Conversamos com as minas do Ema Stoned

por - 11:06

Ema Stoned

Quando recebi um arquivo chamado Dema Tapes em meu e-mail, fiquei meio intrigado. Era a demo do Ema Stoned, banda de São Paulo formada por quatro minas, Sabine Holler (vocal, guitarra e teclado), Alessandra Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo), Jéssica Fulganio (bateria e vocal). Ouvi o disco e som bateu. Um lance meio psicodélico, experimental, com gravação lo-fi, mas sem soar totalmente fritado e louco (o que neste caso, não sei como, é realmente bom).


Depois do lançamento de Dema Tapes, o Ema Stoned lançou no final do ano passado seu primeiro EP, Gema , que tá fazendo até um pessoal do Japão postar coisas sobre elas nas redes sociais. O reconhecimento foi bacana e se você quiser ver mais reações de gringos em relação a música da banda, acesse o Facebook delas.


Enquanto escutava o Gema, eu fiquei me fazendo um monte de pergunta sobre a banda durante e resolvi entrar em contato com as meninas neste ano, depois que o Alt voltou de suas merecidas férias. Conversei com a Jéssica por e-mail, que repassou as perguntas para a Sabine e pra Alessandra. Leia a entrevista abaixo.


Como vocês começaram a tocar juntas?


Jéssica: Sabine e Alessandra faziam pequenas jams em casa enquanto Elke e eu já havíamos nos encontrado pra brincar em estúdio. Conheço a Sabine de longa data e em determinado momento decidimos sincronizar as duplas pra ver o que rolava e deu certo. Desde o primeiro momento sentimos que estávamos na mesma vibe.


De onde vem esse nome, Ema Stoned?


Sabine: Da atriz do filme do Homem-Aranha (Emma Stone) que foi dar um "rolê" na Jamaica.
Alessandra: E também do gênero stoner rock.
Jéssica: E com o trocadilho chegou a ave. (risos)


Eu li uma vez alguém falando que vocês eram tipo o Warpaint do Brasil. O que acham disso?


Sabine: Acredito que quando falamos "sei lá o quê do Brasil" estamos limitando nossa cultura e nossa possibilidade de criação. Warpaint é uma banda bacana que escutamos às vezes, mas não acho vantajoso restringir algo a este tipo de etiqueta.


Jéssica: Possuímos inspirações e gostos diferentes. A banda é um grande mix de referências. Talvez por sermos quarteto feminino seja natural essa comparação.


Antes de vocês lançarem o Gema, eu recebi uma demo, com uma explicação e mostrando que ela deveria ser lançada desse jeito, de boca em boca. De onde veio essa ideia?


Sabine: Veio de um amigo nosso, o "Mamaa" (Marcelo Rachmutch, integrante das bandas “doppelgangers!” e “e a Terra nunca me pareceu tão distante”. Ele acompanhou um ensaio, decidiu gravá-lo e fez algumas fitas k7. Marcelo é um dos caras que mais agita o estilo de produção DIY em São Paulo.


Jéssica: Não tínhamos pressa em lançar um trampo, mas o Mamaa queria colocar nosso som pra rolar. Recebemos a demo via e-mail igual todo mundo. Foi uma surpresa pra gente também!


Vocês lançaram o EP no final do ano passado. Qual o próximo passo?


Jéssica: Creio que iremos trabalhar o Gema durante esse ano seja com videoclipes ou shows pontuais. Estamos recebendo muitos feedbacks positivos vindo da Europa e Ásia, o que é muito gratificante já que nem sempre estamos juntas. Acima de tudo a onda da Ema é a experimentação e a brisa que isso proporciona.



O que muda, na opinião de vocês, em ter uma banda toda feita por mulheres? A ideia desde o início foi essa?


Sabine: Na minha opinião, mulheres são mais fáceis de lidar no processo criativo. As coisas fluem com mais intuição, e cheiram melhor também. E quando tivemos a idéia de criar a banda, foi também pelo fato de acharmos que existem muitas bandas só de meninos na cena.


Jéssica: Todas nós já havíamos tocado em bandas majoritariamente formada por homens. Tivemos uma interação muito boa desde o primeiro ensaio. Tudo correu de forma muito natural, quase cósmica. (risos)


E essa capa? A Alessandra (guitarra) que chegou com ela pronta? Como foi o processo de criação?


Alessandra: A capa surgiu da ideia do nome do EP, Gema. Pensei em como seria a gema de uma ema e isso levou a fazer uma imagem de uma ema nascendo/gemendo.


Por que cantar em algumas faixas e em outras não? É bom ter essa total liberdade?


Sabine: Cada música aconteceu de um jeito diferente, algumas ficaram melhores sem letra mesmo... as com letra já nasceram assim.


Jéssica: A gente deixa a música seguir seu próprio caminho.


Eu sempre me pergunto como algumas pessoas dão nome a músicas instrumentais. Como vocês fizeram isso no Gema?


Sabine: Os nomes vieram da aura e do estado de espírito que cada música causa. E piadas internas, claro. Mas não tem nenhum grande segredo, é só conhecer algum bom marroquino.


Jéssica: Chega um momento que não dá mais pra se referir a uma música como: “aquela do riff tal, da batida X”, né?


Elke: Roca Billie por exemplo faz referência direta a uma situação dessas. Chegávamos pra ensaiar e dizíamos: “vamos tocar aquela da pegada meio rockabilly”.


Parece que cada membro da banda está em um lugar diferente hoje. O que isso muda no grupo?


Sabine: Estou vivendo em Berlin sem data pra voltar, mas quem sabe fazemos algo nas próximas férias? As outras integrantes estão em São Paulo, e tem continuado a tocar se focando mais no lado instrumental da banda.


Alessandra: Estou tocando fora de formato de banda e trabalhando com performers e dançarinos.


Jéssica: Temos muitos compromissos individuais fora da Ema que às vezes incluem viagens e alguns períodos quase sabáticos. Quando nos reunimos tentamos aproveitar o máximo possível e sempre surgem coisas bacanas.

Você também pode gostar

0 comentários