O Cadu Tenório tem um novo projeto musical

por - 11:08

Cadu Tenório


O carioca Cadu Tenório surpreendeu a todos novamente e colocou nas ruas seu primeiro disco, Cassettes, que ao contrário de todo o material lançado em sua carreira, não tem um pseudônimo. Ele assina todo o projeto com seu nome.


Para entender melhor o porquê só agora, depois de um bom tempo do músico estar em atividade, fazer isso, como foi o processo de produção e composição de um registro que teve muita coisa extraída de fitas cassetes antigas e etc., conversamos com Cadu.


Antes de começar a ler a entrevista, recomendamos que você clique aqui e baixe Cassettes.


Por que lançar algo com o seu nome dessa vez?


Me sinto um pouco mais seguro pra isso hoje em dia. Sempre tive dificuldade em unir as várias "divisões" do meu trabalho solo em um único disco que pudesse sair como "Cadu Tenório". Não que eu precisasse fazer isso. Mas considerei um desafio. Apesar de considerar que existam links e similaridades em tudo que já produzi - acho pertinente explicitar aqui que as "divisões" em pseudônimos nunca tiveram a intenção de servirem como muros que impedissem o dialogo de uma coisa com a outra -, era uma dificuldade.


Algum aspecto costuma ser sempre salientado, por exemplo: no caso do VICTIM! a agressividade em feedbacks e texturas saturadas. No Ceticências, quando ainda era um projeto solo, os beats e marcações e por aí vai...

Dessa vez sinto que o resultado condiz muito com o meu trabalho como um todo, pois lido somente com um elemento, que é comum em praticamente tudo que já produzi: o material que gravo em fitas cassete.

As pessoas podem esperar mais materiais desse projeto?


Podem sim, apesar de ser o primeiro disco cheio lançado assim não é a primeira vez que algo meu aparece sem pseudônimos, por exemplo as duas releituras que produzi, no ano passado, para a música "Soluços" (de Jards Macalé) em parceria com a cantora Alice Caymmi a convite do site Banda Desenhada.


Por que lançar o álbum via Sinewave e não TocLabel?


Sempre tive canal aberto com a sinewave, o Elson foi o primeiro a abrir as portas pro meu trabalho, pra lançar algo meu por lá anos atrás, achei que seria bacana ter o primeiro disco com meu nome lançado por lá também. Pensei da mesma forma ao convidar meu velho amigo Thiago Modesto - responsável pelas artes dos meus primeiros trabalhos com o Sobre a Máquina - pra fazer a arte do disco. É um disco sobre nostalgia.


Se tudo correr bem o Cassettes terá uma edição física, incluindo bônus inusitados, anunciada ainda esse ano.


Quanto a TOC label, ela está com alguns lançamentos pendentes e eu e Thiago Miazzo(meu parceiro no selo) andamos enrolados com isso, em resumo a grana tá curta. Não estamos com condições de investir como fizemos no ano passado e retrasado, então está tudo bem devagar. Apesar disso em breve também teremos novidades pelo selo.



Pelo o que pude perceber, deve ter sido um trabalho árduo fazer o Cassetes. Como foi o processo de composição? Principalmente de retirar os materiais das fitas.


Foi um trabalho difícil sim, do tipo que te deixa paranoico e sem conseguir dormir por uns dias tentando resolver detalhes as vezes mínimos, foram composições bem chatas de trabalhar, cheguei a desistir uma época, no início do ano passado. Até receber o convite do NME pra compor uma faixa para uma compilação deles, a NMEchá#2, lançada no último mês de agosto se não me falha a memória.


Partindo da proposta deles revisitei o material e além da faixa que foi finalizada pra compilação - "Prematuro" que abre o Cassettes - acabei tomando novo fôlego pra continuar a investir nas outras faixas já existentes e terminar o disco.


Mas depois desse retorno tentei não acelerar o processo em momento algum, o que foi bom.


O material utilizado, tem gravações de teclado em fita de mais de três anos atrás e também vozes e ambiências gravadas no mês passado, é um turbilhão de memórias. O mais difícil, além de mixar - contei com a ajuda do Emygdio, amigo e parceiro de sempre, pra isso -, foi ter a impressão de estar com o disco pronto, escolher o que ficaria de fora e tudo o mais e confesso que fiquei bem satisfeito com o resultado, estava ansioso pelo lançamento.


Queria que falasse um pouco sobre a sonoridade do projeto, porque a música, nesse disco, volta a tomar uma dimensão mais ambient do que os outros trabalhos que você tem lançado, como o Ceticências ou o próprio VICTIM!. Entretanto, vejo que você traz uma técnica interessante de colagens, usada principalmente no primeiro lançamento do VICTIM!.


O Cassettes é um disco que exige silêncio ao redor. São muitas camadas aparecendo ao mesmo tempo, sem estarem dispostas de forma agressiva salvo raras exceções em momentos pontuais.


O objetivo é que o ouvinte "mergulhe" no disco e descubra coisas lá no fundo, é redundante dizer que a primeira audição vai ser diferente da segunda e da terceira. Estão presentes no disco repetição e desgaste mas em conjunto com inúmeros elementos em constante movimento, diria que novos elementos aparecem quase que o tempo todo.


Cada faixa vai lentamente te conduzindo para a próxima mas de forma alguma isso te protege de surpresas.


É, acho que falei, falei e não disse muito sobre a sonoridade do disco *risos*. Acho que o release de lançamento dá uma prévia razoável. Vou reproduzir aqui o pequeno parágrafo que está no verso da arte do disco:


Cassettes foi construído a partir de trechos de gravações em fitas cassete registradas em casa ao longo de quatro anos. As fitas foram utilizadas como “instrumento” para a construção de loops, muitas foram processadas por pedais e/ou tiveram suas velocidades alteradas para extrair os resultados desejados."


Você vai fazer uma pequena tour pela cidade de São Paulo, certo? Quais são as datas e etc?


Sim, serão dois shows em São Paulo com o Ceticências, duo meu com o Sávio De Queiroz. Estaremos no Synnfest ao lado de um pessoal legal no domingo dia 23 - na Trackers - e na segunda 24 faremos um show exclusivo para o Clap.Me - que será exibido ao vivo na internet -. Ambos os shows terão sets bem diferentes. Estaremos com as 20 cópias limitadas do "Branco" disponíveis lá no dia 23.

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