Ceticências - Branco

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Ceticências - Branco

Branco

Ceticências

Independente (2014)

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Em menos de três meses, o Ceticências já lançou um novo registro. Branco, um EP que sucede o primeiro álbum do projeto desde que Sávio de Queiroz se juntou a Cadu Tenorio, tem apenas duas faixas, “I” e “II" e será vendido apenas nos shows da dupla, em uma tiragem limitada de 20 cópias.


Branco é tanto uma ruptura quanto um novo começo, segundo Cadu. “Branco é ao mesmo tempo um fim e um começo. Nesse registro, trocamos o amplo espectro de cores brilhantes utilizado no Lua por uma atmosfera de texturas desgastadas, uma atmosfera onde os espaços não preenchidos são ainda mais decisivos. Branco foi inspirado na estranha porém sedutora sensação de insegurança que parece comunicar que tudo está prestes a ruir, mas você quer ver isso de perto”, disse ao URBe, no lançamento do EP.


Se em Lua a dupla já mostrava que o projeto que começou um pouco chill, flertando com bastantes elementos do dream pop, se encaminhava para algo totalmente experimental, Branco deixa isso muito mais claro. Dessa vez, Cadu traz mais elementos de sua banda, Sobre a Máquina, para o Ceticências, principalmente os metais e  os ruídos, bastante usados no primeiro registro do grupo, Decompor, de 2010.


Na primeira faixa, “I”, nota-se claramente o abandono do “amplo espectro de cores brilhantes”, é como se todos os ruídos soassem em preto e branco, como se estivéssemos dentro de um galpão escuro, em algum filme sem nenhuma cor, em um resumo, é como se toda aquela gama de cores em um espectro sonoro que acompanha seu player sumissem.


Em “II”, a repetição toma conta de toda a faixa. Enquanto uma base fica em um loop interminável, Sávio e Cadu experimentam elementos eletrônicos, sobre uma textura que de tanto se repetir, acaba ficando desgastada e isso não de um modo pejorativo, ela funciona como o norte da canção, em que tudo o que ambos os músicos fazem tem total relação com ela. "II" acaba ilustrando o que vem acontecendo com o projeto desde a entrada de Sávio: a forma como eles criam um 'techno industrial', usando ruídos e elementos característicos do industrial para a criação de ritmos.


Branco aponta uma nova direção para a dupla, que decidiu gravar esse EP após os primeiros shows como dupla, um no festival anti-matéria e outro no Circo Voador (esse, em parceria com o Chelpa Ferro). Mais experimental ainda, com elementos mais industriais, Branco pode te fazer questionar o que aconteceu com Cadu Tenorio e Sávio de Queiroz durante Lua e esse disco.

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