta depois de uma caminhada ao sol por sair do restaurante onde almoça.

Falemos a verdade, ao tomar uma atitude, devemos aguentar as consequências e o recalque dos que não entendem que atitudes geram consequências. Apesar de buscarmos a perfeição, somos fascinados com o amadorismo, como já mencionei em escritos anteriores, por isso nos permitimos a comentar sobre a vida alheia e rir da desgraça daqueles que, ao olhar coletivo, atingem certos níveis de visibilidade pública por bem ou por mal. É o que as subcelebridades e artistas da música pop de bueiro digam.


Não sou fã de nenhum deles em particular, mas é impressionante como a opinião pública parece também não gostar deles e ir além disso, os odiando com veemência. Tudo bem, os fins não justificam os meios e sabemos o quanto sujo este ramo pode ser, mas isto não é exclusividade do ramo. Pessoas comuns se corrompem com a mesma facilidade. E o mesmo se aplica aos “intocáveis”. Justin Bieber foi preso, tomou atitudes erradas, canta música que não me diz absolutamente nada, mas não sei se merece o ódio que recebe desde que começou com sua carreira mirim. Não vejam isto como uma defesa, mas percebam que ao dizer o quanto idiota ele é, esquece-se o quanto idiota você pode já ter sido.


Uma petição americana para que ele seja deportado para seu país de origem está sendo assinada e está sendo bem assinada. O número de assinaturas determina sua efetividade. A petição anuncia que além de um mau exemplo, ele era uma ameaça a sociedade americana. A mesma sociedade que já teve exemplos ainda piores e que ainda assim sobrevive à decadência moral em que tem passado nos últimos anos e que se mantem retrógrada dentro de seus costumes conservadores, sexistas e preconceituosos. E voltando ao Brasil, não estamos muito longe dos julgamentos que só mostram o quanto recalcados podemos ser, afinal de contas, o rolezinho não é reconhecido como apontador de causas sociais maiores que a própria negligencia com classes sociais menos favorecidas. Tudo é um jogo de intrigas da esquerda, como alguns disseram. Pois bem. Lembro que posso estar sendo hipócrita da mesma forma que aquele que julga de alguma forma, mas também pergunto o quanto hipócrita você pode estar sendo ao julgar-se hábil a fazer um julgamento. E a resposta somente o bom senso pode dar.


bom-senso

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